Estratificação Social e Trabalho para Weber e Durkheim


O conceito marxista de classe implica a contradição fundamental entre apenas duas classes. Contudo, em termos históricos concretos, Marx percebeu que seu esquema de três classes (grandes proprietários rurais, burgueses e operários) não correspondia perfeitamente às realidades sociais da Europa de sua época. Assim, ele falou em frações da grande burguesia, em setores da pequena burguesia, na classe dos pequenos proprietários, etc. Ele diferenciou ainda a classe camponesa (rural) da classe operária (urbana). O fundamental, contudo, era que esses grupos acabariam por se definir em relação à posição que ocupavam no modo de produção capitalista: compradores ou vendedores de força de trabalho.

Max Weber (Alemanha, 1864-1920)

Em vista da posição em que se situavam em relação ao mercado – se vendedores ou compradores de bens, serviços ou força de trabalho – os indivíduos poderiam se constituir em uma ou outra classe. Weber chamou isso de “situação de classe”, ou seja, uma situação que dependeria da posição (comprador ou vendedor) momentaneamente ocupada. Sendo variável, a posição ocupada na estrutura produtiva não poderia ser o único fator de estratificação social, nem mesmo estar na origem das revoltas políticas que levariam ao fim do capitalismo, como vimos em Marx.

Estratificação Social e Trabalho

A Sociologia de Weber possibilitou estudar o fenômeno da estratificação social por meio de perspectivas diversas. Além disso, sua Sociologia, chamada de compreensiva, procurou relacionar as diferentes esferas da vida social – política, econômica e social ou cultural – afirmando que são todas importantes na determinação da posição do indivíduo na sociedade.

A preocupação em determinar a posição e o papel do indivíduo na sociedade está presente também em Émile Durkheim. Émile Durkheim (França, 1858-1917).

Analisando as sociedades modernas europeias, afirmou que as antigas formas de estratifica­ção social (como as hordas ou os clãs familiares) seriam substituídas pelos grupos profissionais originários da divisão do trabalho ou por grupos políticos e de funcionários públicos oriundos da consolidação de espaços específicos, corno a sociedade política.

No primeiro dos quatro grandes livros que publicou em vida1, A divisão do trabalho social (1893), Durkheim afirmou que a divisão e a especialização do trabalho eram uma tendência inevitável no desenvolvimento das sociedades modernas. Além desse, outros fatores de estra­tificação social seriam: o crescimento populacional, a urbanização, o incremento das redes de comunicação e o aumento da densidade das relações sociais.

A divisão do trabalho tenderia a assegurar o exercício da liberdade individual porque permitiria que cada um seguisse sua vocação ou desejo profissional. Para que a realização das vocações pessoais, anunciada pela especialização cada vez maior do trabalho, não entrasse em conflito com a necessidade de manter a sociedade unida e coesa, era necessário que se estabelecessem regras e normas claras que eliminassem o “estado de anomia (ver Conceito sociológico no final dessa unidade) jurídica e moral em que atualmente se encontra a vida econômica”.

Uma vez regulamentadas as tarefas e estabelecidas regras e normas entre empregados e patrões, a divisão evitaria a Luta de classes prevista por Marx. Além disso, aproximaria os indivíduos, porque os faria dependentes uns dos outros. A esse processo, Durkheim chamou de solidariedade orgânica e a concebeu como uma consequência social da divisão do trabalho. Resumindo, em vez de se ater ao impacto da divisão sobre a produtividade do trabalho ou sobre os conflitos entre as classes, Durkheim estudou seus benefícios e sua capacidade de garantir solidariedade entre cada um dos grupamentos profissionais ou classes.

Nos três clássicos, um fato é comum. Com o fim do feudalismo, uma nova estrutura de classes se constituiu, Marx acreditava que as novas clas­ses seriam antagônicas porque sua relação estava pautada na exploração de uma sobre a outra. Já Weber negou a centralidade do fator econômico na determinação do comportamento dos indi­víduos e só em algumas situações específicas previu a “luta de classes”, enquanto Durkheim vislumbrou o surgimento de uma solidariedade entre elas.

Todos concordam, porém, que a figura do cida­dão livre surgiu em uma nova forma de organização social, mais dinâmica e propícia a produzir novas identidades e também novos conflitos.