Política (Aristóteles)


Política, de Aristóteles, é uma obra composta por 8 livros do filósofo grego, repleta de profundas reflexões acerca de assuntos como a ética e a própria política, entre outros. Tratando-se do discípulo mais relevante de Platão, Aristóteles, ao contrário de seu mestre, criou textos objetivos, que tratam das coisas reais e, principalmente, dos sistemas de política que vigoravam em sua época. Em Política (Aristóteles), o leitor encontra classificações e definições sobre sistemas políticos que influenciaram, indubitavelmente, grandes pensadores e juristas de diversas gerações, inclusive os contemporâneos.

Sobretudo, a obra é de grande importância para quem deseja compreender os modelos de política e sobre quais seriam, de acordo com Aristóteles, as estruturas ideais para praticá-la. Em Política (Aristóteles), o autor grego discorre sobre a ciência da política, a composição das cidades (polis), os processos de escravidão, a riqueza, as famílias, sendo que na obra também é possível encontrar algumas críticas do pensador ao seu mestre Platão, que, por sua vez, realizava reflexões mais utópicas sobre o modelo ideal de sociedade e política.

Política

Aristóteles, em seus textos, também dedica espaço para a análise sobre as constituições de diversas cidades, fazendo incríveis reflexões sobre os modelos praticados na época, em um grande exercício de comparação entre esses locais. Neste ponto, o que o sábio fez foi descrever os regimes políticos, apontando as características de cada um para a compreensão de como a política funciona, atentando para o poder na mão dos homens.

Em uma passagem presente em Política (Aristóteles), o pensador afirma que o homem, quando é perfeito, é o melhor dos animais, mas também é o pior de todos quando está afastado da lei e da justiça, já que a injustiça é mais “perniciosa” quando é armada, sendo o homem um indivíduo que nasce dotado de armas para serem bem usadas com o apoio da inteligência e do talento. Aristóteles, ainda, faz diversas reflexões sobre como essas armas podem ser utilizadas em sentidos totalmente opostos. Para o pensador, isso ocorre quando faltam ao homem as qualidades morais.

A Ciência Política

Para Aristóteles, o termo política significa “a ciência da felicidade humana”. De acordo com o pensador grego, a felicidade era diretamente ligada ao modo de viver, no meio em que os homens estão e também nos costumes e nas instituições desenvolvidas pelas comunidades. Assim sendo, para ele a primeira função da política era a de descobrir qual a maneira de viver que leva os indivíduos a sua felicidade, sendo a felicidade diretamente ligada aos bens materiais.

A outra função é desenvolver um modelo de governo e fazer com que as instituições sociais sejam as responsáveis por garantir esse modelo. Por sua vez, essas relações são determinadas pela ética, enquanto o modelo de governo nasce através do estudo das constituições das cidades-estados. Neste aspecto, em Política (Aristóteles), o filósofo afirma diversas vezes que a boa política é aquela que visa o bem de todos, o bem que é comum à todas as pessoas. E que a ética estabelecida por uma espécie de consenso entre os homens é o que permite isso.

Governo e Constituição

Em Política (Aristóteles), o sábio diz que os dois termos são equivalentes. Para ele, o governo poderia ser exercido por apenas um homem, por alguns homens ou pela maioria dos homens. Se esses governos tivessem como sua a meta o bem comum a todos, então se pode dizer que as constituições são as ideais. No entanto, se esses governos tiverem como objetivo satisfazer os interesses de apenas um grupo de homens, ou de apenas uma classe, estes são guiados por uma constituição “desvirtuada”. Para Aristóteles, os governantes que não miram o bem comum são os pervertidos.

Modelos de Governo

A análise sobre as formas de governar realizadas por Aristóteles são alguns dos pontos mais importantes da obra. Basicamente, o autor divide os modelos de governo em três: a Monarquia, a Aristocracia e a Democracia. O primeiro trata-se do governo exercido por apenas um homem; o segundo por alguns homens e o terceiro pelo povo. Para o filósofo grego, esses são os únicos modelos possíveis, porém, estão vulneráveis aos interesses privados, ou interesses pervertidos dos homens. Aristóteles demonstra a sua afinidade com a Democracia, mas adverte em relação à demagogia dos governantes.

Sistema ideal de Política segundo Aristóteles

Os pensamentos expressados por Aristóteles em Política deixam claro que, para o filósofo, o regime ideal de política seria o misto, que, por sua vez, seria um sistema daria estabilidade à força entre pobres e ricos. O pensador afirma também que a política ideal de sociedade deveria baseada na mediania, onde o conflito de classes pode ser atenuado com a presença da classe média, que também proporciona maior estabilidade à organização da sociedade. O governo seria praticado pelos cidadãos que possuem patrimônios e que visavam o bem de todos os homens. Aristóteles definia esse tipo de governo como “Timocracia” ou “Politia/Democracia”.