Poetas realistas portugueses


Cesário Verde e a poesia do cotidiano

Cesário Verde é o sobrenome para Joaquim José, que nasceu e morreu em Lisboa, em uma vida com curta duração: apenas 31 anos. Filho de um agricultor que enriqueceu rapidamente, nosso poeta foi cedo obrigado a se dedicar a atividades comerciais demasiadamente prática, o que desgostava seu temperamento sensitivo, observador.

No ano de 1857, com apenas dois anos, acompanha a família para uma quinta (Linda a Pastora), a fim de que se refugiem de uma epidemia em Lisboa. São dessa época as lembranças do campo que aparecem registradas na obra do poeta realista: para sempre ele será um agudo observador das coisas da natureza.

Poetas realistas

Depois, passou a frequentar o Curso Superior de Letras quando a vocação literária impõe-se como fundamental em sua vida; abandona-o posteriormente, as desse tempo na universidade sobrou apenas a amizade de Silva Pinto, amigo devotado e futuro biógrafo, responsável pela publicação póstuma do único livro desse autor: O Livro de Cesário Verde, publicado em 1887, um ano depois da morte do poeta.

Antes que um poeta tipicamente realista, Cesário Verde deve ser entendido como um poeta do cotidiano, uma vez que os intuitos revolucionários ou críticos estão ausentes de sua obra. É um fotógrafo, um retratista, captando a vida urbana, o prosaico do espaço urbano que habita. Sua paixão é Lisboa.

Didaticamente, sua obra poética pode ser dividida em três fases:

A. Na primeira, entre os anos de 1875 e 1876, Cesário Verde é um poeta preocupado com o aspecto formal, mas nela cultiva estranhamente a ironia, o humor, uma certa tendência assemelhada a Baudelaire; antilírico, compõe quadros-retratos quase que impressionistas.

B. Na segunda fase, entre os anos de 1877 e 1880, sua musa pessoal é a cidade de Lisboa; a marca mais legítima dessa época é a capacidade de ser o fotógrafo do cotidiano, de captar os sons, os cheiros, os jeitos, a fome, a fartura, os sonhos, as pessoas simples, os operários, as varinas, as impressões intensas das criaturas e das paisagens urbanas. Sem se servir de truques românticos usuais, instaura uma outra forma de lirismo: a que percebe o outro em imagens fragmentadas e multifacetárias e o insere na paisagem citadina. Os poemas dessa fase foram agrupados sob o nome de Sentimento de um ocidental, dedicados todos a outro poeta, Guerra Junqueiro.

C. A terceira fase é do ano de 1881 em diante. Nessa época, Cesário Verde já encontrava-se adoecido da tuberculose que o consumiria e por isso busca a calma do campo e parece repudiar as imagens de Lisboa por paisagens campestres, indicativas de vigor, de saúde, de paz e de tranquilidade.

Eça de Queirós

José Maria Eça de Queirós, conhecido popularmente apenas como Eça de Queirós, nasceu em Póvoa do Varzim, uma pequena cidade portuguesa daquela época, em 1845. Estudou Direito na Universidade de Coimbra e foi figurante de segundando plano na contenda entre Antero de Quental e Castilho, no ano de 1845.

Em 1871, passou a fazer parte das Conferências Democráticas do Cassino Lisbonense; logo após publicar seu primeiro romance, intitulado de O crime do padre Amaro, no ano de 1875, abraçou a carreira diplomática e foi para Havana, e em seguida, para a Inglaterra, e por fim, foi para a França, onde morreu no ano de 1900.

Tornou-se um dos maiores prosadores da língua portuguesa graças à tenacidade com que discutiu a sociedade de seu tempo e foi, sem dúvida alguma, o introdutor de uma modernidade de posicionamento crítico, exercendo até os dias atuais uma larga esteira de influência nas gerações posteriores.

A primeira fase da carreira literária de Eça de Queirós iniciou-se no jornalismo, através da publicação de artigo e de crônicas na Gazeta de Portugal e terminou com a publicação do primeiro romance realista português, em 1875: O crime do padre Amaro. Os artigos e crônicas dessa época foram mais tarde reunidos e postumamente publicados sob o nome de Prosas Bárbaras. O autor se encontra ainda, sob a influência de Vitor Hugo e Michelet, mas desponta nele a ironia contida nas Farpas e em Uma campanha alegre. Constitui a fase menos importante de sua produção, mas já se pode vislumbrar nela o magnifico narrador do futuro.

A segunda fase é composta pelos romances realistas-naturalistas. Nela pode se criticar largamente as instituições de sua terra e seus inúmeros e intoleráveis vícios: a monarquia, a igreja e a burguesia foram atacadas.

A terceira fase é conhecida como fase madura do autor. Isso porque ele alcançou a maturidade, uma crítica aguda que dá lugar ao nacionalismo, a preocupação moral e um certo otimismo quanto ao que se espera de Portugal. Há ainda um saudosismo dos bons tempos, superando o esteticismo cientificista, aparecendo uma espécie de repúdio ao que é artificial, como por exemplo em A cidade e as serras, publicada no ano de 1901. .