Febre de Lassa


Você já ouviu falar na febre de lassa? Muito possivelmente, não. Isso porque a doença de origem infecciosa é raríssima e (felizmente) pouco difundida em território brasileiro.

Resumidamente, a febre de lassa é transmitida por meio de animais infectados – especialmente roedores, como ratos, e aranhas. A região em que há maior proliferação desta doença é na África Ocidental. febre-de-lassa

A seguir neste artigo, conheça mais informações sobre a febre de lassa.

Febre de Lassa: o que é, sintomas e prevenção

A febre de lassa é uma doença infecciosa descoberta recentemente – mais especificadamente, no ano de 1969. Ela ganhou este nome em homenagem às duas enfermeiras que faleceram em sua ocorrência no município de Lassa, em território nigeriano.

Nos dias de hoje a manifestação da doença é recorrente apenas em países da região africana Ocidental, como é o caso do Congo, Serra
Leoa, Nigéria e Libéria. Ela acomete uma média de 100 a 300 mil indivíduos todo ano, causando pelo menos 5.000 mortes neste mesmo período.

A febre de lassa é causada por um RNA vírus da família “arenaviridae”. Este, por sua vez, só é transmitido aos humanos quando eles entram em contato com animais contaminados pelo vírus, assim como aranhas, ratos e outros roedores.

Basicamente, a transmissão da doença ocorre de duas formas:

1. Por meio de contato direto com mucosas ou fissuras cutâneas que tenham o material infectado (como é o caso de boca e olhos, por exemplo);

2. Pelo contato direto com animais infectados (seja via digestória ou via respiratória).

Vale lembrar que a contaminação também pode acontecer de humanos para humanos. Neste caso, a transmissão ocorre via contato com fezes, sangue, secreções corporais ou urina.

Já quando em relação aos sintomas, destacamos que eles não costumam aparecer instantaneamente, ou seja, logo após o contato com o RNA vírus. Geralmente, eles surgem entre 7 a 21 dias depois deste contato.

Os sintomas incluem:

• Conjuntivite ocular;
• Faringite;
• Febre (sintoma que costuma ser persistente, ou seja, não passa);
• Tosse e dores gradativas no peito;
• Dor na região lombar das costas;
• Diarreia, vômito ou constipação intestinal;
• Hepatite;
• Fadiga e fraqueza;
• Disfagia;
• Pericardite;
• Taquicardia (aumento de batimentos cardíacos);
• Hipo ou hipertensão (pressão baixa ou alta);
• Déficit auditivo;
• Meningite e/ou encefalite
• Ataques epopléticos.

Basicamente a prevenção da febre de lassa é muito simples: evitar qualquer tipo de contato com animais ou substâncias contaminadas.

Pensando nisso, algumas dicas que podem evitar o contágio são as seguintes:

-> Exterminar ratos ou aranhas que aparecerem na residência;
-> Beber apenas água filtrada;
-> Cozinhar bem cada alimento antes de consumi-los;
-> Se estiver viajando, beba apenas água engarrafada e previamente lacrada;
-> Manter a boa higiene do corpo.

Febre de lassa: diagnóstico e tratamento

Como vimos anteriormente a febre de Lassa é uma doença de sintomas muito variados. Tal característica, somada ao fato de que a doença é ainda recente e rara, faz com que seu diagnóstico possa ser bem complicado.

Sendo assim, o indivíduo que apresentar tais sintomas deve, antes de tudo, informar o seu médico se já esteve na África – principalmente quando a viagem for recente (dentro das últimas três semanas).

Para além de tal informação, o diagnóstico da febre de lassa é realizado por meio de exames de sangue e acompanhamento dos sintomas.

O exame laboratorial ‘ELISA’ é capaz de identificar ainda se há presença de anticorpos IgG e IgM no corpo do indivíduo, assim como o antígeno para a doença.

Outros exames complementares que também podem ser solicitados ao paciente são os exames imuno-histoquímica, cultura e PCR.

• Sobre o tratamento de febre de lassa

A febre de Lassa é uma doença transmissível e rara, motivo pelo qual, quando há um caso da doença, ele deve ser tratado do modo mais isolado possível (evitando a sua proliferação a um número maior de pessoas).

Sendo assim, o tratamento da febre de lassa é sempre realizado em internamento isolado. Só para se ter uma ideia, amigos, familiares e até mesmo profissionais da área de saúde só podem entrar em contato com o paciente infectado utilizando um ‘kit de proteção’, sendo este composto por luvas, aventais, óculos e máscaras.

O tratamento é quase que exclusivamente medicamentoso. O antiviral utilizado é o ribavirina. Quanto antes é iniciado o tratamento do paciente, mais eficaz é o remédio (o que consequentemente leva à cura total mais rápida). O medicamento antiviral costuma ser ministrado via injeções.

Um tratamento auxiliar também costuma ser realizado em indivíduos com a febre de lassa. Seu objetivo é o de acabar com os males provocados pelos sintomas. Geralmente, ele inclui a manutenção de pressão arterial, manutenção de fluídos, balanço eletrolítico, oxigenação e tratamentos de infecções secundárias (como é o caso de meningite, conjuntivite, encefalite e outras).

O paciente deve permanecer internado de modo isolado até que a infecção seja curada completamente, o que inclui a excreção do vírus e o desaparecimento dos sintomas.