Desemprego, um problema mundial – A questão trabalhista


Dentro do sistema capitalista de produção, assim como no socialismo real, para que uma pessoa trabalhe, é necessário que ela tenha um emprego. O emprego não é o mesmo que o trabalho. Este último é a capacidade do homem de transformar o meio através de uma ação racional, o emprego é simplesmente a vaga para trabalhar em uma empresa ou uma fazenda. O problema do emprego surge da propriedade privada, ou estatal, dos meios de produção. Como a maioria da população mundial não controla diretamente um meio de produção, lhe é fundamental conseguir um emprego.

Nas sociedades agrárias, pré-capitalistas, o emprego não era um problema fundamental, uma vez que camponeses podiam trabalhar na terra onde nasciam. Os servos da Idade Média europeia, por exemplo, pertenciam à terra onde nasciam e nela podiam trabalhar. Isso não significa que não havia exploração ou problemas como fome ou miséria, uma vez que boa parte do trabalho dos servos era apropriada pelos senhores feudais, através da corveia, por exemplo.

A questão trabalhista

Com a industrialização e a consequente urbanização, as sociedades agrárias tradicionais entraram em decadência, sendo progressivamente substituídas por sociedades modernas, baseadas em uma economia urbano-industrial. Tal processo, juntamente com o desenvolvimento tecnológico na agricultura, levou um grande número de pessoas a migrar do campo para a cidade. Este êxodo rural acabou transformando drasticamente o trabalho dos seres humanos.

Primeiramente, o desenvolvimento urbano-industrial trouxe consigo uma maior divisão social do trabalho, criando assim profissões cada vez mais específicas. Tal divisão não é apenas a distribuição de diferentes tarefas entre as pessoas, mas também uma desigual distribuição dos produtos de trabalho, diversificando os níveis de remuneração salarial e criando novos segmentos como a classe média.

Além disso, a industrialização e a urbanização transformaram a distribuição dos trabalhadores nos setores da economia, criando diferentes configurações para cada tipo de país. Durante o século XX, o desenvolvimento tecnológico, o crescimento das empresas e mudanças na economia, tendendo cada vez mais a uma “financeirização”, criaram também novas transformações no mercado de trabalho.

Estrutura da população por setores da economia

As atividades econômicas podem ser divididas em três setores fundamentais: o primário, que inclui atividades agropecuárias e extrativismo vegetal e o mineral, o secundário, representado pela industrial, e o terciário, que abrange o comércio, os serviços e o setor financeiro.

Não é o total de pessoas de uma determinada sociedade que está envolvido em um destes três setores, já que só consideramos para fazer esta análise a População Economicamente Ativa, a PEA, parcela da população que participa do mercado de trabalho, estando ou não empregada. Em países de população mais jovem, a PEA representa uma parcela menor da população.

Ao considerar apenas a PEA, podemos perceber que a distribuição das pessoas nos três setores da economia se diferenciou bastante nos últimos séculos. Mas ainda hoje, as diferenças desta distribuição entre os países revelam as desigualdades de seu desenvolvimento econômico.

O desenvolvimento da agricultura e a divisão internacional do trabalho, propiciaram aos países centrais uma forte diminuição da população empregada no setor primário. As técnicas agrícolas cada vez mais modernas aumentaram a produtividade do setor dentro destes países, possibilitando que se tenha uma grande produção com uma parcela bem pequena da população trabalhando no campo.

Mas do que isso, a divisão do trabalho favoreceu os países centrais ao fazer dos periféricos meras economias complementares. Países como o Japão e os Estados Unidos podem importar boa parte dos produtos primários de que necessitam, o que libera mão de obra neste setor.

A mão de obra liberada do setor primário nos países centrais passou a engrossar a camada envolvida na indústria e nas atividades terciárias. Mais recentemente, o desenvolvimento tecnológico também foi responsável pela liberação de mão de obra do setor secundário, uma vez que aumentou bastante a produtividade das fábricas.

Este aumento de produtividade industrial, que leva à expulsão de mão de obra deste setor, vem provocando transformações profundas no mundo do trabalho. A terceirização da economia é uma das consequências deste processo.

A melhoria da qualidade de vida da população dos países centrais vem criando empregos novos no setor terciário. Os ramos de maior destaque são o turismo, a pesquisa e o setor financeiro. Além destes, o velho comércio é cada vez mais importante em sociedades de consumo alto.

A geração de novos postos de trabalho no setor terciário, aliado à diminuição destes na indústria, vem fazendo aumentar a porcentagem de população envolvida no setor terciário e diminuir a do setor secundário. Em países periféricos a situação ainda é bem diferente. Aqueles que têm sua economia baseada na agricultura, de subsistência ou de exportação, têm uma grande parcela da população envolvida no setor terciário, assim como uma baixa urbanização.

Entre os países semiperiféricos, é comum encontrarmos o processo de hipertrofia do setor terciário. A industrialização destes países é incompleta e frágil, limitando assim a criação de novas vagas nas fábricas. Ao mesmo tempo, os grandes problemas sociais do campo, principalmente a concentração de terras, produzem um forte êxodo rural. Estes dois processos juntos produzem um crescimento exagerado do setor terciário na economia, uma vez que o comércio, e muitas vezes a economia informal, acabam sendo as únicas opções de emprego para uma parte grande da população.