Razão iluminista


Ao longo da história, pode-se dizer que o homem foi evoluindo em alguns aspectos, como, por exemplo, a forma de se organizar em sociedade e de pensar sobre ela. O raciocínio que marca cada época é diferente, porque varia de acordo com o contexto em que se vivia. Por exemplo: durante a pré-história, a forma de pensar era orientada para a manutenção da sobrevivência. Na Idade Média, o pensamento estava muito vinculado à religiosidade, porque a Igreja Católica era a instituição dominante.

E, quando estudamos a humanidade sob essa perspectiva, um dos seus momentos mais importantes foi o Iluminismo, também conhecido como Século das Luzes. A Razão Iluminista foi o que mais se destacou, e você verá agora o porquê.

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Iluminismo – contexto

Quando falamos em Iluminismo, nos referimos a um grande movimento intelectual com influências na política, filosofia, economia e sociedade de modo geral, ocorrido na Europa no século XVIII. O grande centro de pensadores e ideias iluministas foi a capital francesa, Paris.

Relembrando o contexto político e social da época, sabemos que, do século XVI ao XVIII, vigoraram os Sistemas Absolutistas, em que o rei centralizava todo o poder, tomava todas as decisões e tinha total liberdade para prender e até matar quem se opusesse a ele. Antes disso, durante a Idade Média, sabemos que a Igreja Católica era a instituição mais poderosa, que condicionava a forma como a maioria das pessoas pensava, agiam e viviam.

O Iluminismo representa uma reação de oposição a tudo isso. Os pensadores desse movimento se manifestaram contrariamente às influências culturais da Igreja Católica, às estruturas feudais e à supremacia do monarca. Eles pregavam o uso da razão como melhor caminho para atingir a liberdade.

A palavra Iluminismo foi escolhida para representar a oposição em relação à Idade Média, que ficou conhecida como “Idade das Trevas”, já que as produções científicas e até culturais eram muito barradas, especialmente pela Igreja Católica.

O Século das Luzes ficou marcado pela ruptura com o pensamento condicionado pelas máximas religiosas. Os iluministas iam contra a tendência de explicar tudo o que acontecia dizendo simplesmente que era obra de Deus. Incentivavam o progresso científico, o pensamento filosófico, a evolução.

A Razão Iluminista

Era uma razão pautada no puro racionalismo, ou seja, os iluministas formavam suas ideias e reflexões a partir da observação da realidade da sociedade em que viviam. Foi assim que começaram a pensar sobre as desigualdades sociais, por exemplo, já que enquanto os nobres tinham uma vida luxuosa, os trabalhadores viviam em péssimas condições.

Os iluministas não estavam focados apenas na observação da sociedade, mas também de fenômenos naturais, na composição das substâncias, tentando achar explicações lógicas e, novamente, racionais para tudo isso. Começaram a avaliar o sistema de governo vigente (Absolutismo), retomando questões que já eram levantas por filósofos da Grécia Antiga, como Platão e Aristóteles.

Os pensadores defendiam que todos tivessem acesso às escolas e ao conhecimento racional de modo geral, porque era ele, e não as ideologias religiosas, que poderia libertar o ser humanos das suas ignorâncias e dos seus medos.

E para organizar e sistematizar todas essas ideias, foi criada a Enciclopédia, entre os anos de 1751 e 1780, e consistia em uma obra formada por 35 volumes que registravam os pensamentos desenvolvidos até então. Digamos que essa foi uma forma de teorizar uma parte da movimentação ocorrida no Século das Luzes.

É bom ressaltar que a Razão Iluminista não ficou restrita a esse aspecto mais filosófico, de discussões e jogo de ideias. Ela também interferiu na prática, na realidade daquelas sociedades, como, por exemplo, influenciando nas revoluções que derrubaram os monarcas absolutistas. É claro que as desigualdades e injustiças sociais foram o principal combustível para as manifestações populares e burguesas, mas, a partir do momento que o Iluminismo discute isso, raciocina sobre a política e sobre o papel dos governantes, reforça ainda mais a ideia de que é necessário mudar.

Ressaltemos que não eram os pensadores iluministas que iam para a frente de batalha incitando a revolução e morte dos monarcas (como aconteceu na França). O que eles propunham era uma ampla e significativa reforma política, social e econômica.

Foi também por influência iluminista que houve a divisão dos Três Poderes: Executivo, Legislativo e Judiciário. Com isso, o objetivo era que um pudesse vigiar e limitar o outro, para evitar os abusos.

Outra consequência do Iluminismo foi a construção do conceito de Liberalismo Econômico um pouco mais para frente, que propunha que a economia poderia se regular por si mesma, sem a intervenção do governante. Ideia que sofreu uma atualização, mas é empregada em muitos países até hoje, como Neoliberalismo.

Os principais teóricos iluministas, que mais se destacaram, foram os seguintes:

• Montesquieu – obra principal: “O espírito das leis”
• Voltaire – obra principal: “Cartas inglesas”
• Diderot – ajudou na elaboração da Enciclopédia
• D’Alambert – também foi um enciclopedista
• Rousseau – obra principal: “Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens”.