Resumo da República Oligárquica


Após o ano de 1894, período de governo do Marechal Floriano Peixoto – sucessor de Deodoro da Fonseca -, instaurou-se um novo ciclo da história política brasileira, conhecido como República Oligárquica. A palavra “oligarquia” é conhecida como uma forma política em que o poder se concentra nas mãos de poucos, considerados os mais poderosos.

Mesmo com a passagem do Império para a República, o poder se mantinha centrado longe do povo. O caráter agrário, latifundiário e exportador do Brasil foi agravado durante esse período, em que o país continuava dependente economicamente dos Estados Unidos e de países da Europa.

As classes mais baixas passaram a sofrer com os efeitos do novo modelo político, causado pela supervalorização do café como produto econômico, o que se refletia diretamente no bolso dos consumidores mais pobres.

República Oligárquica

Política do Café com Leite

Em 1889, com o fim da República da Espada, o poder político deixou de ser dominado pelos militares e passou para as mãos das grandes oligarquias rurais, que deram origem ao nome República Oligárquica. As principais elites faziam parte das oligarquias cafeeiras, que assumiram o controle completo do país sob o domínio dos cafeicultores paulistas.

A oligarquia dos produtores rurais paulistas era a principal força econômica da sociedade brasileira, representada pelo Partido Republicano Paulista (PRP). Suas ideias políticas visavam sempre a proteção de cafeicultores e interesses agrários.

O poder político passou por um período de revezamento entre governantes de São Paulo e Minas Gerais, outro estado com forte produção agrícola, principalmente de produtos laticínios. Essa alternância passou a ser conhecida como Política do Café com Leite, em referência aos produtos produzidos nos estados.

A principal forma de eleição desses oligarcas era através do voto de cabresto, uma das características do coronelismo, em que os coronéis barganhavam com a população seus votos na eleições. Como a votação acontecia de forma aberta, esses coronéis controlavam os votos dos eleitores, utilizando promessas e até a violência como forma de criar seus “currais eleitorais” e garantir a eleição de seus candidatos.

Os coronéis recebiam favores pessoais e dinheiro das oligarquias em troca dos votos de cabresto e das fraudes que tramavam, como usar documentos falsificados para menores de idade e analfabetos votarem, inscrever pessoas mortas como eleitores e até adulterar votos.

Outra característica da República Oligárquica foi a ascensão e declínio da economia cafeeira. Os produtores de café passaram a investir massivamente no produto, com novas plantações e aumento da produção e mão-de-obra. No entanto, as necessidades de consumo do mercado não eram tão grandes – preços diminuíam e estoques se acumulavam – e foi instaurada uma crise econômica no Brasil, causada pela superprodução.

Com a crise, São Paulo como principal centro de produção de café do país, passou a investir em um novo segmento da economia: a indústria. Aos poucos, essa indús¬tria nacional foi conquistando o mercado interno e passou a ser a nova face da economia brasileira. No ano de 1928, pela primeira vez, a renda industrial foi superior a agrícola no Brasil, marcando oficialmente o declínio da era dos cafeicultores.

Movimentos Sociais

Com a ascensão da indústria, as pessoas passaram a migrar do campo para as cidades e fortalecer a urbanização. Ao mesmo tempo, surgiram novos protestos e exigências em relação às condições de vida e direitos trabalhistas do proletariado industrial. Diante desse cenário, a Revolução de 1930 marcou a hegemonia política urbana e o fim da República Oligárquica, com a ascensão do presidente Getúlio Vargas ao poder.

No entanto, até a chegada deste momento, outros grupos sociais já haviam se organizado para reivindicar sobre as condições de vida na Oligarquia, gerando revoltas e protestos que marcaram a história política e geraram mudanças significativas para a chegada da democracia no Brasil.

• Revolta da Vacina: A derrubada de cortiços no centro do Rio de Janeiro deixou parte da população da cidade desabrigada. O clima tenso foi elevado pelo plano de vacina obrigatória criado pelo médico Oswaldo Cruz. A ignorância sobre o propósito da vacinação e a tensão com as desigualdades da época ocasionaram uma onda de protestos e destruição da população, conhecida como Revolta da Vacina.

• O Cangaço e a Guerra de Canudos: No século XIX, a região Nordeste sofria com uma crise econômica e total esquecimento pelos governantes do Sudeste. A população passou a se unir em bandos, que saqueavam vilas e atacavam fazendas, conhecidos como cangaceiros. O nome mais conhecido foi o de Virgulino Ferreira da Silva, chamado de Lampião. Seus atos mobilizaram, durante anos, o trabalho árduo de governantes locais e policiais, que depois de décadas, ocasionaram a sua morte em 1938.

Já a Guerra de Canudos foi ocasionada pelo confronto entre o Exército e a comunidade de Canudos, no interior da Bahia, entre 1896 e 1897. Canudos possuía uma população de 25 mil habitantes organizados pelo líder religioso Antônio Conselheiro, que junto aos seus milhares de seguidores começou a preocupar o alto clero católico e as autoridades. Vistos como perigosos monarquistas, os moradores passaram a ser atacados por forças repressivas. A resistência da comunidade durou quase um ano, até que mais de 6 mil sertanejos foram mortos pelo Exército e boa parte de Canudos destruída.

Revolta da Chibata: A Marinha exigia uma disciplina férrea dos seus marinheiros, com a aplicação de castigos abusivos como o uso da chibata. Em 22 de novembro de 1910, sob a liderança de João Cândido, os marinheiros do navio Minas Gerais, se rebelaram contra a violência dos oficiais e assumiram o comando da embarcação. Dentre as ameaças estava o bombardeio a cidade do Rio de Janeiro, caso as punições não fossem extintas. O resultado da revolta foi a abolição da “lei da chibata” e novos direitos concedidos aos marinheiros.

Semana de Arte Moderna: Um dos principais movimentos sociais e culturais da década de 20, o evento era uma manifestação artística contra os padrões arcaicos e a apropriação cultural estrangeira durante a República Oligárquica. As manifestações culturais de nomes como Tarsila do Amaral e Carlos Drummond de Andrade provocaram fortes reações dos conservadores e benefícios culturais para o Brasil, reconhecidos até hoje.