Trovadorismo: Características


O que foi o trovadorismo

O trovadorismo foi uma manifestação cultural que surgiu na região de Provence, entre os séculos X e XIV, período denominado como Idade Média. Esta manifestação artística espalhou-se pela Europa, chegando também à península Ibérica.

Trovadorismo

Foi a primeira manifestação cultural na área da literatura, em língua portuguesa. Além disto, foi bastante significativa para Portugal, uma vez que ajudou a construir a identidade cultural, através do idioma, de um país em momento de formação e consolidação das fronteiras.

Características do trovadorismo

Na Idade Média, os artistas que compunham as músicas tocadas nos bailes da corte, ocasiões solenes, banquetes e casamentos eram chamados de trovadores. Esta é a origem do nome trovadorismo.

Os trovadores eram artistas com origem na baixa linhagem da nobreza. Muitas vezes, eram filhos bastardos de algum nobre de maior influência, vassalos que haviam ficado pobres ou ainda, desertores de guerras travadas por Portugal.

Havia a necessidade de serem de origem nobre para que pudessem frequentar a corte sem restrições.

Os trovadores podiam eles mesmos cantar as suas cantigas, acompanhados de instrumentos musicais, ou deixar esta representação para um grupo de músicos. As cantigas eram reunidas em livros chamados cancioneiros. Embora tenha sido uma arte que existiu ao longo de quatro séculos em Portugal, apenas três livros restaram deste período: “Cancioneiro da Biblioteca Nacional”, “Cancioneiro da Vaticana” e “Cancioneiro da Ajuda”.

O marco inicial do trovadorismo em Portugal é a “Cantiga da Ribeirinha” ou “Cantiga da Garvaia”, uma composição de Paio Soares de Taveirós, com data de 1189.

Ao longo da Idade Média, os trovadores foram ganhando importância social. Por isto, começaram a surgir trovadores nas linhagens mais altas da nobreza. Alguns nomes ficam famosos, como o rei D. Sancho, no século XII e D. Afonso X, no século XIII. Em Portugal, não há registro de mulheres na arte do trovadorismo.

As cantigas feitas pelos trovadores ocupavam-se de temas quatro temas principais: as cantigas de maldizer, as cantigas de escárnio, as cantigas de amor e as cantigas de amigo. As cantigas de maldizer e escárnio são classificadas como satíricas. As cantigas de amor e de amigo são classificadas como líricas.

Cantigas de maldizer e de escárnio

As cantigas de maldizer tinham como objetivo fazer uma crítica direta a alguma pessoa da corte. Nestas cantigas, muitas vezes, o nome da pessoa era usado de maneira explícita, pois não havia intenção de insinuar sobre quem se estava a falar. Quando não era dito o nome, os trovadores citavam alguma característica muito peculiar da pessoa, de modo que todos que ouvissem iriam reconhecer o personagem retratado em algum indivíduo da corte. Além do nome, o uso de palavras ofensivas e insultos também eram característicos deste tipo de cantiga.

As cantigas de escárnio realizavam uma crítica indireta a algo ou alguém. Nestas cantigas, o nome do ser criticado ou as características que poderiam revelá-lo nunca eram ditos. Até mesmo a crítica era feita de maneira a deixar o espectador na dúvida sobre o que se tratava. Os temas poderiam variar, desde uma crítica indireta a um desertor da guerra, até uma dama ou cavalheiro de conduta duvidosa ou ainda, ridicularizar costumes da corte.

Tanto as cantigas de maldizer como as cantigas de escárnio, eram reservadas para datas menos formais, com um foco na diversão.

Cantigas de amor e de amigo

As cantigas de amor eram feitas com o objetivo de exaltar a mulher amada. Eram sempre escritas por homens, expressando um eu-lírico masculino que sofre pela rejeição de uma mulher. As palavras utilizadas eram respeitosas, de modo a seguir a premissa do amor cortês da época, sem nunca demonstrar os sentimentos totalmente. O nome da mulher nunca é divulgado, sempre é referida na cantiga como “dona” ou “senhor”. Na língua portuguesa do período, a palavra “senhor” possuía gênero indefinido.

A mulher é retratada ora como um ser cruel, impiedoso, que se apoderou do coração do homem que canta, ora como um ser idealizado. Estas canções refletem, em sua maioria, situação de amor platônico, onde o trovador, entendido na cantiga como a vítima de amor, deve um respeito servil à mulher que ama. Isto reflete as relações de susserano e vassalo, característico da Idade Média e ficou conhecido como vassalagem amorosa. É importante frisar que a palavra “amada”, neste período, referia-se a uma pessoa com a qual já se tivesse tido contato físico. Por isto, nunca seria usada em cantigas de amor.

As cantigas de amigo falavam sobre os sofrimentos de uma mulher em relação a um namorado, marido ou algum outro homem que tenha tido contato físico com ela, o amigo. Embora falem de mulheres, eram sempre escritas por homens. Refletem histórias de mulheres abandonadas, viúvas de marinheiro ou guerreiros, moças enganadas por nobres com falsas promessas de casamento. Nestas histórias, a mulher é a amada, ou seja, uma mulher com a qual já de teve contato físico.