Regência Nominal: Usos Comum e Incomum e Auxiliares


Certas palavras na Língua Portuguesa necessitam de um complemento, e esse complemento deve sempre estar acompanhado de uma preposição, para que o sentido fique completo. Por suas características de formação, essas palavras, ou nomes, podem exigir uma determinada preposição e rejeitar outras. Os termos que necessitam de complemento recebem o nome de “regentes” o os que os acompanham e fornecem sentido são conhecidos por “regidos”. Assim sendo, as relações entre os regentes e regidos, bem como o seu estudo, recebem o nome de Regência Nominal.

Existem certos adjetivos e substantivos, no entanto, que aceitam mais de uma regência, sendo preciso, então, que a escolha das preposições seja correta. Essa multiplicidade gera equívocos, principalmente se o indivíduo conhece apenas uma das regências e a aplica em casos distintos. Portanto, é necessário critério e clareza no uso das preposições, e ainda levar em conta o contexto e a sonoridade da frase.

Regência Nominal

Uso comum e incomum da regência nominal

Nomes que são utilizados com frequência e que fazem parte do vocabulário corrente, em geral, não significam um problema na regência verbal. São daqueles casos que a utilização frequente consolida a regra da regência. Entretanto, muitos vocábulos menos usuais costumam trazer maior dificuldade, e não há uma regra que regule essa relação: é necessário conhecer cada um dos termos e, com eles, seus respectivos complementos. Em alguns casos, a regência nominal irá seguir o mesmo regime dos seus verbos correlatos. Deve-se ficar atento com as palavras que serão regidas pela preposição “A”, pois nela vai se aplicar o uso ou não da crase.

A seguir, alguns exemplos sobre o uso de vocábulos incomuns e seus respectivos complementos. O ideal é sabê-los de cor, associando o nome à sua preposição ou, ainda, aos verbos dos quais eles derivam. Vamos dividi-los em substantivos, adjetivo e advérbios, para facilitar seu trabalho de identificação da regência nominal.

Alguns substantivos:

Admiração (a, por); respeito (a, com, para com, por); aversão (a, por, para); atentado (contra, a); bacharel (em); capacidade (para, de); horror (a); devoção (a, para com, por); doutor (em); dúvida (em, sobre, acerca de); impaciência (com); medo (de, a); obediência (a); proeminência (sobre)

Observação: No caso do substantivo medo, a preposição mais frequente é “de”, embora o vocábulo exerça também a regência da preposição “a”.

Alguns Adjetivos:

Acessível (a); contíguo (a); semelhante (a) generoso (com); acostumado (a, com); contrário (a); grato (a, por); afável (com, para com); curioso (de, por); relativo (a); hábil (em); agradável (a); descontente (com); habituado (a); alheio (a, de); desejoso (de); idêntico (a); análogo (a); diferente (de); impróprio (para); vazio (de); ansioso (de, para, por); entendido (em); preferível (a); indeciso (em); apto (a, para); equivalente (a); insensível (a); ávido (de); escasso (de); liberal (com); benéfico (a); essencial (a, para); natural (de); capaz (de, para); fácil (de); necessário (a); compatível (com); fanático (por); nocivo (a); contemporâneo (a, de); favorável (a); paralelo (a); parco (em, de); propício (a); passível (de); próximo (a, de); sensível (a); relacionado (com); prejudicial (a); suspeito (de); prestes (a); satisfeito (com, de, em, por).

Alguns advérbios:

Nos casos de “longe” e “perto”, por exemplo, usa-se “de”. Nos advérbios cuja terminação é em “mente”, a tendência é seguir o mesmo regime dos adjetivos que os formaram, como por exemplo, relativa a, relativamente a.

No caso de oração reduzida, o correto é não contrair a preposição e o sujeito. Essa regra se aplica porque a preposição introduz a frase toda, e não apenas o seu sujeito. Como sabemos, a preposição nunca introduz o sujeito.

Exemplificando: “A discussão consiste em os estudantes terem direito ou não, ao passe livre”, ao invés de “A discussão consiste nos estudantes terem direito, ou não, ao passe livre”.

Leitura e fonética: auxiliares da regência nominal

Embora a lista pareça extensa para ser decorada, a regência nominal possui duas grandes aliadas: a leitura e a fonética. Muitas vezes, ao ouvirmos a expressão, já percebemos que algo está errado na concordância. É uma questão de bom senso e, principalmente, de muita leitura. Equívocos são inevitáveis, mas a prática e a utilização cotidiana da regência nominal vai “treinar” seus olhos e ouvidos detectar eventuais erros na concordância. Obviamente, quanto maior for seu vocabulário, maior será o desafio, mas, com o tempo, você perceberá que a concordância segue uma determinada lógica, e que os exemplos na construção das frases são muitos e facilmente identificáveis.

Textos literários, como crônicas e narrativas, são muito úteis no processo de fixação dessas regras. Boas redações exigem do aluno concordância plena e clareza, no que diz respeito à regência nominal. Portanto, leia muito, preste atenção e pratique sem economia. Em pouco tempo, as dúvidas serão cada vez menores, e você será capaz não só de identificar, mas também de construir orações e sentenças corretamente concordantes, tornando seu texto claro, objetivo e muito bem construído. Bons estudos!