Os conflitos pelo mundo – Oriente Médio


A designação Oriente Médio surgiu para identificar a região localizada entre aquilo que se denominava Oriente Próximo, região da Turquia, e o Extremo Oriente, região do Sudeste Asiático. Posteriormente se agregando novos parâmetros para definir o que seria o Oriente Médio. O mais importante deles foi a religião islâmica.

Região estratégica

Desde a Antiguidade, o Oriente Médio é uma região com grande importância estratégica. O fato de ser um ponto de ligação entre a Ásia, a Europa e o norte da África, já dava um certo destaque para a área. Posteriormente sua importância aumentou devido à expansão de duas religiões ali nascidas: o cristianismo e o islamismo. Enquanto a primeira se expandiu por toda a Europa, a segunda tomou conta do norte da África e das penínsulas da Arábia e da Anatólia.

Os conflitos pelo mundo

Se as diferenças religiosas já faziam da região um local de disputas entre cristãos e muçulmanos, a expansão do comércio na Europa vai torna-la um centro de batalhas entre estes povos, daí a realização das Cruzadas, que foram expedições realizadas entre os séculos XI e XIV para assegurar o domínio cristão sobre os locais sagrados da Palestina, que até então era controlada pelos muçulmanos. Depois de permanecer durante séculos sob o domínio do Império Otomano, a região foi englobada no imperialismo europeu, principalmente através da França e da Grã-Bretanha.

Após a Segunda Guerra Mundial, a descolonização do Oriente Médio, a criação do Estado de Israel, o aumento da importância do petróleo e a disputa entre os Estados Unidos e a União Soviética pela hegemonia na região, tornaram-na um palco de guerras que até hoje fazem centenas de vítimas a cada ano.

O islamismo

O fundador da religião islâmica, chamada também de muçulmana ou maometana, foi Maomé no início do século VII. Seu papel dentro da religião é de profeta e não de deus, que na realidade é representado pela figura de Ala. Tal como o cristianismo, os muçulmanos têm um único deus e um livro sagrado, escrito pelo próprio Maomé, onde estão os fundamentos de sua crença, o Corão ou o Alcorão.

Entre os fundamentos mais importantes e que traduzem maios consequência à vida política, está a Jihad: Guerra Santa. Segundo tal princípio, a guerra que tem como objetivo a imposição da religião islâmica a povos que nela não creem é recompensada por Ala. Só sabendo disso podemos entender o que leva um terrorista muçulmano a explodir uma bomba colada ao seu corpo para matar civis judeus, por exemplos.

Através da Jihad, os povos árabes, criadores do islamismo, conseguiram fazer com que sua religião bordasse os limites da Península Arábica e de seu próprio povo, realizando uma islamização de povos não árabes, como os persas e os turcos, por exemplo. Entre os séculos VII e X, se criou um grande império árabe-muçulmano que tomava todo o Oriente Médio, o norte da África, parte da Índia, atingindo até regiões do sul da Europa. A partir daí as disputas internas levaram-no à decadência. Da decadência deste império um novo tomou seu lugar, o império Otomano, que apesar de ser dominado por povos não árabes (os turco-otomanos), tinha também como religião oficial o islamismo.

Desta forma o domínio de toda esta região permaneceu nas mãos de impérios islâmicos até o fim da Primeira Guerra Mundial. As disputas internas à religião islâmica fizeram florescer diversas correntes diferentes, dentre as quais podemos destacar os sunitas e os xiitas. Os primeiros formam a maioria da população dos países muçulmanos, com exceção do Irã. Os sunitas têm uma posição menos radical em relação às transformações pelas quais vêm passando a cultura e a economia destes países, aceitando-as com menor resistência. Por sua vez, os xiitas, constantemente chamados de fundamentalistas buscam defender os fundamentos expostos no Alcorão, sendo por isso mais avessos ao sistema político e econômico do ocidente.

Durante o século XX, muitos grupos tentaram fazer da religião islâmica o ponto fundamental para criar a identidade nacional destes povos, buscando, inclusive, a unificação de todos os povos muçulmanos árabes da região em um único país, que ficou conhecido como pan-arabismo. Se o islamismo já tinha a guerra santa como princípio, a busca de reforçar o papel da religião como fundamento para a identidade nacional, acabou aprofundando as tensões dos povos islâmicos em relação aos cristãos e judeus presentes no Oriente Médio.

Até a Segunda Guerra Mundial, o domínio europeu sobre estas regiões foi se arrastando. Após isso, com o enfraquecimento das potências europeias e, consequentemente de todo o domínio colonial no mundo, estes povos começaram a conquistar suas independências.

Ao contrário do que havia acontecido na Europa, o modelo de estado-nacional não havia se formado ali, mas acabava sendo emprestado de fora. Desta maneira, a busca por formar identidades nacionais acabou levando a grandes discórdias, e consequentemente, a grandes guerras.