Clássicos de Milton Hatoum


Milton Assi Hatoum, conhecido apenas como Milton Hatoum, nasceu no dia 19 de agosto do ano de 1952, em Manaus, no estado do Amazonas. Ele é um importante tradutor, escritor e professor do Brasil, sendo considerado um dos maiores escritores ainda em vida em território brasileiro.
Biografia de Milton Hatoum

Depois de concluir o ensino médio, o escritor se mudou para a cidade de São Paulo e pouco tempo depois, deu início ao curso de arquitetura e urbanismo na Universidade de São Paulo. Depois de cursar uma pós-graduação na Universidade de Paris III, voltou para Manaus, e começou a dar aulas na Universidade Federal do Amazonas, lecionando literatura francesa e língua.

Milton Hatoum

Com apenas 37 anos, publicou sua primeira obra, intitulada ‘Relado de um certo Oriente’. No ano de 1988, voltou para São Paulo de maneira definitiva, já que estava totalmente insatisfeito com o que vinha sendo da política de sua cidade de origem. Onze anos mais tarde da publicação de sua primeira obra, Hatoum publicou ‘Dois Irmãos’, o seu primeiro romance.

Ao todo, Hatoum escreveu quatro obras, sendo os últimos Cinzas do Norte e Órfãos de Eldorado. Seus romances já venderam mais de 200 mil exemplares no Brasil, e eles também foram traduzidos para outros idiomas, como Estados Unidos, Itália, Espanha e França.

Milton é conhecido no Brasil porque costuma misturar em suas obras, lembranças e experiências pessoais, colocando as características sociais e culturais do Oriente e da Amazônia.

Sua primeira obra foi de grande sucesso, já que depois da publicação desta ele passou a ser reconhecido por leitores do nosso país e também do exterior. Além disso, depois desse episódio ele foi aceito por grande parte dos críticos da literatura.

As obras de Milton Hatoum

Relato de um certo oriente: Esse romance começou a ser escrito no ano de 1982, e só foi publicado no ano de 1989, depois que o manuscrito foi aprovado pelo proprietário da Companhia das Letras. Essa história gira em torno das dificuldades da convivência em família, dos atalhos da memória, das experiências do cotidiano entre amigos no mundo dos imigrantes árabes, e do universo preservado da tradição oral do Amazonas.

Dois Irmãos: Esse romance foi lançado no ano 2000 e está sendo feita uma adaptação dessa obra para ser apresentada na televisão. A história acaba ficando marcada por causa da questão de identidade, que transcorre a literatura e toda a cultura do mundo pós-moderno. Isso porque ele representa a busca de todos nós, seres humanos, que ainda nos dias de hoje se sente como um total exilado, um nômade, indiferentemente do local onde ele esteja. Em Dois Irmãos, existem diversos personagens que abandonaram seu local de origem para virem para o Brasil, a fim de tentarem estabelecer uma nova vida, juntamente com seus descendentes, que não sentem totalmente à vontade no local que estão ocupando. Toda a história é guiada utilizando-se como identidade a memória, que é caracterizada ainda como a personagem principal dessa obra literária. Podemos dizer, que esta é a obra mais analisada e explorada de Milton Hatoum, desenvolvendo a fundo os temas propostos na primeira obra ‘Relato de um certo Oriente’, apesar desse ser feito de uma maneira mais singela e menos rebuscado, propiciando aos leitores uma maior compreensão de sua temática.

Cinzas do Norte: Essa foi a terceira obra de Milton Hatoum. Foi com ele que o autor ganhou seu terceiro prêmio Jabuti, considerado o prêmio mais importante da literatura brasileiro. Essa história se passa na zona Franca da cidade de Manaus, onde o contexto é narrado na época do regime militar brasileiro, quando foi criada essa região. Em consequência, é apresentado o nascimento do bairro conhecido como Cidade Nova, uma das paisagens favoritas da artista plástica. Vale ressaltar que nesta obra, Milton Hatoum reproduz os conflitos do relacionamento entre o progresso e a vida cultural, dos militares e alunos e entre a escola provençal e o movimento regionalista. Assim, o próprio desterro é representado pelo protagonista da história.

Órfãos do Eldorado: Nesta obra, o autor conduz a trama pelo personagem Arminto Cordovil, que faz alusão aos personagens do escritor Guimarães Rosa. Isso porque, Arminto, um solitário idoso, vive em total reclusão nas margens do Rio Amazonas. Ele então, tem um encontro com um outro personagem da história, e é pra ele que ele começar a narrar toda a sua jornada de vida. Durante a conversa, Arminto relembra o fato mais dolorido e mais sofrido de toda a sua vida: a morte de sua mãe no momento em que veio ao mundo. Além disso, seu pai fazia questão de lembra-lo a todo momento que o responsável pela morte de sua mulher era o próprio Arminto. Assim, ele costuma dizer que é órfão duas vezes. Quando recebeu sua herança, ele se viu totalmente incapaz de controlar a sua nova fortuna e acabou mergulhando em grande miséria. Essa perda, juntamente com a obsessiva paixão pela índia Dinaura, fez com que ele passasse a sonhar com uma espécie de Eldorado.