Inglês: Past Perfect


Uma das principais dificuldades que enfrentamos na hora de tentar aprender outra língua se deve ao fato de que as línguas, para além do fato de serem organismos vivos de comunicação, possuíram, ao longo de seu desenvolvimento, diferentes fatores de influência em sua forma de expressar os sentimentos, as ações, os olhares sobre o mundo. É na verbalização dos pensamentos e das sensações que construímos o mundo ao nosso redor. Desse modo, é primordial compreender que as línguas construíram modos diversos entre si de refletir sobre as ações que ainda vão acontecer e sobre aquelas que já aconteceram.

E é justamente sobre as ações que já aconteceram que iremos nos centrar. O “tempo passado” é um tempo verbal que propõe a materialização de um fato que já ocorreu, isto é, cujo arco dramático se instaurou ou teve início em um momento que não é mais aquele que vivemos. Parece Filosofia, não é verdade? Mas é a pura mágica da linguagem. O poder de construí e reconstruir universos para além daquele que unicamente vemos.

Inglês

Mas, se é compreensível que a linguagem atinja tamanho grau de complexidade em seu desenvolvimento, não por acaso é praticamente impossível dizer – como nos tentam fazer acreditar tantos cursos de Inglês por ai – que uma coisa em uma língua equivale exatamente a outra. Deste modo, quando dizemos “cadeira”em português não podemos afirmar categoricamente que “chair”, em inglês, seja exatamente a mesma coisa. Pelo contrário: ambas as palavras são expressões diversas que espelham maneiras igualmente diversas de compreender o uso, o formato, a cor, o volume, enfim, todas as características apresentadas por esse objeto comum às salas de estar e jantar, cuja função primordial é oferecer um assento e um encosto ao corpo que quer descansar em uma posição sentada.

Diante dessas percepções todas, a primeira coisa que precisamos ter em vista na hora de compreender do que se trata esse tempo verbal tão temido pelos estudantes da língua inglesa e que atende pelo nome de Past Perfect é que ele não equivale literalmente a nenhum tempo verbal que utilizamos na língua portuguesa. Para os amantes da gramática, ajuda pensar que o Past Perfect cumpre uma função que o nosso Pretérito mais-que-perfeito dá conta de saciar quando esse universo que tentamos construir tem como cenário o Brasil ou qualquer outro país que fala português. Ainda sim, essa comparação talvez só sirva para confundir ainda mais o estudante que se debruça sobre os livros de inglês uma vez que o Pretérito mais-que-perfeito não é exatamente o tempo verbal sobre o qual nós temos mais domínio.

Por conta disso, talvez seja melhor compreender esse tempo verbal de outra maneira. O Past Perfect nada mais é do que um modo empregado na língua inglesa para se referenciar a uma ação que se iniciou em um passado distante, continuou acontecendo e teve seu ocaso, isto é, seu fim, ainda nesse mesmo passado. Em geral, para melhor ilustrar situação tão abstrata, é conveniente pensar que essa ação foi interrompida por uma outra. Uma prestação que começou a ser paga no início do ano, continuou sendo paga até o meio e deixou de ser paga mediante o desemprego de seu dono. Ou ainda, um intercâmbio para um país de língua inglesa como os Estados Unidos, que teve início no inverno, continuou até a primavera e terminou no verão, quando o estudante voltou para o seu país de origem.

Parece complicado? Então vamos observar como isso funciona na prática.

Estrutura

O past perfect obedece a uma estrutura comum que, obviamente, pode variar de acordo com algumas exceções:

Pronome + verbo auxiliar “had” + verbo que designa a ação.

Se o verbo que designa a ação for um verbo regular, basta acrescentar em seu final a partícula “ed”, como se ele fosse um simples verbo no passado. Se, por sua vez, ele for um verbo irregular, é preciso consultar sua composição na “terceira coluna” das conjugações verbais. Vamos observar um exemplo:

– I had loved her until I noticed she was betraying me

– Before I went to Toronto, I had spoken to my brother-in-law only once.

É importante perceber que as ações descritas nas frases acimas ocorreram todas no tempo passado. Ou seja, na primeira frase, se destrincharmos sua estrutura, teremos a seguinte sequência de ações:

– I loved her

E ENTÃO

– I noticed she was betraying me

Na segunda sentença, a mesma coisa:

– I spoke to my brother-in-law only once.

E ENTÃO

– I went to Toronto

Como todo e qualquer tempo verbal no inglês, o Past Perfect pode também ser composto por tensões contínuas e pela negativa, que lhe conferem uma espécie de dificuldade a mais. Mas não é nenhum bicho-de-sete-cabeças. Basta analisar com calma as frases a seguir para que fique claro o momento em que essas pequenas sofisticações se inserem. Observe:

– I had been loving her until I noticed she was betraying me

– I hadn’t been loving her until I noticed she was betraying me. My love was over before that.

– Before I went to Toronto, I had been spoking to my brother-in-law for few times.

– Before I went to Toronto, I hadn’t been spoking to my brother-in-law for few times. It was only one time.