Resumo John Locke


O filósofo e ideólogo do liberalismo John Locke foi um dos principais teóricos do empirismo inglês, do qual é considerado fundador.

Resumo John Locke

Grande defensor da liberdade e da tolerância religiosa já no século XVII, como filósofo defendeu que o homem nasce com a mente limpa e vai preenchendo-a com a experiência da vida. Essa teoria é oposta à de Platão, que afirmava que a mente humana é construída pela forma como visualiza sua rotina.

Biografia de John Locke

John Locke nasceu em 29 de agosto de 1632, na cidade de Wrington, e viveu até outubro de 1704, aos 72 anos. Na Universidade de Oxford estudou medicina, ciências naturais e filosofia, na qual leu sobre Bacon e Descartes, que expandiram ainda mais sua mente. Também foi professor dessa universidade e é considerado um dos mais importantes filósofos ingleses, além de ter criado a teoria do empirismo e de ser um dos ideólogos do liberalismo e do iluminismo.

Em 1683 precisou fugir para a Holanda ao ser acusado de traição pelo Rei Carlos II. Só retornou à Inglaterra com a coroação de William de Orange, em 1688 e a natural mudança de governo, com a volta do protestantismo, o qual apoiava. Nesse período foi nomeado Ministro do Comércio, onde ficou por apenas um ano, se retirando devido a uma doença.

Sua vida foi voltada ao pensamento político e o desenvolvimento intelectual. Suas primeiras obras foram publicadas entre 1689 e 1690 como Cartas Sobre a Tolerância, Ensaio Sobre o Entendimento Humano, e Dois Tratados Sobre o Governo.

Locke nunca se casou e nem teve filhos. Seus restos mortais estão no Cemitério de All Saints Churchyard, na Inglaterra.

O Empirismo

John Locke é considerado figura emblemática na criação do empirismo. Nessa teoria, Locke apresenta a ideia de que todo ser humano pode ser manipulado e moldado de acordo com o ambiente, a convivência e a experiência adquirida.

O empirismo é um movimento filosófico caracterizado pelo conhecimento científico, que determina que a sabedoria é conquistada quando há percepção das coisas ao redor, independentemente de saber seus significados.

A teoria se opõe ao racionalismo, que é o conhecimento a partir das ciências exatas, e critica a metafísica com conceitos como causa e substância. Segundo o empirismo, aprende-se através da experiência, tentativa e erro.

Baseado nessa filosofia, Locke acreditava que a crença da tabula rasa poderia ser útil até os dias de hoje. Ele também não reconhecia o conhecimento universal como inato.

Obras e Filosofia

John Locke tinha uma visão de identidade muito peculiar. Em seu ensaio Identidade e Diversidade, Locke expõe a organização funcional ao qual o indivíduo se agrupa para sobreviver. Da mesma forma que separa o homem da pessoa, auxiliando o conceito de reencarnação dos mortos, ele discorda dos textos bíblicos que afirmam que teremos o mesmo corpo nas outras ressurreições. Em resumo, Locke alega que a mesma alma não é necessária e nem suficiente para a identidade pessoal no tempo.

Os intelectuais estudiosos da obra de John Locke afirmam que sua convicção política provém da sua visão religiosa, iniciada no calvinismo trinitariano e em reflexões sobre a crença na preexistência de Cristo.

Em Ensaio Acerca do Entendimento Humano, desenvolve sua teoria sobre o conhecimento, desde sua origem até características. Locke afirma a necessidade do Estado, do contrato social e de outras bases de acordo entre os indivíduos.

John Locke afirmava que na relação Estado e Natureza, os homens não eram bárbaros ou primitivos, mas que quando há reconhecimento da condição livre do homem e de sua igualdade, a vida é pacífica.

Também criticava a teoria do direito divino do absolutismo, então criada por Jacques Bossuet. Locke afirmava que a soberania nada tem a ver com o Estado e sim com a população, cujas leis naturais e civis devem ser respeitadas.

Defendia a divisão de poder entre Executivo, Legislativo e Judiciário, seguindo a filosofia de Montesquieu. Porém, contra a ideia inicial de que os poderes devem ter o mesmo equilíbrio, John Locke acreditava que o Legislativo era o mais importante por vir do povo, enquanto os outros deveriam ser subordinados a ele, atendendo suas solicitações.

Outro ponto polêmico para a época era sua defesa da separação da Igreja do Estado, promovendo a liberdade religiosa. Por conta disso, sofreu forte oposição e crítica da Igreja Católica.

Curiosamente, apesar de defender a liberdade dos homens Locke foi defensor da escravidão, não a relacionando à raça, mas afirmando que os perdedores de guerras ou batalhas deveriam se subordinar aos vencedores.

As principais obras de John Locke foram Cartas Sobre a Tolerância, Dois Tratados Sobre o Governo, Ensaio Acerca do Entendimento Humano, e Pensamentos Sobre a Educação. Entre suas frases mais célebres estão “As ações dos seres humanos são as melhores intérpretes de seus pensamentos” e “Não se revolta um povo inteiro a não ser que a opressão seja geral”.