Desemprego, um problema mundial – A questão da educação


A contribuição da educação para o aumento da qualidade de vida é uma questão bem recorrente nas sociedades modernas. No entanto, é preciso esclarecer alguns pontos sobre esta questão que parece tão óbvia.

Até o período do capitalismo comercial, antes da Revolução Industrial e do Iluminismo, a educação formal era restrita a algumas camadas da população, notadamente à elite política, com o objetivo de melhor administrar seus países, e ao clero, que utilizava principalmente para o estudo de textos sagrados.

A questão da educação

A industrialização das sociedades e sua consequente urbanização, criaram uma nova perspectiva para a educação. Ao contrário das sociedades agrárias, nas quais os trabalhadores rurais aprendiam seus ofícios com os familiares mais velhos e os artesãos com seus mestres, nas sociedades industrializadas intensificou-se a necessidade de mão de obra cada vez mais bem preparada.

Sendo assim, um dos fatores que mais favoreceu a expansão da educação em massa foi a necessidade de formação de mão de obra. Neste caso, a contribuição do sistema educacional para a melhoria da qualidade de vida das pessoas é relativa. Se por um lado, uma melhor formação pode criar profissionais mais eficientes e melhor remunerados, por outro, tal formação acaba sendo uma necessidade das empresas, imposta às pessoas como condição para se empregarem.

A educação técnica, além de limitar as possibilidades que o pensamento humano tem de criticar a realidade e propor situações melhores, limita até mesmo as possibilidades de criatividade e descarta dos currículos aquilo que não interessa à formação de um bom profissional ao mercado de trabalho. Dizendo de outra forma, um sistema educacional muito preocupado em formar mão de obra pode criar apenas bons operários e, por causa disso, sua contribuição para uma real melhora de vida das pessoas é questionável.

Apesar desta educação técnica ter praticamente se generalizado no mundo atual, podemos destacar alguns países nos quais tempos exemplos bastante interessantes. Os Estados Unidos por exemplo, têm um dos sistemas educacionais mais especializados do mundo. Ou seja, a base da educação é a formação de técnicos especializados. Mas isso não impede que existam centros de excelência, como o próprio nome deixa vislumbrar, voltados a uma minoria, nos quais a pesquisa e a formação mais diversificada é possível.

Em países de industrialização recente, com destaque para alguns latino-americanos, mas principalmente para os tigres asiáticos, a massificação da educação, se baseou numa queda de qualidade. Os currículos foram adaptados para a formação de mão de obra à multinacionais que chegavam a estes países.

Atualmente, a adoção de modelos econômicos neoliberais, vem diminuindo, ou pelo menos estagnando o investimento estatal na educação. É comum a expansão de sistemas educacionais privados, o que é um problema em países que têm grande desigualdade social.

Se nas universidades e colégios públicos a ligação entre a educação e necessidade de formação de operários bem treinados era uma tendência geral, a atual privatização do ensino aprofunda o problema. São cada vez mais comuns as ligações entre os novos cursos das faculdades privadas e os interesses das empresas mais próximas. Em regiões industrializadas com base em desenvolvimento de tecnologia, denominados tecnopólos, se expandem faculdades que têm como único objetivo treinar mão de obra para as empresas locais.

É evidente que a formação profissional é uma necessidade de todas as pessoas que vivem em sociedades urbano-industriais, uma vez que dela depende o sucesso na carreira escolhida. No entanto, não podemos perdes de vista o fato de que muitas vezes esta educação, não é suficiente à formação de um cidadão melhor, que deveria ser capaz de refletir sobre as questões políticas, econômicas e culturais de sua sociedade.

Mas é preciso lembrar também, que mesmo a educação básica, a alfabetização, continua a ser insuficiente na maioria dos países do mundo. As taxas de analfabetismo em países da África, da América Latina e da Ásia, às vezes nos deixam chocados. As altas taxas de analfabetismo são consequência direta da pobreza destes países, que acabam não tendo recursos para investir em um sistema de educação pública e nem em dinamismo econômico para suscitar a expansão de escolas privadas. Mas além de uma triste manifestação da pobreza, o analfabetismo é também um obstáculo à melhoria de vida de tais populações. A falta de mão de obra minimamente qualificada, acaba dificultando o desenvolvimento de uma economia de base industrial ou de serviços urbanos de qualidade.

O trabalho

O trabalho é considerado uma condição fundamental ao homem. Isto é, devido à sua capacidade de transformar o meio, através do trabalho, o ser humano pôde desenvolver a organização social, a cultura e os meios de produção. No entanto, ao falarmos do trabalho no mundo atual não podemos considera-lo de forma geral e abstrata, é preciso portanto, se pensar nas condições reais, como os homens trabalham e como isso colabora ou não com a sua qualidade de vida.