Mito: o que é, pensamento mítico e mitos atuais


Existem fatos, fenômenos e sentimentos que lhe parecem difíceis de explicar? Você pode mencionar alguns? Agora tente imaginar as dificuldades do homem antigo para explicar eventos da natureza, como a noite, a chuva e o fogo, ou coisas humanas, como a violência, a guerra, o medo e o amor. Em diferentes civilizações, as primeiras buscas de respostas convincentes para questionamentos humanos sobre a realidade resultaram no surgimento de mitos. Sua função era a de explicar o mundo, construindo um saber que desse ao homem um pouco mais de poder e controle sobre as coisas à sua volta. Conheça alguns mitos da Antiguidade grega:

• A caixa de Pandora

Mito

Segundo a Mitologia grega, Pandora, cujo nome significa “muitos dons”, foi criada por Zeus para castigar os homens a quem Prometeu entregara o fogo divino. Dotada de inúmeras qualidades, ela foi enviada como presente a Epimeteu, irmão de Prometeu, cujo nome quer dizer “aquele que vê de­pois, o imprevidente”. Apesar dos avisos do irmão para agir com cautela em relação aos presentes de Zeus, Epimeteu casou-se logo com a linda moça que trazia consigo uma caixa misteriosa e a orientação de que esta não deveria ser aberta jamais. A orientação não foi respeitada e, uma vez aberta a caixa, todos os males espalharam-se peio mundo. Quando foi novamente fechada, apenas a esperança permanecia dentro dela. Algumas versões do mito atribuem a abertura da caixa à curiosidade da própria Pandora, e outras, à de Epimeteu.

• Ícaro

Dédalo criou o Labirinto de Creta, prisão do Minotauro, monstro em forma de touro que devorava, anu­almente, quatorze jovens de Atenas. Porém, ele ajudou Ariadne, filha do rei Minos, a salvar Teseu, que matou o Minoutauro e fugiu com ela. Como castigo, Minos aprisionou Dédalo e seu filho ícaro no Labirinto, vigiando as saídas de Creta. Mas, o arquiteto Dédalo forjou asas com penas e cera e, na fuga, aconselhou ícaro a proteger as asas, não voando perto do Sol, nem do mar. Porém, fascinado pelo Sol, ele deixou as asas derreterem, caindo no mar Egeu. Sua morte fez o pai lamentar a própria habilidade.

• Narciso

Narciso, em grego, significa “entor­pecido”. Na Mitologia, Narciso era um semideus de rara beleza, que desper­tava grandes amores, mas desprezava qualquer pretendente. Devido ao seu orgulho, foi castigado pela deusa Nêmesis. Ao deparar-se com a própria imagem refletida nas águas de uma límpida fonte, apaixonou-se irreme­diavelmente por si mesmo, paixão que o levou à morte. Algumas versões do mito dizem que ele definhou pouco a pouco, admirando-se até morrer. Outras afirmam que ele se atirou às águas, afogando-se na tentativa de unir-se à imagem refletida na fonte. Imagens repassa das pela tradição e aceitas como ver­dadeiras, sem se submeterem pre­viamente a uma reflexão crítica. Criam modelos a serem seguidos, re­afirmando, muitas vezes, preconceitos e discriminações.
O conjunto dos meios de comunicação, e que inclui, indistintamen­te, diferentes veículos, recur­sos e técnicas.

Mitos do mundo contemporâneo

O mundo contemporâneo também possui os seus mitos, por exem­plo, estereótipos, como os de homem forte e mulher frágil, e também algumas celebridades, muitas vezes criadas e impostas pela mídia como modelos para o modo de ser e viver das pessoas.

Essa concepção da palavra “mito” difere da que se utiliza em re­lação ao mundo antigo. Os mitos da Antiguidade, dos quais os gregos são os mais conhecidos, eram narrativas espontâneas que procuravam dar sentido ao mundo e à existência humana. Por meio de figuras fan­tásticas, deuses e heróis, o homem tentava compreender os mistérios que o cercavam. Assim, o mundo divino ou heróico servia de modelo para o mundo humano.

O pensamento mítico teve uma longa duração e, ainda hoje, ajuda a revelar a história de importantes ci­vilizações. Além disso, possui grande valor para os estudos da Psicologia, pois revela imagens criadas pelo ser humano para compreender a si mesmo.

Hoje, os questionamentos, as hipóteses e os mitos antigos são reconhecidos como etapas da construção histórica do pensamento e do raciocínio do homem, sendo, por isso, válidos e importantes. No entanto, há vários séculos, na Grécia, os primeiros filósofos consideraram imaginativas e insatisfatórias as explicações míti­cas da realidade.
Isso não quer dizer que os mitos devam ser tratados negativamente. Algumas pessoas acreditam que eles são explicações mentirosas ou desenvolvidas com o objetivo de enganar, mas é importante evitar preconcei­tos. Afinal, muitas vezes, o mito pode ser a única explicação possível, devido a fatores, como as condições de análise disponíveis, a falta de condições técnicas de estudo ou o desconhecimento das causas e dos efeitos de um evento ou fenômeno. Assim, a maneira mítica de ver, entender, explicar ou sentir o mundo não deve ser pré-julgada como sendo algo necessariamente ruim.

O QUE É UM MITO?

Segundo AristóteLes, o mito pode ser o contrário da verdade, mas também pode ser algo próximo a ela e que nos ajude a melhor compreendê-la. Nesse aspecto, aproxima-se do senso comum. Deve-se entender por senso comum o pensamento baseado em aparências, tradições e especulações, mas que também pode ser um caminho para explicar ou resolver determinado problema.

Já o mito corresponde a uma forma simbólica e não científica de explicação dos fenômenos à nossa volta, e está presente em todas as culturas, inclusive da atualidade. Por outro lado, os mitos pretendem ser explicações definitivas e universais dos fatos, mas costumam ser parciais e distantes da realidade imediata. Por não entendermos, ou não tentarmos entender, de maneira rigorosa, os motivos dessa distância, eles se tornam explicações falhas, utilizadas para justificar o modo como as coisas são, sem que se questione como elas deveriam ser. Dessa maneira, podem gerar em muitas pessoas acomodação, dependência e passividade. Essa postura da maioria é que motivou os filósofos a buscarem outras explicações para a realidade.