Resumo da Carta de Pero Vaz de Caminha


O Brasil foi descoberto no ano de 1500. Mas, como nessa época não havia um meio de comunicação realmente rápido, quando Pedro Alvares de Cabral aqui chegou, mandou que seu escrivão, Pero Vaz de Caminha, redigisse uma carta narrando quais eram as características físicas e as primeiras impressões sobre a nova terra para Dom Manoel I. Essa carta ficou conhecida como Carta para o Rei Dom Manoel ou Carta de Pero Vaz de Caminha.

O que tem na Carta de Pero Vaz de Caminha?

Pero Vaz de Caminha, escrivão da frota do navegador Pedro Álvares de Cabral, escreveu para Dom Manuel I, que no ano do descobrimento do Brasil era o rei de Portugal, uma carta onde narrava com detalhes o momento da chegada dos portugueses por aqui, a primeira missa realizada nas novas terra e como se deu o contato inicial dos colonizadores com os indígenas que aqui viviam.

Carta de Pero Vaz de Caminha

Resumo da carta

A carta começa a ser narrada a partir do momento que a frota portuguesa partiu de Belém e chegou as ilhas canárias. No dia 21 de abril, surgiram os primeiros indícios de que havia terra próxima, dada pela presença de ervas compridas, o que na carta, o escrivão chama de botelho. No dia 22, avistou-se o que chamaram inicialmente de Terra de Vera Cruz, onde podia se observar o Monte Pascoal, um monte alto.

Quando finalmente desembarcaram na terra desconhecida, avistaram alguns habitantes, na qual Caminha descreveu como sendo pardos, com corpos pintados, cabelos lisos, com pele avermelhada, com o beiço (lábios) de baixo furado com um osso nele, bons narizes e rostos e que traziam nas mãos setas e arcos e andavam totalmente nus.

Os portugueses então tentaram estabelecer contato com os nativos. Mas, em um primeiro momento, um dos índios começou a apontar para a terra e para um colar de ouro que um capitão da frota estava utilizando, como se quisesse dizer que havia muito ouro naquela terra. O mesmo acabou acontecendo com um papagaio e o castiçal de prata. Assim foi feito com diversos objetos que eles nunca tinham vistos, e por isso, os portugueses entenderam que os índios queriam fazer uma troca. Foi dessa maneira que começou a troca de quinquilharias que vinham da Europa por prata, ouro e madeira.

Inicialmente os índios eram muito esquivos com os portugueses. Com o passar do tempo, passaram a conviver de forma harmoniosa e amigável com os desbravadores.

A Carta de Pero Vaz de Caminha, segundo a data, foi escrita no dia primeiro de maio do ano de 1500 por Caminha, que era o escrivão da frota de Pedro Álvares Cabral. A carta foi redigida para Dom Manoel I, também conhecido como ‘Bem Aventurado’ ou ‘O Venturoso’, com o objetivo de comunicar o descobrimento do Brasil. Como os portugueses chegaram em Porto Seguro, na Bahia, Gaspar de Lemos, um grande navegador dessa época, ficou encarregado de levar a carta até Lisboa.

Na história brasileira, a carta do escritor Caminha é o primeiro documento escrito do país, caracterizando-se então como o pontapé inicial ou o marco gero necessário para que a história de nossos país começasse a ser construída depois do descobrimento. Vale ressaltar que o termo ‘descobrimento do Brasil’ é atualmente muito questionado, já que quando os portugueses aqui chegaram, os índios já habitavam a região.

Por mais de dois séculos, a Carta de Pero Vaz de Caminha manteve-se guardada em Lisboa, no Arquivo Nacional da Torre do Tombo. O arquivo foi fundado na Idade Média e existe até os dias de hoje em Portugal, sendo caracterizada assim como além da mais antiga, uma das únicas instituições desse período ativas até os dias de hoje. Foi no século XVIII, mais precisamente no ano de 1773 que José de Seabra da Silva descobriu a Carta de Pero Vaz de Caminha. O padre português Manuel Aires de Casal, que também exercia a profissão de historiador e de geógrafo, foi o responsável pela publicação deste documento em terras brasileiras, no ano de 1817.

A Carta de Pero Vaz de Caminha é caracterizado um exemplo bem típico do deslumbramento que os Europeus tiveram com as Américas, o chamado Novo Mundo. Na carta, o escritor narra alguns dos aspectos físicos da nova descoberto e o momento em que enxergaram o Monte Pascoal, que assim começou a ser chamado depois pelo navegador Pedro Álvares Cabral. Em seguida, ele descreve como os portugueses desembarcaram na praia, a primeira missa que foi feita na terra recém descoberta e ainda o primeiro contato dos portugueses com os índios.

Recentemente, mais precisamente no ano de 2005, a UNESCO, Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a cultura, inscreveu Carta de Pero Vaz de Caminha no Programa de Memória do Mundo. Este programa foi criado em 2004 e tem como objetivo principal o reconhecimento de documentos considerados verdadeiros patrimônios em âmbito nacional, internacional e regional, facilitando assim a preservação e o acesso a diversos documentos da história do mundo.