Resumo da desigualdade social no Brasil: Estrutura no mercado de trabalho


O mercado de trabalho é o conjunto de relações de compra e venda da força de trabalho. A população envolvida nestas relações é a população economicamente ativa, a PEA, incluindo assim a parcela que está desempregada.

Para uma melhor análise das consequências do modelo econômico e e=social do país na PEA, podemos dividi-las nos três diferentes setores da economia. O setor primário, que é aquele que envolve atividades relacionadas ao campo, como agricultura, pecuária e extrativismo. Secundário é o setor onde há a atividade de transformação, ou seja, a indústria. Já o setor terciário envolve o comércio e os serviços em geral.

Estrutura no mercado de trabalho

Um país com um setor primário predominantemente tem um modelo econômico agrário, sendo possivelmente subdesenvolvido, pois não completou a passagem para as atividades urbanas e industriais. Já países com predomínio de pessoas no setor terciário, como é o caso dos capitalistas mais desenvolvidos, demonstram uma economia pós-industrial, na qual a atividade de transformação perde importância para os setores financeiros e de serviços em geral. Enquanto isso, a presença de um setor secundário forte demonstra um modelo baseado na industrialização, que já não existe nos países capitalistas desenvolvidos, podendo ser encontrado em alguns países que tiveram um longo período de economia planificada como a Polônia e a Rússia.

Porém, a análise não deve ser direta e simples, principalmente nos dias atuais, quando os capitais internacionais têm condições para investir em quase todos os lugares do mundo, o que não vincula diretamente a existência de várias indústrias com o desenvolvimento de uma região. Mesmo assim, se analisarmos as mudanças históricas ocorridas na divisão da PEA brasileira nos diferentes setores da economia, podemos compreender melhor algumas modificações nos modelos econômicos vigentes ao longo de nossa história.

A partir da década de 1940, o setor primário começa a apresentar uma diminuição acelerada na quantidade de pessoas aí envolvidas, enquanto isso, os setores secundário e terciário apresentaram um constante aumento até a década de 1980. Durante os anos 70, o setor terciário ultrapassa o primário. Essa virada é consequência da mudança do modelo agrário-exportador para o urbano-industrial, que envolve a introdução de novas técnicas que dispensam grande número de pessoas no campo. Por outro lado, a urbanização aumenta a demanda por serviços urbanos, como comércio, educação, transporte, etc.

No entanto, a migração campo-cidade, provocada pela diminuição de empregos na zona rural leva a um acumulo da população urbana que acaba por formar um exército de reserva de mão de obra, já que nem todos são absorvidos pela industrialização do país. Esta situação começa a piorar em fins dos anos oitenta, quando as empresas nacionais passam a se reestruturar para competir com a produção mundial de mercadorias. Tendência que se intensifica na década de 9, a flexibilização da produção diminui os postos de trabalho nas fábricas aumentando o exército da reserva.

As mulheres e o mercado de trabalho e a estrutura por classes de renda

Apesar das mulheres representarem a maioria da população brasileira, sua participação na PEA é reduzida, 35%, apesar de ter ocorrido nas últimas décadas um constante aumento. Durante os processos de industrialização e de urbanização, foram surgindo cargos como os de secretárias, ascensoristas, atendentes, empregadas domésticas e outros, com baixa remuneração. Assim é que as mulheres foram sendo incorporadas ao mercado de trabalho, de forma periférica, o que acaba por ser uma característica de nossa sociedade patriarcal.

O fato das mulheres ocuparem funções como empregadas domésticas, professoras, enfermeiras, atendentes e secretárias, não se deve à natureza da função, mas sim ao baixo salário pago. Tanto é verdade, que em muitas destas funções, quando existem casos especiais com maior remuneração, como professores de escolas particulares, as quais por sua vez oferecem maiores salários, podemos verificar a presença de homens, muitas vezes em maioria sobre as mulheres. Ao mesmo tempo, podemos encontrar mulheres ganhando menos que os homens para exercer a mesma função dentro da mesma empresa, o que evidentemente é proibido, mas comum em nossa sociedade.

A renda total de um país é medida pelo seu Produto Interno Bruto, também conhecido como PIB, que nada mais é do que a soma da riqueza gerada por todos os setores da economia durante um ano. O Brasil tem um dos maiores PIBS do mundo, porém, isso não significa que aqui não haja miséria, ou que a população brasileira tenha um alto nível de vida. Um país com mais de 200 milhões de habitantes pode facilmente ter um PIB maior que um de 10 milhões, já que no primeiro há um maior número de pessoas trabalhando. Este problema estatístico pode ser resolvido através do cálculo do PIB per capita, ou seja, o valor do PIB dividido pelo número de habitantes, podendo-se assim saber qual é a força da economia de um país.