Dígrafos


O assunto sobre o qual iremos falar hoje assombrou, e ainda assombra, muitos “não simpatizantes” da norma culta da língua portuguesa. Vamos discorrer sobre os dígrafos, você sabe o que é isso? Ou melhor, lembra?

Retomando o conceito

Definido como um fenômeno gramatical, dígrafos nada mais são do que “agrupamentos” de letras que irão formar um único fonema, ou seja, um único som. Nessa sequência cada letra acaba por perder a sonoridade individual.

Dígrafos

Pode-se classificar os principais dígrafos como sendo: rr; ss; sc; xc; xs; lh; nh; ch, qu, gu. Vamos a alguns exemplos:

1- A palavra chuva apresenta cinco letras, contudo, apenas quatro fonemas, já que a dupla de consoantes “ch “formam um único som.

2- Missa é formada por cinco letras, porém, apresenta quatro fonemas, já que as consoantes “ss” estão formando um único som.

É importante ressaltar que o “qu” só é considerado dígrafo quando estiver seguido das vogais “e”, ou, “i”. Da mesma forma tal regra se aplica ao encontro das consoantes “gu”, o qual só será considerado dígrafo se estiver seguido das letras “e”, ou, “i”.

Tipos diferentes de dígrafos

Como um estudante que se preze é importante saber que há dígrafos consonantais e vocálicos, portanto dois tipos diferentes.

Dígrafos consonantais

Tal qual o próprio nome o descreve, os dígrafos consonantais são o encontro de duas letras formando um único “som consonantal”. Veja abaixo alguns exemplos:

a) lh: palha; agasalho; espelho; baralho.

b) ch: chuva; chuveiro; machado.

c) nh: ninho; carinho; estranho.

d) rr: morro; torre; torresmo.

e) ss: pêssego; massa; passarinho.

f) qu: maquinário; querosene; aquele.

g) gu: guerra; dengue, guitarra.

h) sc: nascimento; piscina; descida.

i) xc: excelente; excesso; excessivo.

j) xs: exsurgir; exsanguineo; exsicar.

Dígrafos vocálicos

Se o consonantal tem haver com o encontro de duas letras formando um “som consonantal”, logo, os dígrafos vocálicos formam o som “vocálico”.

a) am: campeão; campeonato; ambicioso.

b) em: tempo; lembrar; sempre.

c) im: simbolismo; limpeza; cachimbo.

d) om: sombra; rombo; tombar.

e) um: chumbo; cumprimento; tumba.

f) an: sangue; canto; santo.

g) en: mentir; pentear; pente.

h) in: cinta; linda; finta.

i) on: ponte; fonte; onde.

j) um: fundo; mundo; sunga.

É importante ressaltar que dentro dos dígrafos vocálicos há algumas considerações a serem feitas, entre as quais o “am”, e o, “em”. Diversos especialistas defendem que no final das palavras terminadas em “am”, e, “em” tal encontro de letras não formam dígrafos, mas sim ditongos (ou seja, um encontro vocálico em uma única sílaba, podendo ser semivogal + vogal, formando um ditongo crescente; ou ainda, vogal + semivogal, resultando em um ditongo decrescente).

Alguns exemplos são as palavras também e cantam.

Mais considerações

Lembra quando falamos de algumas exceções como o “gu”, e o, “qu”? Pois bem, há outros dígrafos que também seguem a essa regra, como por exemplo:

– xc: é considerado dígrafo apenas se seguido de “e”, ou, “i”. Agora, se for seguido de “a”, “o”, “u”, “l”, ou, “r” não é considerado dígrafo.

– sc: no caso das vogais “sc” o mesmo acontece. Se seguido de “e”, ou, “i” é considerado dígrafo. Se seguido de “a”, “o”, “u”, “l”, ou, “r” não o é.

– xs: considerado dígrafo apenas quando seguido de vogal, caso seja seguido de consoante não é considerado.

Divisão silábica

Não se pode separar os dígrafos “lh”, “ch”, “nh”, “gu” e “qu”. Portanto, tais letras ficam na mesma sílaba. Por exemplo:

– chuva: chu – va / – maravilhoso: ma – ra – vi – lho – so / quintal: quin – tal / (e assim por diante).

Por outro lado os dígrafos “rr”, “ss”, “sc”, “xs”, “xc” separam-se em sílabas diferentes. Sendo:

– carroça: car – ro – ça / – pássaro: pás – sa – ro / – exceção: ex – ce – ção (e assim por diante).

Encontro consonantal

Como já dito nos tópicos anteriormente mostrados, quando uma consoante se une a outra formando o dígrafo, ela perde sua “particularidade sonora”, afinal a sequência das duas letras formará um único som, ou seja, um fonema.

Mas é bom tomar cuidado, porque além dos dígrafos há outro fenômeno gramatical denominado “encontro consonantal”. Assim como no dígrafo, em um encontro consonantal duas consoantes se unem, entretanto, cada uma permanece com seu próprio som representando, portanto um fonema diferente cada uma.

Vamos aos exemplos:

– blusa: cinco letras que apresentam cinco fonemas.

– atrasado: oito letras com oito fonemas.

livro: cinco letras, cinco fonemas.

Percebeu a diferença? Apesar de “tr”, “vr” e “bl” estarem juntos é possível ouvir o som de cada uma das letras separadamente, algo que não é possível nos dígrafos.

Dessa forma terminamos mais um artigo. Esperamos poder ter lhe ajudado em suas pesquisas e estudos. Agradecemos sua visita e o convidamos a ler outros artigos de nosso site. Certamente você irá encontrar muita informação, até a próxima e bons estudos!