Biologia Marinha


A Biologia Marinha é a área de estudo de todos os seres vivos marítimos, bem como de seu ambiente e sua relação entre si e com o ecossistema. Biólogos marinhos são pessoas que se especializaram dentro das ciências biológicas e tratam de organismos e animais das mais diversas espécies vivendo embaixo d’água.
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Atualmente a área de atuação para esses profissionais está em expansão, especialmente pelas mudanças climáticas globais das últimas décadas. O impacto dos oceanos e seus moradores na vida humana é enorme, incluindo em questões de recursos (desde alimentares até de compostos farmacêuticos ou combustíveis) ou da qualidade do ar. No Brasil, quem mais contribui para o desenvolvimento da área é a Associação Brasileira de Biologia Marinha (ABBM).

O que é estudado

Os oceanos cobrem cerca de 70% da superfície do planeta. O ser humano ainda está bem longe de descobrir tudo que existe no fundo do mar; na realidade, a humanidade sabe mais sobre o espaço do que sobre seus próprios mares. Na Biologia Marinha, há o estudo aprofundado do que está por lá.

Os profissionais dessa área focam sua pesquisa em animais que vivem em águas salinas (com sal); ou seja, em oceanos, áreas costeiras ou estuários (embocadura de rio). Como há uma infinita variedade de organismos, há também muitos campos que acabaram se tornando subáreas de estudo de cada tipo de ser marítimo existente. As principais são:

Microbiologia Marinha
Aqui são estudados protozoários, bactérias, pequenas algas e outros organismos microscópicos. Eles têm um impacto gigantesco na produtividade dos oceanos, já que são parte crítica dos processos biológicos que acontecem em toda o ecossistema marítimo.

• Ecologia Marinha
Neste caso, não há apenas uma análise dos organismos marinhos, mas principalmente da relação deles uns com os outros, e com o ambiente ao seu redor. É um domínio importante para que se descubra como causar o menor impacto ambiental possível, além de entender como os seres agem com e sem interferências.

• Etologia Marinha
Enquanto a ecologia tem a ver com a relação dos animais com o ecossistema, a etologia se volta para o estudo sobre o comportamento dos próprios animais. Trata-se de algo interdisciplinar, que une psicologia, fisiologia e ecologia. Também é fundamental a influência da Teoria da Evolução, já que o aspecto evolutivo é levado em consideração durante os estudos.

• Aquicultura
O foco nesta área é o tratamento do ambiente aquático em que são criados peixes, mariscos ou outros tipos de animais que podem servir para o consumo humano. São criados recursos pesqueiros sustentáveis, para que a criação e utilização dos peixes seja responsável e saudável.

Há ainda muitas outras subáreas que tratam dos mais diversos sistemas encontrados no mar, cada uma servindo a um propósito e ajudando as outras a formarem um quadro geral da vida marinha na Terra.

Como é feito o estudo

Para conseguir os dados necessários dos animais e organismos, biólogos marinhos possuem algumas técnicas de observação. Por exemplo, costumam ser utilizados redes de arrasto para capturar peixes e redes manuais ou cilindros para a captura de seres microscópicos como o plâncton. Em seguida, as amostras coletadas podem seguir para laboratório para melhores investigações.

Mergulhadores profissionais também fazem parte de alguns processos, especialmente para o reconhecimento da flora, mas também para a própria fauna. Eles podem ser os próprios biólogos ou não, e costumam possuir equipamentos para gravação embaixo d’água.

Recentemente, também se tornou comum o uso de veículos submarinos operados remotamente (conhecidos em inglês como ROV), que oferecem imagens do fundo mar ao vivo para quem os pilota. Além do uso na Biologia Marinha, estão se tornando bastantes populares para o mercado de petróleo e de gás, devido aos avanços tecnológicos que permitem que eles alcancem grandes profundidades.

Até imagens de satélite podem ser usadas no estudo, já que elas oferecem uma visão panorâmica e facilitam o mapeamento e rastreio de diferentes ambientes marinhos.

Com os dados coletados, os profissionais costumam utilizar do método científico para trabalhar com as novas informações. Ou seja:

• Um padrão é caracterizado, após a observação do mesmo repetidas vezes na natureza;
• Uma hipótese é formulada sobre o que está causando e/ou o que pode alterar o padrão observado;
• A hipótese é testada.

Isso torna todos os estudos feitos mais seguros, já que erros ficam mais difíceis ao utilizar uma técnica que literalmente precisa de um período de observação para funcionar. Dessa forma, os padrões naturais são descobertos sem interferência humana, e o único momento em que os profissionais precisam agir é na hora do teste.

O método científico também colabora para predições, já que os padrões observados tendem a se repetir. Para confirmar se o padrão realmente existe, ou para entender os motivos por trás dele, são realizados os testes da hipótese em ambientes fechados e controlados, próprios para isso.