A desigualdade entre os países


Vimos como a história de países como EUA, Japão e dos países da União Europeia nos levou a ocupar uma posição privilegiada na nova divisão internacional do trabalho. Mas a riqueza destes países não se fez apenas por sua própria história, ao contrário, está intimamente ligada à história de pobreza do restante do mundo.

A ligação entre a pobreza e a riqueza dos países do mundo pode não ser uma grande novidade, no entanto, é preciso entender como esta relação se dá na realidade. Para isso, vamos mostrar aqui as diferenças que existem entre os países e como, a partir delas, podemos diferenciar os pobres dos ricos.

Além de identificar os países mais pobres é preciso compreender a origem de sua pobreza, assim como o modo pelo qual cada conjunto de países mais ou menos avançados se integram na economia mundial.

desigualdade entre os países

Dificilmente alguém tem dúvida de que a economia e as condições de vida da população de países como os Estados Unidos, a Alemanha, o Japão são bastante diferentes das de outros como o Brasil, a Índia ou a Costa do Marfim. Mas, baseados em quais elementos podemos considerar esses elementos? Antes de sairmos por aí falando das causas que levaram os países a terem características econômicas diferentes, é fundamental que saibamos quais são estas diferenças. Na verdade, há diversas formas de demonstrarmos a desigualdade econômica no mundo.

Distribuição de renda

Verificar a condição de pobreza ou de riqueza da população de um país através de renda é sempre cair em um grande risco de engano. Índices que medem a renda, como o Produto Interno Bruto, o PIB, ou mesmo o PIB per capita, podem muitas vezes camuflar desigualdades sociais.

A Rússia, por exemplo tem um PIB de US$ 356,98 bilhões contra US$ 320,38 bilhões da Suíça. No entanto, a Suíça tem uma população de 7,2 milhões de habitantes enquanto na Rússia vivem 148,12 milhões. Com estes dados podemos chegar a um PIB per capita da Rússia de US$ 2.410,00 contra um de US$ 44.350,00 da Suíça. Estes números mostram bem as limitações do PIB para medir o nível de riqueza de um país.

Porém, mesmo o PIB per capita não deve ser tomado como uma medida completamente confiável. Sendo calculado através da divisão do PIB pelo número de habitantes, o PIB per capita constitui uma média. Sendo assim, este índice não considera como a renda total é distribuída entre a população. É bastante frequente a concentração de renda nas mãos de uma pequena parcela da população, principalmente em países caracterizados pela existência de grandes latifúndios ou nos quais ocorreu uma industrialização baseada na mão de obra barata.

Em países como o Brasil ou o México, todo o crescimento econômico da segunda metade do século XX, se baseou na industrialização realizada por multinacionais ou por grandes grupos econômicos nacionais. A industrialização acelerada que aí ocorreu, teve como atrativo a mão de obra barata. Nesta condições, é evidente que há um forte aumento de riqueza nacional, porém, ao mesmo tempo, aumenta a diferença social entre os mais ricos e os mais pobres.

Ao considerarmos o PIB per capita para verificarmos a condição econômica da população de um país, temos que fazê-lo considerando também a distribuição de renda. Desta forma podemos saber em quais países o alto PIB per capita reflete uma melhor condição de vida para a maioria da população e nos quais ele demonstra apenas o enriquecimento de uma minoria.

Qualidade de vida

Outro modo de termos uma ideia da desigualdade social entre os países é através dos índices de qualidade de vida da população. Pode-se considerar, por exemplo, a taxa de mortalidade infantil, a expectativa de vida, a alfabetização, a alimentação ou mesmo o número de carros, de telefones, de geladeiras ou outros eletrodomésticos. É difícil consideramos que estes e outros índices são capazes de medir a qualidade de vida de uma população, já que não é necessariamente por ter uma geladeira e um automóvel, que a pessoa tem uma vida melhor. No entanto, a intenção é comparar as condições materiais dos povos do mundo.

Uma maneira bem interessante de trabalhar com estes índices de qualidade de vida é utilizar um conjunto deles para compor um único índice que possa refletir a qualidade de vida geral de cada país. Um exemplo deste procedimento é o cálculo do Índice do Desenvolvimento Humano, também chamado de IDH, que leva em consideração a renda per capita, a educação (alfabetização e a taxa de matrícula nas escolas) e a saúde, através da expectativa de vida.

É preciso lembrar que todas estas formas de identificar as desigualdades econômicas entre os países são imperfeitas, já que é muito difícil, se não impossível, medir a qualidade de vida das pessoas. Mas esta imperfeição não torna inúteis tais estatísticas, que se forem usadas em conjunto podem nos dar algumas postas sobre os impasses para o desenvolvimento econômico e social da população mundial.