Grupos Sanguíneos: Sistema Rh


O fato Rh faz parte de um dos dois conjuntos de antígenos eritrocitários de grande importância médica, estando incluído na Doença Hemolítica do Recém-Nascido e nas reações transfusionais hemolíticas. Sua definição, junto com a dos antígenos que fazem parte do sistema ABO, no processo laboratorial conhecido como tipagem sanguínea, é indispensável antes de toda transfusão sanguínea.

Genética e Bioquímica

Os antígenos do complexo Rh são de origem glicoprotéica de grande versatilidade. Com o progresso dos estudos, o complexo se mostrou na prática, bem mais complicado do que o modelo simples de Rh negativo e Rh positivo. Atualmente, foram identificados mais de 40 antígenos distintos que fazem parte desse complexo.

Grupos Sanguíneos

A existência de diversos acontecimentos de manifestação incompleta, parcial ou fraca dos antígenos, fora a síndrome do Rh Null complica o formação de somente uma teoria, com capacidade de explicar todos os eventos observados. Hoje, duas hipóteses são aceitas para esclarecer o fenômeno do sistema Rh.

A teoria de Fischer-Race afirmou sua explicação através dos pares de alelos autossômicos C, c, D, _ e E, e, ocasionando um grupo de variedades genotípicas a começar do CCDDEE até o cc__ee, condizendo cada variedade genética a uma manifestação antigênica diferente. Essa hipótese nunca foi aceita em unanimidade.

Outra hipótese, de Wiener, também acolhida por certos autores, sugere que cada alelo definiria a formação de um aglutinógeno, que seria um antígeno de conseqüências múltiplas aptas a formar diversos anticorpos diferentes, equivalente a fatores de antígenos. Há, dessa maneira, os fatores Rh0, rh’, rh’’, hr’e hr’’, condizendo, nessa ordem, aos antígenos D, C, E, c e e da hipótese de Fisher-Rice.

A teoria de Fisher-Rice, na prática, é a mais usada, apesar de ser divulgado que nenhuma das duas teorias explica por completo todos os eventos constatados no complexo Rh. Dessa forma, foi feita uma correlação entre as duas, na tentativa de conseguir uma teoria consensual. Assim, as oito associações gênicas de Fisher, sendo cDe, CDe, cDE, CDE, cde, cdE e CdE, equivaleriam aos alelos de Wiener: R0, R1, R2, r, r’, r” e ry.

As associações dos oito haplotipos de Fisher ocasionariam na formação dos diferentes antígenos relacionados ao complexo Rh.

Da perspectiva práticas ambas as teorias são parecidas, sendo a hipótese de Fischer-Rice mais fácil de lembrar. Contudo, nenhuma das teorias esclarece todas as transformações que existem, e outras variedades antigênicas de natureza desconhecida, com as variações Cx, Cw e Ew já foram constatadas.

Diversos outros acontecimentos muito incomuns, porém muito complicados, ocasionam aglutinógenos e antígenos que, ainda nos dias de hoje, instigam a imuno-hematologia.

Fenótipos e Genótipos

Fenótipos Genótipos

R+ RR ou Rr

R- rr

Transfusões do sistema RH

Três circunstancias relatam os acontecimentos achados em quase todos os casos clínicos:

– Os pacientes Rh negativo correspondem a aproximadamente 15% dos receptores; esses pacientes devem obter sangue Rh negativo, e podem transferir para qualquer tipo. Em situações especificas, é julgada admissível a transfusão de sangue Rh negativo ou CDE positivo para essas pessoas. Essa, entretanto, precisa ser evitada.

– Pacientes CDE positivo, Rh negativo totalizam menos de 1 % das pessoas. Devem obter sangue Rh negativo, porém seu sangue é transferido para receptores Rh positivo.

– Os pacientes Rh fraco são igualados aos pacientes Rh positivo, julgando existir somente uma diferença quantitativa na manifestação de seu antígeno. Unidos, totalizam aproximadamente 85% das pessoas. Pode obter sangue de todo tipo, porém doam somente para pacientes Rh positivo ou fraco.

Definição laboratorial dos antígenos do complexo Rh

Não há anticorpos naturais no complexo Rh, sendo os anticorpos existentes somente nas pessoas sensibilizadas por contágio prévio. O contágio pode acontecer por eventos de transfusão conflitantes ou na mulher, por causa da inserção, no sangue da mãe Rh negativo, de hemácias oriundas de um aborto ou gravidez de filho Rh positivo.

Esse episódio tem duas suposições importantes:

– Qualquer mulher de Rh negativo grávida de um filho homem de Rh positivo precisa tomar medidas especificas para prevenir privar-se de ser sensibilizada.

– Não existe, na definição laboratorial dos antígenos do complexo Rh, teste contrário semelhante a realizada no caso do complexo ABO.

A existência de antígenos fracos se faz desnecessária a definição dos antígenos do complexo Rh em lamina, uma vez que nessa metodologia certos antígenos mais fracos podem ser classificados incorretamente como Rh negativo. No Brasil, a lei estipula como essencial a definição do fator Rh em pequenas placas escavadas ou por meio do processo de centrifugação em tubos de ensaio.

Nesses métodos, é indispensável a analise dos antígenos Rh fraco através de preparação a 37°C e com adição de 22% de albumina bovina, e pelo teste de Coombs. É também provável a definição concreta do D fraco pelo processo de gel-centrifugação. Nesse processo, o Rh fraco é definido diretamente por meio da força de aglutinação, categorizada em ausente ou, se for positiva, em forças de (+) até (++++).

Em todos os procedimentos, é aconselhável pra os pacientes Rh negativo a definição dos antígenos C, c e E, e, onde pode ser realizada por meio da utilização de soro poliespecífico “CDE”. Isso categoriza esses pacientes em Rh negativo e Rh Negativo, CDE positivo.