Patrimônio: Sua função social e ambiental


Quando paramos para refletir sobre o status da humanidade na contemporaneidade em relação a alguns séculos atrás, os resultados são bastante impressionantes.

Em pouco mais de um século, a população mundial apresentou um salto populacional considerável. Graças aos avanços tecnológicos, que possibilitam a produção de comida, vestuário e diversos outros bens de consumos, sejam eles duráveis ou não duráveis, em conjunto com os avanços da medicina, que conseguiu erradicar uma série de doenças endêmicas, nós nunca fomos tanto e vivemos tanto quanto hoje.

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No entanto, se por um lado esse desenvolvimento da humanidade é positivo por muitos lados, por outros apresenta diversos aspectos negativos. A devastação do meio ambiente é um desses aspectos, assim como a dificuldade de acesso à água e a comida em diversas regiões do Brasil e do mundo, além do grande abismo que existe entre as classes sociais, causando a desigualdade social.

Diante deste panorama, cresce cada vez mais o debate em torno da responsabilidade que empresas dos diversos portes e tamanhos têm na tarefa de ajuda na construção de um mundo, tanto em sua função social quanto em sua função ambiental. É justamente sobre este assunto que iremos refletir neste assunto, iniciando pela questão que tange ao meio ambiente.

Função ambiental

Durante muito tempo, o homem viveu em plena harmonia com a natureza, permitindo que utilizasse seus recursos naturais sem causar nenhum desiquilíbrio ambiental. No entanto, com o capitalismo e a revolução industrial, caiu por terra este equilíbrio.
Isso porque diversas instituições passaram a produzir bens que, apesar de necessários para as sociedades ao redor do mundo, eram manufaturados a qualquer preço e sem qualquer preocupação de ordem ambiental, pois o único interesse era o lucro, tão maior quanto fosse possível. O resultado disso foi que, hoje, tanto homem quanto natureza estão ameaçados.

Os interesses e preocupação ambiental por parte das empresas começaram a surgir na década de 80, quando diversas cidades ao redor do mundo começaram a apresentar índices de poluições extremamente preocupantes, capazes de ameaçar a qualidade de vida e bem-estar de seus moradores.

Assim, o grande desafio que se apresenta hoje as empresas ao redor do mundo e aliar uma produção eficiente, quer de serviços, de bens duráveis ou não duráveis, a responsabilidade ambiental, de forma a causar o mínimo de danos possíveis ao planeta. Não é necessário ser nenhum especialista para deduzir que se trata de uma tarefa altamente complexa, pois ser sustentável e ao mesmo tempo ser capaz de atender as necessidades e desejos de 7 bilhões de pessoas parece não condizer com a realidade. Felizmente, é possível.

Diversas iniciativas vêm sendo postas em práticas por órgãos e instituições nacionais e internacionais para fazer com que patrimônio e meio ambiente possam andar juntos novamente. Exemplos disso são os selos e certificados ambientais, muito desejado pelas empresas pois possuem grande apelo junto ao consumidor, e os incentivos fiscais dado pelas três esferas governamentais para as empresas que seguem boas práticas ambientais.

Apesar de ainda haver muito a ser conquistado e verdadeiros absurdos a serem combatidos, como a desmatamento constante da Amazônia para a mineração, extração ilegal de madeira e mineração, e a privatização de uma grande parte da pouca área preservada que restou da mata atlântica, tudo indica que estamos no caminho certo.

Função social

Esta é uma função tão importante quanto a ambiental quando falamos de patrimônio, pois lida diretamente com o bem-estar das pessoas.

Uma teoria bastante interessante para pensamos na função social das empresas é a de células. Assim como as células do corpo influenciam e recebem influência umas das outras, o mesmo ocorre entre empresas e comunidade. Um corpo normal e saudável necessariamente possui células saudáveis, e basta um simples desiquilíbrio em apenas uma célula para que o corpo fique doente, como o câncer, que é desencadeado por uma mutação que ocorre a nível celular.

Assim, quando apenas uma empresa vai bem dentro, ela e capaz influenciar diversas outras empresas no contexto em que estão inseridas. Por exemplo, uma empresa próspera, que trata seus colaboradores com respeito e de forma justa, lucra mais. Lucrando mais, sobra receita para apoiar causas sociais, dirigidas por outras empresas, normalmente ONGs. Essas ONGs são capazes de melhorar a vida de muitas pessoas, contribuindo para a geração de emprego, a contribuição com impostos governamentais e crescimento de outras empresas, e nesta dinâmica continua todos ganham.

Assim, entender a função em questão e bastante simples. Se uma empresa aumenta seu patrimônio, também ocorre a expansão da função social, sendo o contrário também verdadeiro. Como no Brasil a grande maioria das empresas é constituída de microempreendedores individuais e pequenas empresas, os esforços devem ser voltados a estas células sociais.

Dessa forma, governo e instituições privadas de grande influência devem trabalhar em conjunto para despertar nos empresários e na comunidade como um todo a importância social e ambiental que o patrimônio tem.