Resumo da Idade Moderna: O Absolutismo – Pensadores teóricos

História,

Resumo da Idade Moderna: O Absolutismo – Pensadores teóricos

No século XVII, o processo de formação e também de consolidação dos estados absolutistas, os governantes estavam sempre dispostos a agir em nome do fortalecimento do estado, ou seja, em razão dele o que significava restringir as liberdades individuais e praticar o autoritarismo.

Desde o fim da Idade Média, o processo de formação das monarquias centralizadas, acabou acontecendo por causa da aproximação entre a burguesia e os monarcas, que estavam buscando superar os problemas econômicos e políticos que eram derivados das estruturas do feudo. No entanto, uma vez no poder, o monarca também buscava manter relações com a nobreza, o que lhe garantia alguns privilégios, mas em troca de apoio na política.

Resumo da Idade Moderna

Desde o momento em que os estados centralizados foram formados, os reis procuraram colocar em seus governos um caráter autoritarista, o que acabou por afastá-los da burguesia. Desde o início do período como Idade Moderna, os teóricos clamavam pela necessidade de estados fortes, que fossem liderados por reis que tivessem poder absoluto e incontestável, e ainda, livres das amarras da igreja.

Nicolau Maquiavel foi um dos grandes primeiros pensadores que passou a justificar o poder absoluto dos reis. Maquiavel ainda criticava a fragmentação política, defendia a restauração da unidade italiana e criticava duramente a rivalidade entre suas diversas repúblicas. Sua principal obra foi O Príncipe, onde defendia a separação entre a política e a moral, que até então eram vistas como esferas inconciliáveis.

Nicolau Maquiavel também é o autor da famosa frase ‘os fins justificam os meios’, o que significava dizer que o estado estava autorizado a usar qualquer método se fosse para atingir seus objetivos na busca da supremacia do príncipe e da indiscutível autoridade do estado.

Outro grande pensador teórico do absolutismo foi Thomas Hobbes, autor de Leviatã, e por causa dela é considerado o principal teórico desse período. Hobbes defende que um estado absoluto represente a superação do ‘estado de natureza’. Mas, por conta do egoísmo intrínseco ao homem, a sociedade apresentava uma tendência ao caos e à desarticulação, já que estava sempre disposto a se destruir em busca de satisfazer seus interesses. Tratava-se então, da guerra de todos contra todos, já que o ‘homem era o lobo do homem’.

Dotados de razão, os seres humanos buscariam superar esse estado de natureza original, formando a sociedade civil e estabelecendo um contrato, na qual os homens cederiam seus direitos a um soberano. Renunciar-se-ia à liberdade, em nome da própria sobrevivência da sociedade.

Outro grande teólogo desse período foi o bispo Jacques-Bénigne Bossuet, autor de Política retirada da Sagrada Escritura, onde defendia a existência da proximidade total do poder do rei em relação a Deus, justificando a legitimação e o fundamento do poder real como direito divino.

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O absolutismo francês

Foi na França que o absolutismo vigente na Idade Moderna conheceu o seu apogeu, com um contexto marcado por diversas disputas religiosas. No governo de Carlos IX, as lutas se intensificaram e envolveram a nobreza católica e a burguesia calvinista, também conhecidos como huguenote. O auge desses confrontos foi na noite de 24 de agosto do ano de 1572, que ficou conhecida como noite de São Bartolomeu, quando milhares de protestantes acabaram sendo massacrados em Paris.

O conflito só foi pacificado no governo de Henrique IV, que através do Edito de Nantes decretou a liberdade de culto aos protestantes. Luís XIII, seu sucessor, delegou o poder ao cardeal Richelieu, que procurou transformar a França em uma potência continental na Europa, já que maiores domínios significavam maiores poderes e recursos, o que acabou por envolver o país em uma violenta guerra contra a dinastia de Habsburgo.

Os membros dessa família visavam se transformar na família hegemônica da Europa. A França, enfrentou os Habsburgo, com o objetivo de fortalecer-se e de defender os protestantes, dando início à Guerra dos Trinta Anos. Com a vitória da França, abriu-se caminho para o apogeu do absolutismo no país.

O governo de Luís XIV foi caracterizado como o ponto culminante do absolutismo francês, concentrando todo o poder em suas mãos e dando um significado prático para a sua frase ‘ o estado sou eu’. Colbert, seu ministro, acabou por lançar as bases do mercantilismo francês, promovendo a navegação marítima em busca de colônias e manufaturas, estimulando a burguesia.

Além disso, Luís XIV promoveu a construção do luxuoso Palácio de Versalhes, e transferiu para lá grande parte da nobreza existente no país, aproximadamente 6 mil pessoas, cobrindo-os de privilégios.

Mas, ao mesmo tempo em que o absolutismo promovia a expansão dos negócios manufatureiros e mercantis, impedia que a burguesia ocupasse qualquer posição política. Por isso, é correto dizer que ao mesmo tempo de seu apogeu, o absolutismo significou o auge de suas contradições.

Os reis que sucederam Luís XIV, presenciam o início do declínio da França e ainda a ascensão da Inglaterra como uma potência europeia. O envolvimento em diversas guerras e os gastos excessivos da Corte acabaram comprometendo as finanças do estado e a ameaçar a manutenção do próprio regime.