Resumo apologia de Sócrates


Quem nunca ouviu falar em Sócrates? O grande filósofo grego, apontado como um dos fundadores da filosofia ocidental e descrito mais tarde na obra de Platão – que foi seu aluno. Essa análise platônica permitiu grandes evoluções nas áreas de epistemologia e ética, tendo esta última área se tornado a marca deste grande pensador. Platão reproduz um discurso de Sócrates na obra “Apologia de Sócrates”. O livro é parte integrante de uma tetralogia, na qual o primeiro intitulado Eutifron aponta o filósofo em seu caminho para o tribunal, onde fora convocado devido a acusações de Meleto. Apologia de Sócrates seria a continuação deste primeiro, onde o processo é descrito. A obra ainda é continuada em outras duas etapas: Crífon (onde o filósofo, já encarcerado, recebe a visita de um grande amigo) e Fédon, que narra seus últimos instantes de vida e o seu discurso sobre a imortalidade da alma.

Resumo apologia de sócrates

Qual seria então a “Apologia de Sócrates”?

Para entender, vamos primeiramente pontuar as acusações que recaíram sobre o filósofo. Corromper a juventude, não acreditar nos deuses e criar uma nova Deidade foram às razões alegadas por Meleto, que levaram Sócrates a ser convocado em um tribunal.

Em sua apologia, Sócrates defende-se dessas acusações. Ele começa argumentando que seus acusadores haviam sido tão convincentes que quase ele mesmo acreditou nas inverdades que diziam a seu respeito. Disse também que a verdade é maior do que todos os sábios e o seu compromisso com ela é maior do que a sua prática de falar em tribunais, compromisso este que os seus acusadores, segundo ele, não tinham, pois queriam apenas convencer a todos a respeito do que diziam.

Ele resgata acusações que não constavam do processo, mas que também já haviam sido proferidas contra ele e, portanto, poderiam pesar na decisão dos juízes. Seus acusadores oficiais neste processo foram Meleto, a respeito de quem pouco se sabe, apenas que era um tragediógrafo que Sócrates mal conhecia e não tinha a menor ideia de que motivos este homem teria para acusá-lo. Seu segundo acusador era Ânito, um homem que pertencia a uma importante família de comerciantes de curtume, havia sido general a serviço de Atenas e era considerado um cidadão importante no cenário político. O que o teria motivado a denunciar Sócrates era o relacionamento de seu filho com o pensador, algo que ele jamais aprovou. O terceiro, Licon, era um famoso orador de Atenas e as razões que o teriam levado a denunciar o filósofo também seriam desconhecidas. Os três contavam com o mesmo direito de palavra no processo.

Sabedoria X Ignorância X Humildade

A principal bandeira levantada por Sócrates em sua defesa estava relacionada à sua sabedoria, onde o pilar central era a consciência da sua ignorância (Só sei que nada sei). Essa era a principal premissa que faria dele um verdadeiro sábio: a humildade em admitir que pouquíssimo sabemos diante de um universo tão cheio de mistérios. Todos os seus acusadores tentavam parecer que detinham a verdadeira sabedoria, mas ele afirmava que, segundo o Oráculo de Delfos (localizado em Delfos, cidade central da Grécia, era visitado por cidadãos comuns e também por grandes nomes. A cidade ficava localizada em uma área considera como uma espécie de “umbigo” do mundo. Segundo a mitologia, Zeus estava em busca do ponto central do mundo e, para encontra-lo enviou duas águias de extremos opostos e foi justamente sobre essa cidade que ambas se encontraram. A cidade envolve ainda diversos outros mitos, que ajudam a justificar a criação do oráculo no local), o verdadeiro sábio era ele.

Tomando por exemplo Aquilles (que se recusou a agir injustamente, mesmo sabendo que essa atitude poderia leva-lo a morte), Sócrates levantou outra grande bandeira: a da justiça. Preferia ser justo até a morte a salvar sua vida agindo fora do que julgava correto. Após ser julgado e condenado, Sócrates afirmou não ter achado estranho o fato de ser condenado (tudo indica que já esperava por isso), mas sim a quantidade de votos a favor da condenação que recebeu. Criticou ainda as leis de Atenas, que concedem ao condenado pouquíssimo tempo para a defesa, diferente de outras cidades, onde era impossível ser condenado em tão pouco tempo.

O filósofo afirma ter sido condenado pela falta de pudor, e jamais pela falta de argumentos, e declarou não estar arrependido de sua defesa, pois os que o condenam hoje, serão condenados amanhã. Aqueles que votaram favoráveis à condenação, por sua vez, continuaram declarando-se como justos. No momento da morte, Sócrates questiona se a morte seria uma perda definitiva de sentidos ou uma passagem para outro plano, declarando estar preparado a qualquer uma dessas possibilidades de bom agrado.

Ao final de seu último discurso disse que encerraria por ali, pois já era tempo de ele morrer e os demais continuarem suas vidas, sendo Zeus o único a saber quem estaria melhor.