Lesar e Lesionar


Dúvidas linguísticas são eventos recorrentes no dia a dia das pessoas, principalmente porque utilizamos do método linguístico à medida que somos seres acima de tudo sociais. Certas incertezas de origens diferentes estão exatamente ligadas a assuntos ortográficos e estão, portanto, associadas à semântica, pois os dois aspectos constroem uma correspondência entre si.

Um ponto de vista importante inclina-se a ressaltar quando as pessoas se dispõem a falar a respeito de duas formas verbais: lesar e lesionar – a situação de as conjunturas ortográficas se colidirem profundamente ligadas à semântica, isto é, o ramo que se encarrega de analisar os significados que as palavras possuem.

Perante esse fato linguístico, os verbos lesar e lesionar, por possuírem certas semelhanças sonoras e gráficas, usualmente são alvos de certos tropeços, questionamentos e desvios.

Lesionar

Dessa maneira, calhe acentuar que o dicionário as mostra como sinônimos, cujo sentido semântico se atribui a “gerar lesão física”. Nesse ponto de vista, caso o propósito do locutor seja transmitir que alguém está ferido, molestado, tanto se pode afirmar que o mesmo está lesado ou lesionado.

Contudo, é importante destacar os demais detalhes, também pertinentes, e que se emprega apenas ao verbo lesar: o caso dele possuir outro significado, manifestado pela prática de desobedecer ao direito de alguém, afetar moralmente, insultar.

Ex:
Não se sinta lesado, desse modo, busque seus direitos.

Em virtude de todos os aspectos mencionados anteriormente, é aconselhável utilizar o verbo lesionar apenas para casos que se atribuam a lesão física.

Semântica linguística

Semântica é a análise dos significados. Acomete a respeito do vínculo entre os significantes, como frases, palavras, símbolos e sinais, e o que eles demonstram, a sua denotação.

A semântica linguística analisa o sentido utilizado pelos seres humanos para se apresentar por meio da linguagem. Demais formas de semântica abrangem a semântica na lógica formal, linguagens de programação e semiótica.
Esse estudo contradiz com regularidade a sintaxe, situação em que a primeira se utiliza do que algo significa, a medida que a segunda se inclina por cima de condições e normas formais da maneira como esse algo é mostrado, como por exemplo, a associação entre os predicados e seus argumentos. Dependendo da elaboração e significado que se apresenta, têm-se distinções semânticas. A semântica da enunciação ou argumentativa, a semântica cognitiva e a semântica formal, relatam o mesmo fenômeno, porém com significado e aspectos diferentes.

Na língua portuguesa, o sentido das palavras leva em questão:

– Sinonímia: relação que se determina entre duas ou mais palavras que possuem sentidos semelhantes ou iguais, isto é, os sinônimos.
Ex: cômico-engraçado/ distante-afastado/ débil-frágil

– Antonímia: relação que se determina entre duas ou mais palavras que possuem sentidos diferentes, oposto, ou seja, os antônimos.
Ex: bem-mal/ bom-ruim/ economizar-gastar

– Homonímia: relação entre duas ou mais expressões que, ainda que apresentassem sentidos diferentes, apresentavam a mesma condição fonológica, isto é, os homônimos.

As homônimas podem ser de sete tipos:

– Homógrafas: expressões iguais na caligrafia e distintas na pronuncia.
Ex: gosto e conserto podem ser substantivos ou verbos dependendo da aplicação.

– Homófonas: expressões iguais na dicção e distintas na caligrafia.
Ex: cela-sela/ cerras-serrar/ cessão-sessão.

– Perfeitas: expressões iguais na caligrafia e na pronuncia.
Ex: cura, verão e cedo.

– Paronímia: relação que se determina entre duas ou mais expressões que apresentam sentidos diferentes, porém são bastante semelhantes na caligrafia e na pronuncia, ou seja, os parônimos.
Ex: cavaleiro-cavalheiro/ comprimento-cumprimento/ descriminar-discriminar/ veicular – vincular/ descrição-discrição.

– Polissemia: é a particularidade que uma mesma expressão tem de possuir diversos sentidos.
Ex: Ela ocupa um alto posto na loja/ Ele abasteceu o carro no posto peto de casa.

– Homonímia: personalidade fonética entre formas de sentido e natureza totalmente diferentes.
Ex: São (verbo), são (santo).

– Hiperônimo: uma expressão que faz parte do mesmo espaço semântico de outra, porém com significado mais amplo, podendo apresentar diversas perspectivas para somente um hipônimo.
Ex: a expressão flor designa qualquer tipo de flor: rosa, margarida, cravo, etc.

– Hipônimo: tem significado mais limitado que os hiperônimos, isto é, hipônima é uma palavra mais específica.
Ex: examinar, observar, enxergar e olhar.

Hipônimo e hiperônimo são duas expressões utilizadas pela semântica moderna. São componentes importantes na coerência do texto impedindo repetições por meio da recuperação de pensamentos anteriores.

Denotação e Conotação

– Denotação: é a utilização da expressão com o seu significado original.
Ex: Pedra é um elemento sólido e duro, de origem das rochas. A fabricação de um muro de pedras.

– Conotação: é a utilização da expressão com um sentido distinto do original, gerado pelo contexto.
Ex: Você possui um coração de pedra.