Escritores do Romantismo: Manuel Antônio de Almeida (1831 – 1861)


O principal romance de Manuel Antônio de Almeida, intitulado de ‘Memórias de um sargento de mílicias’ é o que podemos realmente de chamar de um inesquecível romance. Publicado entre o ano de 1852 e 1853, sob a forma de folhetins, no suplemento A do Correio Mercantil do estado do Rio de Janeiro, vinha assinado sempre com a utilização do pseudônimo ‘Um brasileiro’.

Nesse período, Manuel, o autor dessa obra, que ainda não havia completado 22 anos, trabalhava como editor do jornal, e era estudante de Medicina. Tempos depois, foi nomeado como administrador da Tipografia Nacional, o que corresponde nos dias de hoje a trabalhar no Diário Oficial da União. Foi exatamente nessa época, que Manuel Antônio de Almeida, conheceu Machado de Assis, que ainda não era um escritor de renome, que ainda era um simples aprendiz de tipógrafo.

Manuel Antônio de Almeida (1831 – 1861)

Embora ‘Memórias de um sargento de milícias’ tenha sido escrito em plena fase do Romantismo, podemos dizer, que é um romance extemporâneo, porque essa característica acaba não se encaixando nele de maneira temática. Podemos dizer, que ele está fora de seu tempo, de sua época. Além disso, é um romance que muito se assemelha ao realista, incluindo até o desempenho do protagonista, que possui características de um anti-herói.

O teatro romântico – Martins Pena (1815 – 1848)

O maior comediógrafo brasileiro da época romântica chamava-se Luís Carlos Martins Pena, que era conhecido apenas como Martins Pena. De origem humilde, ele nasceu no Rio de Janeiro, no ano de 1815 e veio a falecer em Lisboa, com apenas 33 anos, no ano de 1848.

Frequentou aulas nas chamadas Escolas de Comércio, de onde saiu bacharelado como contador e aprendeu por conta própria o francês, língua culta da época, e o italiano. Sob a proteção e o estímulo de João Caetano, começou a escrever suas peças ainda muito jovem. Escreveu folhetins sobre espetáculos de teatro e de óperas para o Jornal do Comércio do Rio de Janeiro. Produziu também uma comédia, até hoje inédita: o rei do Amazonas.

Na burocracia diplomática, foi conquistando cargos até ser adido cultural em Londres. Mas, atacado pela tuberculose, precisou regressar ao Brasil. Faleceu em Lisboa, quando já estava prestes a retornar para o Brasil. Existem ainda, pelo menos uma dezena de peças do autor que não foram publicadas.

Embora caiba a Gonçalves de Magalhães o papel de iniciador do teatro romântico brasileiro, com a tragédia António José ou O poeta da Inquisição, os primeiros textos românticos de bom calibre foram somente iniciados a partir do aparecimento do comediógrafo Martins Pena.

Sua primeira peça chamava-se O juiz de paz na roça, e foi escrita quanto tinha apenas dezoito anos e publicada no ano de 1842. Iniciador de um teatro atrevido e crítico, observamos em Martins Pena uma tendência para a crítica de costumes. Apoiado por João Caetano, ator que à época tentava criar um bom ambiente cultural no Rio de Janeiro, Pena pôde escrever amplamente, tanto que em apenas dois anos, de 1844 a 1846, escreveu dezessete obras, sempre comédias que iniciavam por divertir o público da capital brasileira.

Seus tipos roceiros, malandros, labregos, fazendeiros, viúvas crédulas, filhos enganados, seres viciosos, servem para fazer rir e tomam um tom que vário do bufo à mais funda ironia e ataque contra as classes cariocas que cultivam aparências e caem em suas próprias armadilhas.

Atento, perspicaz, capaz de tirar o riso das situações mais cotidianas, Martins Pena não se encaixou nos parâmetros do teatro romântico que trazia ao palco os dramas amorosos, tragédias, terríveis de amor perdido. Foi, antes, um crítico mordaz, implacável, como pode se observar na peça O noviço. Esta foi uma peça escrita em três atos, que foi representada pela primeira vez no teatro São Pedro, no Rio de Janeiro, no ano de 1845.

A sequência rápida das cenas cheias de peripécias, sustenta a coluna dorsal da narrativa, que tem como personagens principais uma viúva crédula, chamada de Florência, que se casa com um espertalhão, conhecido como Ambrósio, sem saber que ele já era casado e que havia enganado uma outra mulher, tirando dela todo o dinheiro.

Florência, que estava totalmente apaixonada, aceita o fato de, sob sugestão de Ambrósio, mandar os filhos dela para o seminário e o convento, além de enviar ainda, o sobrinho Carlos.

O inescrupuloso Ambrósio planejava ficar sozinho, livre dos filhos e do sobrinho, para que pudesse herdar toda a fortuna da mulher, mas Carlos, apaixonado pela prima Emília, filha de Florência, se insurge contra a decisão do tio. Por fim, descoberta a bigamia de Ambrósio, os planos do mau-caráter acabam indo por água abaixo e ele é exemplarmente punido pela polícia, não sem antes, claro, passar por situações absolutamente vexatórias e hilariantes.

É bom ressaltarmos que essa peça, O Noviço, foi a primeira peça que foi escrita em prosa no teatro nacional.