Ornitorrinco (Ornithorhynchus anatinus)


Um animal com características bastante peculiares, com pelos, bico parecido com o do pato e uma cauda bastante semelhante com a do castor: esse é o ornitorrinco, que muitos membros da comunidade científica consideram como mamífero, réptil e ave simultaneamente, porque seus traços permeiam todos esses grupos. Vale à pena conhecer mais sobre ele e se surpreender!

Características principais

Oficialmente, o ornitorrinco é um mamífero da família Ornithorhynchidae e seu nome científico é Ornithorhynchus anatinus. O fato de eles serem mamíferos significa que os filhotes são sustentados pelo leite da mãe, certo? Certo! No entanto, a fêmea da espécie não gera esses filhotes no interior do seu corpo para dar à luz, ela põe ovos, isso significa que o bico achatado não é a única semelhança entre esse animal e as aves.

Ornitorrinco (Ornithorhynchus anatinus)

A primeira pessoa a descrever o ornitorrinco foi um zoólogo chamado George Shaw, no ano de 1899. De acordo com a história, esse animal teria sido descoberto por colonizadores europeus, quando esses estiveram na Austrália por volta de 1798. Ainda há relatos de que uma gravura teria sido enviada para o Reino Unido e de que, no início, os cientistas não acreditaram que aquilo podia ser real. Houve até mesmo a suspeita de que alguém tivesse costurado o bico de um pato em um animal parecido com um castor! Apenas anos depois é que ficou comprovado que aquela espécie de fato existia.

O ornitorrinco costuma ter entre 30 e 45 centímetros de comprimento, uma cauda de 10 a 15 centímetros e expectativa de vida de 17 anos (tomando como base os que são criados em cativeiro). Na fase adulta, o peso pode variar de 0,5 a 2 quilos e o desmame se dá entre 3 e 4 meses de vida. Por falar nisso é interessante ressaltar que a fêmea não tem mamas, sendo assim, os filhotes sugam o leite a partir da pele da mãe, tais quais os marsupiais.

A fêmea do ornitorrinco pode chocar de 1 a 3 ovos de cada vez e para isso ela faz uma espécie de ninho, que pode ter quase dois metros de profundidade. A entrada para ele fica dentro da água e ali se desenvolvem ovos com menos de 3 centímetros, com uma consistência mole, bastante parecidos com os postos por cobras e tartarugas. Aliás, a essa altura do caminho, você já notou que a expressão “parecido com” é recorrente quando falamos desse animal, porque ele realmente tem semelhanças com vários outros.

Uma curiosidade interessante: quando o filhote ainda está dentro do ovo, ele tem um pequeno dente, que serve apenas para quebrar a casca do ovo na hora de nascer, já que logo em seguida ele o perde. Diferente do que acontece com outras espécies, os filhotes de ornitorrinco podem permanecer meses no ninho, porque nascem totalmente cegos e sem pelagem.

O corpo e a cauda do ornitorrinco são cobertos por uma pelagem densa, que ajuda a protegê-lo, especialmente quando está dentro da água. Tendo uma cauda em forma de remo e os pés palmados, essa é uma espécie de excelentes nadadores, que são capazes de ficar até 5 minutos totalmente submersos.

O animal alimenta-se de moluscos, girinos, pequenos peixes, crustáceos, insetos, vermes e o que mais conseguir capturar do fundo dos rios. Mesmo na fase adulta, ele não possui dentes, por isso se utiliza de placas córneas localizadas nos maxilares para mastigar.

Eles têm quatro patas, todas elas com garras e cinco dedos em cada uma. O macho tem seis dedos nas patas de trás e ali há uma espécie de garra venenosa, que ele utiliza para se defender.

Onde vivem?

A Austrália é o país com a maior concentração desses animais, em especial na Tasmânia, Nova Gales do Sul e Queensland. Eles se concentram na beirada de rios, córregos e riachos e conseguem se locomover muito bem tanto na água quanto em terra firme. Uma característica interessante é que eles conseguem se adaptar bem a diferentes temperaturas, sobrevivendo tanto no calor das florestas tropicais quanto no frio das regiões montanhosas.

De acordo com a União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais, o ornitorrinco não está sob ameaça de extinção, porque na maioria das áreas onde ele vive, sua ocupação continua sendo praticamente a mesma de quando os europeus chegaram. No entanto, a expansão das atividades humanas sobre a natureza é sempre um motivo de alerta e o que mantém a espécie protegida são as medidas de conservação adotadas.

Na própria Austrália é possível encontrar alguns ornitorrincos sendo criados em cativeiros legalizados, em zoológicos e parques (que também não são muitos), tanto para serem exibidos para o público quanto para que a reprodução possa ser assistida por profissionais, visto que esse é um aspecto em relação ao qual ainda não há muitas informações e que pode ser mais aprofundado.