Síndrome de Takotsubo


Também conhecida como síndrome do coração partido, a Síndrome de Takotsubo é responsável por 1 a 2% dos casos coronarianos agudos. O estresse físico e emocional são os fatores de risco mais relevantes para o seu desenvolvimento, que é mais frequente em mulheres no período da menopausa ou com idade acima de 60 anos.

Síndrome de Takotsubo

Definida como uma cardiomiopatia adquirida primária, o paciente sofre uma súbita insuficiência congestiva, que logo se traduz no eletrocardiograma como supostamente um infarto no miocárdio. Também podem surgir arritmias e edemas agudos no pulmão, causando complicações graves caso não haja uma intervenção imediata.

O que é a síndrome takotsubo

Descrita pela primeira vez pelo cientista japonês Sato em 1991, a síndrome que ganhou seu nome foi identificada como um súbito esforço intenso e agudo do coração, sem que houvesse alguma evidência crítica ou uma lesão. Logo após a publicação, surgiram diversos casos que se identificaram com o diagnóstico definido, mas só após alguns anos a doença foi reconhecida pelo ocidente.

A doença foi associada como consequência do estado emocional de seus pacientes, após inúmeros estudos que identificaram os sintomas como consequência de algum grave trauma sofrido. Como o caso de um terremoto ocorrido em Niigata, em 2004 no Japão, com o qual 16 povos foram diagnosticados com a síndrome de Takotsubo, sendo a maioria dos pacientes composto por mulheres acima de 60 anos.

Essa informação foi endossada em pesquisa realizada nos EUA em 2011, que identificou a doença em pacientes que sobreviveram a catástrofes naturais graves. O mesmo foi detectado em pessoas que tiveram os seguintes gatilhos:

– Parentes muito próximos com morte inesperada e traumática,
– Divórcios
– Graves problemas financeiros
– Cirurgias de alto risco e interações emergenciais
– Notícia muito triste sobre doença gravíssima
– Perda de emprego
– Acidente de carro com morte ou estado grave
– Grave ataque de asma
– Violência doméstica
– Violência sexual
AVC
– Discussão muito intensa
– Ser surpreendido por uma festa surpresa
– Ganhar uma grande quantia de dinheiro como um prêmio lotérico

Com essas e outras avaliações, foram detectados como principais fatores de risco para seu desenvolvimento o estresse e a alta tensão causadas por separações, brigas, tristezas, depressão, angústias, processos de grande ansiedade e a presença de doenças graves pessoais ou de alguém próximo. O motivo é a descarga excessiva de adrenalina que atrapalha consideravelmente as funções cardíacas, e o organismo reage como se houvesse uma intoxicação, que pode levar ao infarto no miocárdio.

As mulheres se tornam a vítima mais comum da doença, pelas alterações hormonais que sofrem, principalmente na fase da menopausa onde ocorre a diminuição gradual e o fim da produção do estrogênio.

Semelhante a um infarto agudo do miocárdio comum, o paciente sente muita dor no peito, cansaço intenso, agitação angustiante, redução do estado de consciência, edema pulmonar e falta de ar. Há alterações no eletrocardiograma que podem indicar sintomas de isquemia coronária e flutuações na quantidade de troponina.

O nome Takotsubo em japonês significa “pote de pesca japonês para capturar polvo”, pela associação visual ao formato do coração de quem tem a doença. Já o nome de “síndrome do coração partido” é uma referência à desilusão de um amor perdido pela separação ou viúves que tende a elevar ainda mais os casos da doença.

Como diagnosticar e tratar a síndrome

Não é fácil chegar ao diagnóstico da síndrome de Takotsubo. Ao avaliar os sintomas do paciente, o médico leva em consideração o seu estado emocional, os fatores de risco, exames físicos laboratoriais como o sanguíneo e o eletrocardiograma que é capaz de identificar a incapacidade do ventrículo de manter boa contração. No exame de sangue é possível também identificar excesso de troponina, tal como ocorre em um infarto do miocárdio comum.

Com a grave possibilidade de um infarto, quando o paciente está tendo uma crise é levado imediatamente para um cateterismo cardíaco. Em geral o exame, que também é uma microcirurgia, detecta que não há obstrução nas artérias como um infarto tradicional, o que leva o médico a se direcionar para a miocardiopatia do coração partido.

O tratamento é baseado nos mesmos medicamentos de insuficiência cardíaca. Eles levam os músculos cardíacos à recuperação, que demora cerca de quatro semanas. A taxa de mortalidade da doença é considerada baixa, com cerca de 4% dos casos diagnosticados, o que leva aos positivos resultados do tratamento medicamentoso. Outra boa noticia é que a síndrome não tende a ocorrer em outras situações, se limitando a um evento único ao paciente.

Não há prevenção contra a doença, já que o paciente predisposto a ela tem um perfil psicológico de quem não consegue lidar com situações negativas da vida e sofrem fisicamente as suas consequências. O mesmo ocorre com pessoas impulsivas, irritáveis e explosivas, sendo mais indicado o acompanhamento psicológico para conseguir lidar melhor com essas situações.

Porém, a frequência de atividades físicas pode diminuir consideravelmente as chances de surgirem os sintomas, já que o corpo se torna menos suscetível aos riscos.