Prosopagnosia


Descoberta há quase meio século, a prosopagnosia é um distúrbio neurológico que tem como principal característica a falta de capacidade do indivíduo em reconhecer rostos. Apesar disso, a pessoa portadora desse distúrbio continua capaz de reconhecer objetos. O que acontece é que ocorre um transtorno no processamento da modalidade, ou seja, no local em que se atribui a identidade dos rostos e a relação de sua variabilidade. A origem do nome vem da junção das palavras gregas prosopo (rosto) e agnosia (sem conhecimento). Por causa da incapacidade de reconhecer rostos, esta condição pode prejudicar as relações sociais do indivíduo, que não consegue reconhecer amigos, colegas de trabalho e até mesmo seus parentes.

A descoberta do distúrbio chamado prosopagnosia

Este distúrbio foi descoberto na segunda guerra mundial, no ano de 1944, quando em um bombardeio russo, um soldado nazista se feriu e alguns estilhaços acabaram atingindo a sua cabeça ocasionando lesões cerebrais. O neurologista alemão Joachim Bodamer ficou responsável pelo tratamento do soldado e após uma operação para remover os estilhaços, o médico alemão aplicou um teste para avaliar se o paciente não havia sofrido danos.

Prosopagnosia

O teste consistia em que o soldado reconhecesse a sua esposa vestida de enfermeira no meio de outras mulheres vestidas com a mesma roupa. Acontece que ao fazer o teste o neurologista acabou descobrindo que o soldado havia perdido a capacidade de reconhecer rostos. O médico Joachim Bodamer realizou mais testes e constatou que a saúde do soldado estava normal, porém ele não conseguia mais reconhecer os rostos de seus amigos e parentes. O neurologista batizou esse sintoma de prosopagnosia.

Pesquisas indicam que uma a cada 50 pessoas podem apresentar esse tipo de desordem neurológica em algum tipo de grau, e acreditam que ela também pode ser hereditária. Até uns tempos atrás esse distúrbio era associado apenas a pessoas que sofriam algum tipo de lesão cerebral ou que passavam por alguma afecção neurológica, que acabava atingindo certas regiões específicas do cérebro.

Ao longo do século 19, vários estudos foram expostos sobre a incapacidade de reconhecer rostos, inclusive estudos feitos por Hughling Jackson e Chracot. Mas o termo só foi determinado por Bodamer, após descrever três casos do distúrbio.

O tratamento para prosopagnosia deve ter o objetivo de ajudar o indivíduo a criar estratégias que compensem sua incapacidade de reconhecer rostos. Como, por exemplo, usar as características individuais das pessoas e também utilizar pontos secundários como roupas, forma do corpo, cor do cabelo e a voz, entre outras.

Tipos de prosopagnosia

O distúrbio possui dois subtipos.

• Prosopagnosia adquirida: A medicina conseguiu descobrir algumas coisas importantes sobre pessoas que tem esse tipo de distúrbio. Há regiões do cérebro que são especializadas em reconhecer rostos. O que foi uma grande descoberta, pois antes se achava que os rostos eram processados pela mente como se fossem objetos, como uma caneta, uma planta ou um carro. São três estruturas cerebrais: área occipital facial, sulco temporal superior e área fusiforme facial. A prosopagnosia adquirida acontece quando essas áreas acabam sofrendo alguma alteração devido a ferimentos ou derrames.

• Prosopagnosia Hereditária ou Congênita: Esse subtipo é mais comum e misterioso, pois até agora a ciência não tem muitas informações, apenas sabe que o distúrbio é de origem genética. As pesquisas indicam que apenas um gene é responsável pela condição, porém ainda não se sabe qual é ele.

Os pesquisadores têm usado exames de ressonância magnética a fim de saber como o cérebro reage na hora de reconhecer rostos em indivíduos com prosopagnosia congênita, porém mesmo assim ainda não chegaram a nenhuma conclusão definitiva.

Um dos problemas no diagnóstico concisos do distúrbio é o fato de não existirem exames precisos, fato muito limitador para os médicos. Os métodos existentes são baseados em entrevistas e testes.

Além da Prosopagnosia, existe outro distúrbio que pode confundir os portadores, que é a Ilusão de Capgras. Um distúrbio psiquiátrico raro em que o portador acredita que seus familiares ou amigos não são quem eles dizem que são. Para os portadores desse distúrbio, seus conhecidos foram substituídos por impostores mal-intencionados. Ao invés do indivíduo usar a memória armazenada para identificar o rosto, ele acaba por criar novas memórias todas as vezes que encontram a pessoa conhecida.

Pesquisas feitas revelam que essa síndrome acontece em mais de um terço de indivíduos que sofreram algum tipo de trauma na cabeça, porém os pesquisadores ainda não sabem exatamente o que causa a Ilusão de Capgras. As suspeitas são de que a doença é provocada por uma parada na comunicação entre as regiões cerebrais que ficam responsáveis por lidar com os estímulos emocionais e também processam a informações visuais do rosto.

Outras pesquisas indicam que o distúrbio pode ser por algum problema na administração da memória. A descoberta foi feita por dois médicos franceses Jean Reboul-Lachaux e Joseph Capgras, que foram os primeiros a descrever sobre esse distúrbio, no ano de 1923.