El Niño e La Niña


Provavelmente ao assistir o noticiário você já deve ter ouvido falar sobre o El Niño e a La Niña, dois fenômenos meteorológicos que tem grande influência no clima. Mas, você sabe o que esses dois acontecimentos climáticos são e no que eles influenciam?

A função deste artigo é tentar explicar isso.

El Niño e La Niña

O que é o El Niño?

É um fenômeno atmosférico – oceânico caracterizado por um aquecimento incomum das chamadas “águas superficiais” do Oceano Pacífico Tropical. Entre as consequências causadas pelo El Niño estão: mudanças no clima global e também regional, mudanças nos padrões dos ventos no mundo todo, o que por consequência afeta as chuvas tropicais e também de latitudes médias.

Essas alterações são, em geral, de curta duração variando entre 15 a 18 meses e podem afetar ainda o sistema de flutuação das temperaturas do Oceano Pacífico, acontecimento denominado Oscilação Sul – El Niño (OSEN). Há ainda estudos que tentam demonstrar possíveis influências deste fenômeno sobre o aquecimento global.

Um pouco sobre a história do El Niño: Acredita-se que foram pescadores da Costa Oeste da América do Sul que identificaram pela primeira vez este fenômeno. O nome El Niño se de deve ao fato de que a alteração nas temperaturas do mar, observadas pelos pescadores, aconteceram no fim do ano, próximo ao Natal, por isso “O Menino” em referência ao “Menino Jesus”.

O El Niño geralmente pode ser observado em intervalos de dois a sete anos, sendo um fenômeno irregular. Nesta ocasião os ventos sopram com menos força em todo centro do Oceano Pacífico o que resulta em uma diminuição da insurgência das águas mais profundas e frias, desta forma a água torna-se mais quente do que o normal o que resulta na diminuição da produtividade de peixes.

Mas e a La Niña?

A La Niña é um fenômeno totalmente inverso ao El Niño, portanto pode ser caracterizado por temperaturas mais frias na região equatorial do Oceano Pacífico, por vezes é precedida pelo El Niño.

Também é um fenômeno oceânico – atmosférico, mas, ao contrário caracteriza-se por um esfriamento incomum nas águas superficiais do Oceano Pacífico. Assim como as características as consequência da La Niña também são opostas ao El Niño, contudo, as características de um podem não afetar as mesmas regiões afetadas pelo outro.

Uma curiosidade sobre a La Niña é que este fenômeno já chegou a ser denominado “El Viejo”, em português “O Velho”, antônimo da expressão menino. Até mesmo já chegou a ser denominado “Anti – El Niño”.

Este fenômeno comumente se alterna com o El Niño em intervalos de três a sete anos e dura cerca de dois anos, mas já chegou a ser registrado acontecendo entre nove a 12 meses.

Tão diferentes assim?

Não é só a temperatura e o tempo de duração que distinguem o El Niño da La Niña. Estudos recentes apontam que nas últimas décadas o El Niño tem se intensificado, enquanto a La Niña tem ocorrido cada vez com menos frequência, inclusive, o último registro desta atividade ocorreu entre os anos de 1998 e 1999, cera de 17 anos atrás.

Mas é bom lembrar que apesar das visíveis diferenças os efeitos, causados por ambos os fenômenos na corrente atmosférica são quase os mesmos. Vamos as explicações: quando há uma maior concentração de águas quentes na região a Oeste do Oceano Pacífico ocorre uma evaporação maior, que por sua vez intensifica o processo da chamada “célula de circulação de Walker”. Sendo assim, o ar mais quente sobe na região de águas também quentes, enquanto isso, o ar mais frio desce para região oposta ocasionando uma espécie de ciclo.

Sobre as temperaturas, podemos citar que no El Niño a variação média é de 4 a 5ºC, enquanto isso a La Niña apresenta uma variação de temperatura que se quer chega a casa dos 4ºC.

Efeitos ao redor do mundo

No Brasil a La Niña resulta em um Norte e Nordeste mais chuvosos e com aumento da vazão dos rios, enquanto isso no Sul acontece secas prolongadas já no Centro – Oeste e Sudeste os efeitos ainda são pouco previsíveis.

Em outro país, a Colômbia, por exemplo, tais fenômenos causam maior abundância de chuvas, e por consequência, também de enchentes. Já a Oeste da Argentina e do Chile há diminuição das precipitações entre outubro e dezembro, enquanto isso, Peru e Uruguai passam por períodos de seca.

É bom salientar que apesar dos efeitos da La Niña e também do El Niño serem sentidos com maior intensidade nas regiões próximas a Linha do Equador e também as subtropicais, as consequências destes fenômenos podem ser globais.

Estudos meteorológicos apontam os verões extremamente quentes da Europa e as secas que ocorrem na África como consequências do El Niño. Além disso, também deve-se a esse fenômeno alguns períodos de seca na Austrália e Indonésia, em contrapartida ocorrem longos períodos chuvosos na Costa Oeste da América do Sul.