Filosofia: O que é e períodos filosóficos clássicos


Desde as suas remotas origens, o ser humano pensa, tem dúvidas e opiniões sobre sua realidade. Dia­riamente, formula perguntas difíceis, tais como: “O que é o bem? O que é a beleza? O que é a justiça? Por que estamos aqui? Como devemos viver?”.

Se você já formulou questões como essas, deve ter percebido que elas exigem muita reflexão e conduzem a múltiplas respostas. Exatamente por isso, elas aproximam o ser humano da Filosofia.
No século V a.C., Platão afirmava que a Filosofia era o uso do saber em proveito do homem. A palavra grega “filosofia” significa amizade ou amor à sabedoria. Trata-se de uma forma de conhecimento que tem como base o ato de questionar.

Filosofia

Nesse percurso, você descobrirá que o raciocínio filosófico nasce de um conjunto de atitudes filosóficas: interesse, curiosidade e reflexão. Aprenderá também que a reflexão filosófica é a análise do pensamento, buscando a totalidade, a radicalidade e a profundidade – ou seja, considerando todos os elementos possíveis, tentando ultrapassar limites e indo além da superficialidade.

O que diferencia o raciocínio filosófico do simples pensar é a busca da essência ou da origem das coisas. Ele investiga, por exemplo, os processos de humanização dos homens e das mulheres, dentro das sociedades, e de construção dos raciocínios sobre os mais diversos temas. Portanto, para estudar Filosofia, é preciso considerar e discutir questões que chamam a atenção e inquietam, mas que muitas vezes são deixadas de lado.

O pensamento filosófico tem origens muito remotas, no tempo e no espaço. Alguns estudiosos buscam as suas raízes em antigas civilizações orientais, enquanto outros defendem a sua origem grega. No entanto, mesmo sem solucionar definitivamente o impasse, é preciso, ao menos, reconhecer a Antiguidade grega como o marco histórico da sistematização do que hoje o Ocidente denomina Filosofia.
Além disso, para facilitar o estudo da Filosofia grega, é possível classificá-la em diferentes períodos, locali­zando, de uma forma didática, as ideias de antigos filósofos que influenciaram o pensamento ocidental. Contudo, é importante destacar a existência de posicionamentos filosóficos semelhantes em diferentes períodos, bem como de divergências, contradições e discussões sobre teorias em um mesmo período.

Período pré-socrático ou cosmológico – do século VII a.C. ao século V a.C.

Sócrates é considerado um divisor de águas no pensamento grego antigo. Portanto, o termo “pré-socrático” indica que as questões do período são anteriores a ele. Já o termo “cosmológico” indica a investigação do que estava ao redor das pessoas.

O termo grego physis, geralmente traduzido como “natureza”, refere-se à ampla compreensão que os gregos possuíam sobre o significado de natureza: Physis (substantivo feminino): Natureza ou maneira de ser de uma coisa. Forma do corpo. Natureza da alma. Disposição natural. Condição natural. Força produtora. Substância das coisas. Ser animado.

Período socrático ou antropológico – Final do século V a.C. e século IV a.C.

Esse é o período mais famoso da Antiguidade grega e recebe o nome de socrático, devido à importância do pensamento de Sócrates e de seu maior discípulo, Platão. Já o termo “antropológico” indica o principal tema da reflexão filosófica: o homem e suas relações, pois o termo grego para designar o ser humano é ánthropos.

O que é, de onde vem, para onde vai, o que quer e como deve viver o homem eram algumas entre as questões discutidas nesse período. As investigações voltavam-se, prin­cipalmente, para a verdade e a virtude. Os filósofos indagavam sobre quais caminhos o homem deveria seguir para se realizar como um ser dotado de razão e para construir uma sociedade ideal. Nesse contexto, o raciocínio e o diálogo filosóficos, a vivência política, a busca do bem e da justiça eram considerados fundamentais.

Muitas ideias desse período mostraram seus reflexos sobre o pensamento ocidental em outros momentos históricos. Foram associadas, por exemplo, aos princípios cris­tãos, defendidos pelos intelectuais católicos da Idade Média, além de influenciarem as teorias filosóficas de alguns pensadores modernos.

Período sistemático – final do século IV a.C. e século III a.C.

O maior representante desse período foi Aristóteles, filósofo que realizou uma rigorosa clas­sificação dos seres, objetos e conhecimentos de sua época. O termo sistemático indica a maior preocupação do período, evidente no pensamento aristotélico: garantir a cientificidade do conhe­cimento filosófico, reunindo e sistematizando o pensamento já produzido.

Período helenístico ou greco-romano – final do século III a.C. ao século VI d.C.

O pensamento antropológico e ético do período socrático era fortemente marcado pelo sentimento de pertença a uma polis, ou seja, uma coletividade organizada por regras e valores comuns: a cidade. A ética daquele período buscava a harmonia nas relações dos homens entre si e com as suas leis.

Já no período helenístico, as guerras e a dominação de outros povos atingiram brutalmente as polis gregas. Como reação a esse novo modelo social, a Filosofia passou a ser exercida em pequenas comunidades, adquirindo um aspecto doutrinário e intimista, não mais voltada à construção de uma sociedade ideal, mas à busca da harmonia interior e ao desenvolvimento de posturas individuais adequadas ao bem. Entre as comunidades filosóficas do período, destacam-se os epicuristas, estóicos e neoplatônicos. Os primeiros seguiam o pensamento de Epicuro, para quem o homem deveria buscar sempre o prazer e evitar a dor, preferindo os prazeres duradouros aos passageiros, vivendo com simplicidade e autonomia, mas entre amigos. Já os estóicos buscavam a serenidade diante de quaisquer acontecimentos, fossem eles bons ou maus. Finalmente, entre os neoplatônicos, destacaram-se Plotino e seus seguidores, que retomaram alguns princípios da filosofia de Platão, como a busca da verdade e da virtude, mas entendendo a vida contemplativa como o caminho para alcançá-las.

A palavra ética tem origem em dois termos gregos: éthos (hábito, uso, costume) e êthos (índole, caráter). A partir do período antropológico e, principalmente, no período helenístico, a Filosofia grega voltou-se para preocupações éticas, ou seja, para a reflexão sobre as melhores formas humanas de viver e conviver.

O que hoje chamamos de Grécia a Antiguidade conhecia como Hélade. Portanto, os gregos denominavam-se helenos, e a palavra “helênico” referia–se ao que pertencesse à Grécia. Após a dominação dos macedônios, Alexandre o Grande difundiu a língua e a cultura gregas em outras regiões do seu Império. Esse “movimento” ficou conhecido como helenismo. Durante a dominação romana, a influência do helenismo ainda estava presente. Isso explica a nomenclatura dada ao período em questão.