Resumo da República Velha: Mecanismos políticos do poder oligárquico


Para se eleger os senadores e os deputados, considerados fieis, todos os meios eram válidos, inclusive a fraude eleitoral. Por outro lado, o presidente não faria nos estados, intervenções, viabilizando a eternização no poder de certos grupos oligárquicos locais, que as vezes, eram representados por famílias. Esses grupos aproveitavam-se da fraude realizada em benefício do presidente da República e também em benefício próprio.

A instalação da Comissão Verificadora de Poderes foi outro mecanismo utilizado a fim de garantir o apoio das bancadas estaduais no Congresso Nacional, que funcionava da seguinte forma: se apesar da evidente fraude eleitoral, fosse eleito para o Congresso um deputado de oposição, esta simplesmente não seria empossado e diplomado. A Comissão Verificadora de Poderes encarregava-se de acabar com a oposição, ou conforme o jargão político utilizado na época, degolar a oposição.

Mecanismos políticos do poder oligárquico

Na República Velha, todo o sistema político estava fundado na fraude, mesmo porque o voto não era secreto, o que permitia a sua manipulação. A prática da fraude eleitoral e da manipulação em geral dos votos, ficava a cargo dos coronéis. Detentores de poder econômico, uma vez que controlavam a lavoura para a exportação, tinham também prestígio social e poder político nas suas localidades. Exerciam uma forma de clientelismo, que estabelecia entre a camada da população mais humilde, forte influência.

O desinteresse do estado e a inexistência de serviços públicos à disposição das populações mais pobres, abriram caminho para o exercício do poder dos coronéis. Eles tomavam setores da população sob sua proteção e, em troca, exigiam obediência total.

Toda essa situação por exemplo, se manifestava na realização das eleições, quando utilizando-se de acordos interessantes para o momento, cada coronel controlava um curral eleitoral. Esse processo recebe o nome de voto de cabresto, já que não era raro que os coronéis, a fim de convencer o eleitorado a votar num candidato seu, recorresse à violência.

Em seguida, ao conseguir um número bom de votos, o coronel passava a negociar esses votos com o governador, em troca é claro, de benefícios. Assim, fraudando os votos, elegiam-se governadores que chegavam até a presidência da República, sendo canalizado para o candidato paulista ou mineiro.

O governo de Hermes da Fonseca (1910 – 1914)

Em 1909, depois da morte de Afonso Pena, o vice-presidente Nilo Peçanha assumiu o poder, completando o mandato do titular até o ano seguinte. O marechal Hermes da Fonseca já vinha articulando sua candidatura à presidência há algum tempo e, no processo, acabou por seduzir o Partido Republicano Mineiro. Os paulistas, que ainda mantinham a lembrança dos primeiros anos da República viva e assim, acabavam rejeitando um novo governo militar, rompendo assim com Minas Gerais em busca de um candidato próprio.

Nesse contexto, além de contar com o apoio dos mineiros, Hermes da Fonseca logo ganhou a simpatia do então presidente, Nilo Peçanha. Mas, o grande destaque foi o apoio que conseguiu do senador gaúcho Pinheiro Machado. Por sua vez, o Rio Grande do Sul, um estado de grande peso eleitoral dentro da federação e de grande importância na economia, vinha buscando uma participação maior na área política. Com a criação do bloco parlamentar, chamado de pinheirista, Pinheiro Machado conseguiu esse intento, reunindo as bancadas dos estados pequenos.

Hermes da Fonseca, estava isolado pela tomada de posição de Nilo Peçanha e de Pinheiro Machado, conseguiu também o apoio do famoso intelectual baiano Rui Barbosa, que ofereceu a Hermes a candidatura de presidente numa chapa opositora. Assim, conquistou o apoio da oligarquia baiana, bem como os eleitores urbanos de todo o país.

Rui Barbosa lançou a Campanha Civilista, através de recursos paulistas, o que caracterizou a primeira campanha presidencial moderna que foi realizada no Brasil, em que o candidato percorria o país, fazendo discursos, comícios, com o objetivo de atrair o eleitorado. Apesar da campanha, a máquina coronelística deu a vitória ao candidato da situação, Hermes da Fonseca.

Diferentemente de Floriano Peixoto e de Deodoro da Fonseca, que defendiam a modernização do país, Hermes da Fonseca governou o Brasil de forma conservadora do ponto de vista econômico, permanecendo junto aos planos de valorização do café. Porém, no setor político, uma sistemática de intervenção foi realizada nos estados, o que acabou promovendo a substituição de grupos da oligarquia por outros. Esse processo recebeu o nome de Política das Salvações.

Essas salvações foram realizadas com sucesso nos estados de Pernambuco, da Bahia e de Alagoas, mas no Piauí, na Paraíba e no Rio Grande do Sul, a situação foi diferente, já que fracassaram. No Ceará, o coronel do exército Franco Rabelo candidatou-se em 1912, ao cargo de governador. Durante a realização da campanha, o governador Nogueira Acioli, pinheirista, desencadeou uma perseguição violenta aos seus adversários políticos, utilizando-se também de força policial. Com a pressão, acabou renunciando ao cargo, fato que abriu caminho para que Franco Rabelo conquistasse a vitória.