Resumo do Surrealismo


Nascido na década de 20, em Paris, o Surrealismo se caracterizou por ser um movimento literário e artístico, precursor do movimento que ficou conhecido como Modernismo Brasileiro, que aconteceu entre a Primeira e a Segunda Guerra Mundial. Podemos dizer ainda, que o Surrealismo reuniu diversos artistas do Dadaísmo (movimento nascido no ano de 1916, em Zurique, cujo pensamento era o da censura imposta a todas as atitudes consideradas moderadas, pela irracionalidade e que ainda era marcada por um total negativismo radical e descrença) e em pouco tempo ganhou dimensões mundiais.

Esse movimento foi um fruto do contexto indefinido da política que visava nesta época e das teses do criador da Psicanálise, Sigmund Freud. Nele, questionavam-se as crenças no âmbito cultural que estavam vigentes na Europa, e ainda a postura humana, que era totalmente vulnerável aos costumes e a realidade que dominava a sociedade nesse período.

Surrealismo

Um dos grandes objetivos desse movimento foi a produção de uma arte, em que os indivíduos participantes, acreditavam estar sendo destruído pelo movimento racionalista. André Breton, um importante crítico e poeta, foi o principal mentor desse movimento.

O Manifesto Surrealista, publicado em outubro do ano de 1924, pelo próprio André Breton, pertencente ao campo da literatura, foi caracterizado como um dos principais manifestos desse movimento, além de ser o marco oficial da instituição desse movimento. Este importante documento tinha o objetivo de criar através do impulso humano e do resgate das emoções, uma nova expressão acessível da arte. Pode-se dizer, que o Surrealismo expressa as manifestações do subconsciente e a ausência de uma racionalidade humana.

Ao mesmo tempo, em que este movimento propunha, assim como os adeptos dos Dadaísmo, uma demolição do corpo social, acabava propondo, através de outros alicerces, o nascimento de uma nova sociedade.

No ano de 1929, André Breton (literatura), juntamente com René Magritte e Salvador Dalí, Max Ernst, no campo das artes plásticas, e Bunuel na área do cinema, lançaram o Segundo Manifesto Surrealista e ainda o período chamado ‘O Surrealismo a Serviço da Revolução’. No ano seguinte, este movimento acabou se expandindo e inspirando diversos outros movimentos, tanto no continente americano, quanto no europeu.

A visão do surreal

O surrealismo acaba misturando algumas características, a saber: uma combinação do abstrato, do inconsciente, do representativo e do irreal. Entre as metodologias utilizadas estão a escrita automática e a colagem, que sugere que a arte deve se libertar das exigências da razão e da lógica, indo além da consciência do cotidiano, expressando o mundo dos sonhos e do inconsciente.

Tanto no manifesto, quanto nos textos que foram escritos posteriormente, os pensadores surrealistas rejeitam os valores burgueses e a ditadura da razão. Podemos dizer, que este movimento é uma forma de se ver o mundo, um movimento vanguardista, que tem como objetivo a restauração dos poderes da própria imaginação e a superação da contradição existente entre a subjetividade e a objetividade.

Já a escrita automática, acaba buscando o impulso criativo da arte, através do fluxo de consciência e do acaso, que é despejado pelas obras. Se busca escrever no mesmo momento, onde um indivíduo escreve e outro completa a ideia no papel, mas não de uma forma lógica. Um bom exemplo disso é o filme ‘Um Cão Andaluz’, que traz partes das ideias do próprio diretor e de um sonho do artista Salvador Dalí, procurando assim se desprender do entendimento e da lógica de maneira consciente.

O surrealismo se destacou principalmente no campo das artes, principalmente nas esculturas, nos quadros e nas produções da literatura, onde o objetivo era driblar o pensamento racional e expressar o pensamento inconsciente dos artistas.

Como os primeiros representantes desse movimento se originaram do movimento conhecido como Dadaísmo, não é muito fácil estabelecer uma separação enfática entre ambos os movimentos, tanto na prática quanto na teoria.

Anos 30 e Segunda Guerra Mundial

As obras mais conhecidas do Surrealismo foram criadas por René Magritte e Salvador Dalí. Este último, passou a fazer parte desse movimento no ano de 1929. Três anos mais tarde, diversos pintores participantes do movimento acabaram produzindo obras que marcaram a evolução estética deste tipo de movimento. Um bom exemplo disso é o quadro La Voix des Airs, de René Magritte, onde é possível se observar três grandes esferas, que caracterizam uma paisagem com sinos pendurados.

Quando a Segunda Guerra Mundial eclodiu, acabou prejudicando o surrealismo, apesar de muitos artistas continuarem produzindo suas obras e de muitos membros continuarem a se encontrar e a se corresponderem.

Em Portugal, o movimento surrealista surgiu a partir do ano de 1936, a partir das teses e das experiências literárias, tidas como automáticas, de Antônio Pedro e de seus amigos. Quatro anos depois, no ano de 1940, o mesmo Antônio acabou montando uma exposição, juntamente com Pamela Boden e Antônio Dacosta, onde reuniu ao todo 26 pinturas e seis esculturas.