Resumo da ditadura militar no Brasil: Ditadura Total


Logo depois que o Ato Institucional número 5 foi decretado, o então presidente Arthur Costa e Silva acabou sofrendo um derrame cerebral. Pedro Aleixo, o vice-presidente foi proibido pelos ministros militares de assumir o poder, e o general Emílio Garrastazu Medici foi indicado.

Quando eleito, Medici passou a governar o país com extrema violência, no período entre os anos de 1969 a 1974, em que a tortura e a repressão atingiram ápices extremos, além disso, ele instaurou uma censura para os meios de comunicação. O pretexto desse radicalismo era a intensificação da luta armada contra o regime.

A luta armada acabou assumindo a forma da Guerra das Guerrilhas, inspirando na revolução vitoriosa de Cuba, tendo à frente Fidel Castro, que assumiu o poder no ano de 1959, e também na Guerra do Vietnã, que estava em pleno andamento. Ambos os movimentos de guerrilha, tinham modelos teóricos, sendo respectivamente, as obras de Che Guevara e de Mao Tse-tung, que também havia liderado uma guerra de guerrilhas vencedoras na China, em 1949.

Ditadura Total

Entre as decisões do líder Che Guevara estavam incluídos a criação de focos revolucionários, ou seja, grupos militares muito bem treinados que, operando uma ou mais bases em pontos remotos do país, poderiam desestabilizar o governo e ainda criar condições para a sua substituição forçada. Já Mao Tse-tung colocava em destaque a necessidade de organização de uma base camponesa em que os movimentos de guerrilha pudessem se apoiar, não tendo apenas papel militar, mas também um papel social.

No Brasil, três focos de guerrilha acabaram sendo criados: no vale do Ribeiro, em São Paulo, na serra do Caparaó, em Minas Gerais e na região do baixo Araguaia, no Pará. O primeiro deles, tinha como líder um oficial dissidente do exército, conhecido como capitão Carlos Lamarca, e acabou resistindo por mais tempo. Mas, apesar desse movimento ter sido reprimido no local, o capitão conseguiu fugir e acabou sendo morto, em 1971, no sertão da Bahia, após um longo e violento período de perseguição. O segundo, foi derrotado pela rápida intervenção das forças do governo.

Mas, sem dúvidas, o movimento guerrilheiro que durou por mais tempo e envolveu mais pessoas foi o que aconteceu na região do baixo Araguaia, no Pará. Isso porque os participantes, que eram ligados ao Partido Comunista do Brasil, conseguiram o apoio da população local, através do que Mao Tse-tung havia proposto. Outra razão, foi o fato de o foco do movimento ter se estabelecido em plena Floresta Amazônica, uma região que tem acesso difícil. Assim, a atuação desse grupo passava praticamente imperceptível nos grandes centros urbanos, o que acabava tornando viável, nessas condições, a desestabilização desse regime.

O exército só foi descobrir o foco desse movimento guerrilheiro no ano de 1972, tendo sido destruído três anos depois, em uma operação militar que estava sendo organizado pelo exército do Brasil desde a Segunda Guerra Mundial.

Guerrilha Urbana

No interior, o fracasso dessa guerrilha foi seguido pelo sucesso da guerrilha urbana. Essa nova guerrilha foi organizada por Carlos Marighella, que operou principalmente em São Paulo. Assim, o movimento de guerrilha urbana tinha mais condições de desestabilizar o regime que fracassou nos trechos rurais. Isso era reflexo da própria formação social brasileira, já que nos anos 60, o Brasil estava deixando de ser um país rural, diferentemente do Vietnã, China ou Cuba.

Para acabar com a guerrilha rural, o exército contava com alguns meios tradicionais, como helicópteros e paraquedistas, mas considerados inúteis para a repressão. Então, as Forças Armadas encontraram uma outra arma, a informação, vista como fundamental para que as operações contra essa guerrilha fossem organizadas com sucesso. Dessa maneira, nasceram e cresceram os órgãos de informação das Forças Armadas.

Nesse contexto, cada região militar contava com um Comando de Operações de Defesa Internacional, também conhecido como Codi, que era o responsável por controlas a atuação das tropas dos Destacamentos de Operações Internas, o DOI.

Em 1969, foi criada a Operação Bandeirantes, a Oban, com o objetivo de coordenar o trabalho de diversos grupos. A Oban, acabava por subordinar contingentes das polícias militares e oficiais os órgãos de informação do exército. Este movimento tinha como líder Sérgio Paranhos Fleury, um delegado da polícia civil paulista, que estava ligado ao conhecido esquadrão da morte.

Além disso, a Oban contava com mecanismos de financiamento próprios, que era as doações de homens de negócios e de industriais que estavam assustados com a agitação de esquerda. A repressão teve sucesso e Fleury estava à frente do combate que acabou por matar Marighella em São Paulo.

Podemos dizer, que a guerrilha jamais esteve péssima de tomar o poder no Brasil, nos anos 60 e 70. As Forças Armadas e policias, que se encontravam apoiadas na doutrina de segurança nacional, movendo contra os opositores desse regime uma verdadeira guerra. Assim, todas as armas utilizadas eram justificadas, inclusive a tortura.

No final do governo Medici, a guerrilha já estava praticamente extinta, tanto nas cidades, quanto no campo.