Guerra de Troia


Existem duas versões sobre a guerra: a primeira, mitológica, refere-se à uma disputa amorosa; a segunda, especulada por historiadores, aborda o embate como uma questão comercial em busca de melhores rotas de navegação.

Mitologia

Retratada nas obras Ilíada e Odisseia, ambas do poeta grego Homero, que viveu aproximadamente de 850 a.C., o conflito teria sido gerado em uma festa que contava com a presença de todos os deuses gregos, exceto Éris, a deusa da discórdia.

Troia

Rancorosa por não ter sido convidada, Éris ofereceu uma maçã de ouro de presente à mulher mais bonita da festa. A oferta gerou uma disputa entre todas as deusas. Para solucionar a questão, Zeus, o rei dos deuses, determinou que o príncipe Paris, filho do rei de Troia, escolhesse a vencedora.

Afrodite, deusa do amor, queria muito ser eleita e, para isso, ofereceu a Paris o direito de ficar com a mulher mais bonita entre os mortais: Helena, esposa do rei Menelau, de Esparta. O príncipe troiano aceitou a oferta.

Paris seduziu e raptou Helena com ajuda de Afrodite, que a infeitiçou para apaixonar-se pelo príncipe, causando a ira dos espartanos. Menelau uniu seu exército e conseguiu o apoio de outras cidades-estado para invadir Troia e resgatar sua amada.

Ao chegar em Troia, foram impedidos de entrar na cidade pela gigantesca muralha que a protegia e pela habilidade dos arqueiros que defendiam o território. O exército grego foi obrigado a recuar e montar acampanhamento na praia.

A guerra se prolongou por 10 anos, até que o grego Odisseu arquitetou um plano para por fim ao combate. Construíram uma monumental estátua de cavalo em madeira e esconderam os navios para simular que haviam recuado. Parte do exército se escondeu dentro do cavalo, que foi posto em frente aos portões da fortaleza troiana.

O povo de Troia pensou ter vencido a guerra e que o cavalo era um presente dos deuses. Levaram o monumento para dentro da fortaleza e comemoraram por um dia inteiro com muita festa e bebedeira. Foram atacados à noite, enquanto descansavam.

Os gregos aguardaram até que todos os troianos se recolhessem para sair de dentro do cavalo e abrir os portões para a entrada do todo seu exército. Houve um verdadeiro massacre. A essa altura, Paris já havia morrido e Helena se casara com Dêifobo, morto durante a invasão pelo rei espartano. Menelau, que havia jurado matar Helena pela traição, não resistiu ao amor que sentia e voltou com a bela para Esparta.

Versão Histórica

Especialistas acreditam que a mitologia fora baseada em uma série de conflitos militares que existiram entre 3 mil a.C e 1.000 a.C., preíodo conhecido como Idade do Bronze. Ao invés de amor, a real disputa seria pela estatégica passagem marítima Estreito de Dardanelos, que ligava o Mar Negro ao Mar de Egeo, relevante rota comercial da época. Além de espartanos, o embate teria mobilizado outras cidades-estado gregas.

Apesar de alguns escritos e achados arqueológicos, não existe nenhum fato que efetivamente comprove a existência da Guerra de Troia.

Acredita-se que Troia existiu no território correspondente à Turquia. Até o século XIX, a história era tida apenas como mitológica, mas, em 1871, foram encontradas relíquias de nove cidades em colinas turcas. Uma delas indicava ter sido cercada por fortalezas e destruída em 1250 a.C.

Curiosidades sobre a Guerra de Troia

A expressão “presente de grego”, em referência a presentes ruins, é uma alusão ao cavalo de Troia.

Os gregos teriam chegado à Troia pelo mar Egeu com mil navios e o local da batalha seria na divisa entre os continentes europeu e asiático.

No período, a Grécia não era um país unificado; era formado por cidades-estado, autônomas e que viviam se hostilizando. No entanto, se uniam para defender interesses em comum, como foi o caso da guerra. Esparta, Atenas e Argos são as de maior destaque na batalha.

De acordo com os escritos de Homero,os exércitos enfrentavam-se em locais abertos e as armas utilizadas eram lanças, flechas, machados e espadas. As lanças eram as mais ofencivas, com mais de cinco metros de comprimento, podiam ser arremeçadas a longa distância. Os escudos e espadas eram de bronze.

De acordo com os poemas de Homero, os troianos tiveram ajuda na guerra das amazonas, lendárias mulheres guerreiras.

Além das obras de Homero, a mitológica guerra inspirou outros autores, como o poeta romano Virgílio, autor de Eneida (século I a.C.), que narra a história de um príncipe troiano que teria escapado do massacre e fundado a cidade de Roma e o irlandês James Joyce, autor de Ulisses no início do século XX, um dos grandes heróis gregos.