Resumo da República Velha: A sucessão de Prudente de Morais


Prudente de Morais sofreu um atentado durante a realização de uma cerimônia de recepção das tropas que saíram vitoriosas na Guerra de Canudos. Este atentado aconteceu no dia 5 de novembro do ano de 1897 e teve como líder o soldado Marcelino Bispo e fez com que Prudente de Morais declarasse estado de sítio. Apesar de desconfiar de estar havendo uma conspiração florianista, nada de concreto foi provado. Prudente então começou uma perseguição violenta policial aos inimigos de seu regime. Dessa maneira, as oligarquias conseguiram garantir a concretização de seu projeto hegemônico.

O florianismo era na época, a principal força da sociedade brasileira e do exército, sendo capaz de oferecer um projeto alternativo ao oligárquico, quando começou a se esfacelar. Por causa dos fracassos sucessivos nos confrontos da Guerra de Canudos, a própria oposição política do exército começou a se abalar. O momento agora passava a ser marcado por um retorno aos quartéis.

Resumo da República Velha

Campos Sales, que assumiu o poder logo depois de Prudente de Morais, um cafeicultor paulista, marcou o início de um domínio oligárquico incontestável na política brasileira.

O apogeu da ordem oligárquica (1898 – 1914)

O domínio da oligarquia, vinha se estruturando desde o final do período colonial, por meio do exercício do poder por parte da elite agrária do Brasil. Mas, o exercício desse poder, muitas vezes, se fazia de forma indireta, como durante a época da monarquia. Nessa época, a burocracia imperial decorria totalmente dependente e era centralizada politicamente, o que acabava impedindo que os latifundiários exercessem pleno domínio sobre os mecanismos políticos. Por sua vez, a vasta burocracia do império recrutava em meio às elites, que eram na maioria das vezes decadentes e tradicionais do ponto de vista econômico, como a elite nordestina, agarrando-se aos seus cargos como uma forma de evitar a queda total.

Quando a lavoura de café passou a se expandir, a situação tornou-se incontrolável. Rumo ao Oeste Paulista, a nova forma de riqueza econômica do nosso país, fez com que os antigos mecanismos políticos do império passassem a ser questionados, graças também a formação de uma nova aristocracia cafeeira, que já era menos dependente da escravidão. Daí o advento da República.

Este novo tipo de regime foi possível depois de um golpe do exército. Por esse motivo, os militares permaneceram por alguns anos no topo do poder, e só foram afastados do centro do cenário político durante o governo do Presidente Prudente de Morais. Devemos tratar esse governo de forma separada, já que teve um caráter inaugural e transitório. Os demais governos desse período foram: Campos Sales (1898 – 1902), Rodrigues Alves (1902 – 1906), Afonso Pena (1906 – 1909), Nilo Peçanha (1909 – 1910) e Hermes da Fonseca (1910 – 1914).

A partir desse momento, as oligarquias começaram a exercer o poder de maneira direta, e sem intermediações de outrora, principalmente por meio dos fazendeiros de café, considerados o setor mais avançado. Entretanto, foi exatamente nessa época que a crise do café se iniciou, com a constante dos preços e a queda brutal do produto no cenário e mercado do mundo.

Nesse contexto, a oligarquia cafeeira passou a assumir completamente o controle político do país. Estavam sendo corroídas suas bases. Dessa forma, os cafeicultores fizeram de tudo para evitar a decadência econômica, inclusive utilizando recursos maciços dos Estados, uma característica marcante desse período.

Por volta do ano de 1900, a queda nos preços do café correspondia a cerca de 50% do valor das exportações brasileiras, o que acabou por abalar fortemente a economia do Brasil no mercado internacional.

Um dos efeitos dessa crise causada pela queda dos preços era a impossibilidade de pagamento da dívida externa, que vinha crescente desde a independência do Brasil. Agora, mais uma vez, privados de acesso à moeda estrangeiro, era decrescente o valor das exportações. Então, não havia como cumprir nossas obrigações com os bancos credores. Além disso, nos primeiros anos do Brasil República, a emissão de papel moeda foi excessiva, cenário que foi agravado pelos déficits crônicos na receita governamental, o que acabar impulsionando a inflação.

Eleito como novo presidente da República, Campos Sales, no ano de 1898, partiu em direção a Europa, com o objetivo de que se estabelecesse conversações com os bancos credores e negociar uma saída para a dívida externa. Em junho do mesmo ano, ele acertou entre o governo do país e os bancos credores, um acordo que ficou conhecido como funding-loan, que entre outras coisas, estabelecia:

· Empréstimo para pagamento dos juros da dívida externa brasileira nos três anos seguintes;

· Concessão de um prazo de dez anos, além dos três iniciais, para que se iniciasse o pagamento da nova dívida;

· A penhora de toda a receita da alfandega do Rio de Janeiro, e em caso de necessidade, outras alfandegas, das receitas da estrada de ferro Central do Brasil e até do serviço de abastecimento de água do Rio de Janeiro;

· A obrigação assumida perante os bancos de sanear a moeda brasileira, isto é, fortalece-la pelo combate à inflação, com o objetivo de estabilizar a economia do país.