Poluição atmosférica: Aquecimento global e efeito estufa


Não é novidade para ninguém que vivemos em uma atual conjuntura da história mundial em que o desenvolvimento industrial e a ausência de uma agenda ambiental permanente andam de mãos dadas, resultando em um grave descaso no que diz respeito a um consumo e uso consciente das possibilidades energéticas e atmosféricas do nosso planeta. Também não é preciso muito para aferir, mesmo que na ausência de equipamentos complexos ou medidores altamente sofisticados, que o ar que respiramos há muito não é o ideal para a saúde humana.

Basta andar por uma movimentada avenida de qualquer centro urbano do nosso país para ter a possibilidade de acompanhar os medidores da qualidade do ar indicando uma condição raramente boa, poucas vezes regular e frequentemente insatisfatória. Não é por acaso: o desenvolvimento capitalista desenfreado em consonância com o descaso a que foi e tem sido relegada a pauta ambiental no âmbito das políticas públicas culminaram em uma situação que beira o insustentável. Em outras palavras, como se estivéssemos paulatinamente envenenando um rio de cuja água dependemos para sobreviver, não há dúvidas de que nós já contaminamos muito do ar que respiramos com a poluição atmosférica.

Poluição atmosférica

Mas afinal, o que é exatamente a poluição atmosférica de que tanto falam os noticiários de televisão e as manchetes de jornal? Talvez na contramão da interpretação da maioria dos termos científicos, a poluição atmosférica pode ser compreendida por todos nós em uma interpretação literal: trata-se, portanto, da poluição originária de diversas intervenções provenientes da ação humana à qual está submetida a nossa atmosfera, isto é, a densa e complexa composição de gases que permitem que haja vida humana, animal e vegetal na superfície do globo terrestre.

E é importante frisar essa tríade que sai prejudicada de tal efeito ecológico para que, antes de adentrar os pormenores que circundam esse tema, fique bem claro: a poluição atmosférica não é um fenômeno negativo que atinge somente os seres humanos mas, pelo contrário, incide sobre outras formas de vida que, muitas vezes, podem inclusive nos ser alheias. É isso mesmo que você está pensando: uma série de ações provenientes da mãos do homem que trazem consequências danosas para todos, inclusive aqueles que nada tem a ver com a origem de suas causas.

E, como se não bastasse, as desgraças ecológicas decorrentes da poluição do nosso ar advindas de partículas sólidas ou da liberação de gases poluentes no nosso ecossistema ainda causam um outro impacto na mediação e no controle da temperatura terrestre. A poluição atmosférica é um dos fenômenos responsáveis indiretamente pelo aquecimento global, uma vez que muitos gases poluentes formam uma camada gasosa por onde passam os raios solares que, uma vez convertidos em energia térmica, são impedidos de serem dispersos – um processo popularmente conhecido como “efeito estufa”, mas que, veremos mais adiante, é erroneamente assim chamado.

Aquecimento global e efeito estufa

A atmosfera terrestre é composta por uma série de camadas gasosas que se sobrepõem uma a outra. São elas: a exosfera, a termosfera, a mesosfera, a estratosfera e a troposfera. Tais camadas se organizam em uma dinâmica pautada por uma lógica natural ao funcionamento da terra. A presença dos gases que são essenciais a vida humana, como o dióxido de carbono, o metano e o óxido nitrosos, se situa em um contexto de equilíbrio que prevê não só a presença necessária como também a quantidade necessária de cada um deles. Esses gases não servem somente para permitir os processos de troca de energia que são precisos para o funcionamento da vida na terra.

São eles também os responsáveis por garantir a manutenção da temperatura adequada para que essa vida possa se desenvolver, pois são capazes de criar uma espécie de “redoma de ar” dentro da qual eles retém parte da luz incidida em forma de calor. A esse fenômeno – ou seja, a esse processo natural – dá-se o nome de “efeito estufa”. O efeito estufa, portanto, é uma ocorrência necessária à nossa sobrevivência, e muitas vezes é erroneamente apontado como um vilão. O que acontece nesse caso é que quando há um desequilíbrio na composição desses gases, motivado pela sua emissão em excesso, observamos uma absorção maior da radiação infravermelha e uma decorrente intensificação na temperatura terrestre. A esse fenômeno, em uma perspectiva macro, chamamos de aquecimento global.

Chuva ácida

A chuva ácida também surge como um acontecimento adivindo da poluição atmosférica. Trata-se de uma reação à presença massiva de partículas ricas em substâncias como o enxofre e o azoto que sofrem uma hidrólise, isto é, uma quebra no ambiente atmosférico e, ao travarem contato com o volume de vapor no ambiente, reagem tornando-se ácidos fortes. A chuva então cai ácida, com um poder de corrosão capaz de destruir até mesmo estátuas de pedra e de bronze.

Buraco na camada de ozônio

O ozônio é um dos gases que compõe a atmosfera terrestre e cuja principal função é impedir a incidência nociva de raios ultravioletas na superfície do planeta terra. A notada diminuição da espessura da cama de ozônio tem uma razão de ser que conversa diretamente com a poluição atmosférica: não por acaso, a fotodissociação de uma substância chamada Clorofluoretocarbono, popularmente conhecida como “CFC” é o principal agente dessa destruição.