Resumo da Nova Ordem Mundial: A Guerra Fria


Apesar da Segunda Guerra Mundial ter chegado ao fim, a situação econômica e política dos primeiros anos do período conhecido como pós-guerra não era favorável à efetivação de uma estabilidade no cenário internacional. Haviam brotado do processo da guerra, duas superpotências com propostas totalmente opostas da sociedade: os Estados Unidos com o capitalismo e a União Soviética com o socialismo. Os países europeus estavam destruídos pelas batalhas e suas economias não pareciam ter capacidade para fundamentar uma recuperação a curto prazo. Era assim, um ambiente próprio pelas radicalizações, principalmente nos países da Europa Ocidental, nos quais parecia crescer a força política da esquerda.

É nesse contexto, que parecia levar os países europeus a debandarem para o lado soviético, que tem início a Guerra Fria. Harry Truman, o presidente americano dessa época, lançou a ideia de que era necessário conter a expansão do socialismo, fundando assim a chamada Doutrina Truman. Um primeiro ato da política americana para a contenção da expansão socialista foi o Plano Marshall. Elaborado pelo secretário de Estado dos Estados Unidos, George Marshall, o plano tinha como objetivo realizar um grande volume de empréstimos e doações aos países europeus. A intenção era propiciar a reconstrução destas economias, o que afastaria o fantasma do socialismo. Como a intenção estratégica era evidente, a União Soviética reagiu prontamente, radicalizando os regimes políticos e econômicos dos países do leste europeu.

A Guerra Fria

Uma consequência direta do choque causado pelo Plano Marshall foi a divisão definitiva da Alemanha, em República Federal Alemã ou Alemanha Ocidental, aliada aos Estados Unidos, e República Democrática Alemã, aliada à União Soviética. Além disso, formou-se a Organização do Tratado do Atlântico Norte, a Otan, que tinha como objetivo a proteção de países capitalistas do avanço soviético. Em 1955, em reação à constituição desse bloco, formou-se o Pacto de Varsóvia do lado soviético, que tinha como objetivo defender os interesses dos países socialistas aliados à União Soviética.

O resfriamento das tensões começou com a descoberta da bomba atômica pelos soviéticos, no ano de 1949, e da bomba de hidrogênio, no ano de 1953, o que acabou os equiparando aos Estados Unidos em termos de tecnologia de guerra. A partir desse momento, criou-se um impasse na hora de pensar no uso desse arsenal atômico, já que isso caracterizava uma destruição mútua. O medo dos Estados Unidos em relação à radicalização dos movimentos de esquerda na Europa Ocidental tinha praticamente desaparecido, em virtude do sucesso da reconstrução econômica promovida pelo Plano Marshall e à formação da Otan.

A corrida armamentista

Um dos fatos mais importantes para definirmos a Guerra Fria como uma situação de combate, apesar de incomum, entre os pólos do poder mundial é o desenvolvimento, em ambos os lados, de um grande complexo bélico-industrial. O investimento em pesquisa e produção de armamentos constitui um dos elementos do que se define como economia de guerra.

A corrida armamentista foi uma competição entre os Estados Unidos e a União Soviética na formação e melhoramento de seus arsenais. O principal setor bélico desenvolvido no período foi o das armas atômicas. O início da busca por armas cada vez mais poderosas se deu com a fabricação e a utilização das primeiras bombas atômicas, na Segunda Guerra Mundial.

O desenvolvimento de armas com tal capacidade de destruição, se caracterizou como um dos principais fatores que tornou impensável uma guerra entre as duas superpotências. Ao longo do tempo acabou ficando mais claro que nenhum dos lados pretendia realmente utilizar suas armas. Mas, essa possibilidade existia, o que justificava o investimento em novas armas.

A preocupação com o controle das armas nucleares nunca foi muito necessária enquanto durou o equilíbrio de forças da Guerra Fria. No entanto, atualmente, tonou-se uma questão que tira o sono de muitas pessoas. Com o fim da União Soviética e sua grande crise econômica e política, a tecnologia nuclear, utilizada para produzir armas de destruição em larga escala, parece fugir cada vez mais do controle das grandes potências, ou do que sobrou delas. Novos países têm, o poder de produzir, atualmente e de comercializar armas nucleares, entre eles o Paquistão e a Índia, onde ocorreram os últimos testes deste tipo de equipamento bélico no final da década de 90.

Mas a principal consequência dessa corrida armamentista foi um intenso armamento do mundo todo. A produção de armas nucleares não era o único setor a se desenvolver nos complexos bélicos-industriais. Para compensar o grande investimento das empresas e dos governos na produção dessas armas, havia um setor vasto que era especializado na produção e na exportação de armas leves, como lançadores de granada, pistolas, metralhadoras, fuzis, etc. A permissividade dos governos em relação ao aumento dessa produção e desse comércio acabou provocando a inundação de todo o mundo por diversos tipos de armamentos. Os movimentos guerrilheiros, os governos ditatoriais, os grupos terroristas e o crime organizado foram os principais beneficiados.