O conflito árabe-israelense


De todos os conflitos que ocorrem e ocorreram durante o século XX no Oriente Médio, o mais constante e, de certo modo, central, é aquele que se dá entre os árabes e os israelenses (judeus que passaram a viver em Israel). As principais causas deste conflito são: a partilha da Palestina e a luta dos povos árabes contra a influência das potências ocidentais em toda a região.

A partilha da Palestina foi o primeiro passo para que os ingleses deixassem a região formando ali dois países diferentes. Em 1948, os judeus declararam sua independência em relação à Grã-Bretanha e formaram o estado de Israel. Com isso, alguns países árabes notadamente, o Egito, a Jordânia, o Iraque, a Síria e o Líbano se uniram aos palestinos que estavam sendo prejudicados com a chegada dos judeus à região. O objetivo era impedir que os judeus realmente constituíssem um estado independente na área.

conflito árabe-israelense

Contexto histórico

Do ponto de vista dos palestinos o problema da criação do estado de Israel era justamente a perda de suas terras. Já por parte dos outros povos árabes a insatisfação, vinha do fato de seus movimentos de independência terem intensificado o nacionalismo, o que os deixava muito pouco dispostos a aceitar a influência ocidental na região.

Começa então o primeiro conflito árabe-israelense que se estendeu até o ano de 1949. No final da guerra, a riqueza dos judeus (vinda das comunidades judaicas espalhadas pelo mundo) e o despreparo dos exércitos árabes deram aos israelenses a vitória. Além de serem garantidas as fronteiras de Israel, os territórios que deveriam constituir o estado palestino foram todos ocupados, a maior parte pelos próprios israelenses. Só ficaram fora do controle de Israel a Faixa de Gaza, que ficou com o Egito, e a Cisjordânia, que ficou com a Jordânia. A situação dos palestinos e dos países árabes que os apoiava tinha então piorado, uma vez que além de Israel garantir suas fronteiras, ainda conquistou mais territórios para si.

Fatores que colaboraram para aumentar a tensão

Durante a década de 50, vários fatores colaboraram para o agravamento da tensão entre os árabes e os israelenses no Oriente Médio.

No Egito, após um golpe militar que colocou fim à monarquia no ano de 1952, sobe ao poder Gamal Abdel Nasser. A política de Nasser se baseava no nacionalismo e no pan-arabismo, ambos elementos que colocavam o país em uma posição de choque direto contra a influência europeia e norte-americana na região.

Entre os palestinos, exilados nos países vizinhos a Israel, foram se formando grupos armados que tinham como objetivo eliminar o estado judeu. Entre eles podemos destacar a Al Fatah. Tais grupos passaram a agir nas fronteiras de Israel com o objetivo de desestabilizá-las.

As superpotências, Estados Unidos e União Soviética, passam a definir suas políticas no Oriente Médio. O primeiro começa a apoiar Israel, com o objetivo de criar, a partir de um país um cordão sanitário que impedisse a expansão do socialismo pela região. Já a URSS, sinaliza seu apoio aos países árabes com a intenção de incentivá-los em sua luta contra o imperialismo ocidental.

No ano de 1956 ocorre a Guerra de Suez, na qual o Egito entra em choque com a Inglaterra, a França e Israel pelo controle do canal de Suez, que liga o Mar Vermelho ao Mar Mediterrâneo, sendo assim uma área de grande importância estratégica. Apesar de perder militarmente, o Egito, com apoio soviético, consegue uma vitória diplomática da ONU, que determina a retirada dos exércitos ingleses, franceses e israelense. Esta vitória dá grande poder político ao Egito.

Após a Guerra de Suez, Egito e Síria começam as negociações para tornar a teses do pan-arabismo uma realidade, procurando formar um único país, a RAU, República Árabe Unida. A RAU tinha como um dos principais objetivos fechar o cerco a Israel.

A vitória de Suez, a formação da RAU, o aumento da atuação dos grupos guerrilheiros palestinos e o apoio soviético, criaram um clima de grande otimismo entre os árabes. Em meados da década de 60, eles começavam a se enxergar como uma grande nação pronta para derrotar Israel e acabar com a influência Ocidental no Oriente Médio.

Antes que as intenções árabes se tornassem realidade, Israel tomou providências. Em junho de 1967 as forças armadas israelenses deflagraram um ataque surpresa ao Egito, à Síria e à Jordânia. O acontecimento ficou conhecido como Guerra dos Seis Dias, já que foi esse o tempo necessário para que os judeus conseguissem derrotas as forças armadas árabes e tomar grandes extensões de terra a estes países.

O Egito perdeu toda a península do Sinai, a Jordânia ficou sem a Cisjordânia e a Síria teve suas colinas de Golã ocupadas pelas forças de Israel. Todas as áreas ocupadas fazem fronteira com Israel, formando assim um grande cordão de isolamento entre este e seus inimigos. Com tais ocupações, os judeus triplicaram o tamanho de seu território e intensificaram a ira dos árabes sobre eles.