População da Guiana Francesa


O extremo norte do Brasil, na cidade de Oiapoque, faz fronteira com a Guiana Francesa. Seu nome original é Departamento Ultramarino da França e não é uma nação independente e sim uma possessão francesa. A população da Guiana Francesa é composta por uma grande variedade de culturas, devido à forma como ela foi colonizada, que inclui mestiços de índios, negros e europeus, minorias asiáticas e brasileiros.

População da Guiana Francesa

A língua oficial é francesa e a moeda oficial o Euro, por estar atrelada a Europa. A maior parte do país é constituída por mata, praias e ilhas paradisíacas, que tem muitas belezas naturais que elevam o turismo na região, com pessoas em busca de seus bosques tropicais, flora e fauna típica. Além do turismo, a população vive de agricultura, pesca, extração de madeira e minerais mas, economicamente, ainda é totalmente dependente da França.

Como foi criada a população da Guiana Francesa

A Guiana Francesa tem estatuto de região administrativa, mas nunca teve de fato uma soberania e tem em seu território uma sucessiva gama de disputas. Sua primeira ocupação foi feita pelos índios aruaque, seguido pelo espanhol Vicente Yáñes Pinzón. Foi então o começo de várias invasões de ingleses, espanhóis, holandeses, portugueses, e por fim a França. Foi Daniel de La Touche, o mesmo criador de São Luís do Maranhão, quem reivindicou a área que só foi anexada de fato em 1900. A região é a única pertencente à União Europeia da América do Sul e possui os mesmos direitos de todos os outros de posse da França.

Os ameríndios foram os primeiros a implantar sua cultura e civilização na região e permaneceram constituindo a maior parte da população por mais de 400 anos. São as várias civilizações indígenas que disputam territórios e perseguem os habitantes, causando uma mistura de línguas cada vez maior como a tupi-guarani, aruaque e carib.

Sua presença sempre foi muito marcante, mas a suprema maioria foi dizimada pelas sucessivas colonizações, escravização, armas e doenças. Hoje restam somente 9 mil índios que conseguiram resistir a todas as colonizações e dizimações que enfrentaram. A maior parte deles vive em áreas protegidas e separadas pelas suas civilizações e línguas.

Mesmo que os primeiros brancos a chegarem no local para colonizar a terra tenham sido espanhóis, os franceses sempre tentaram se instalar, começando ainda em 1503. Inclusive eles se sentiram no direito de explorar a nova terra, por ela não fazer parte do Tratado de Tordesilhas, que a desconhecia. Até que em 1652 os colonos franceses foram dizimados pelos índios e as doenças tropicais, fortalecidos pelo excesso de tirania dos colonizadores que se baseavam em humilhações e perseguições.

Depois de centenas de tentativas de colonização e instalações de outros povos como os holandeses, a Guiana Francesa começou a desenvolver sua agricultura com a exportação de algodão, cana de açúcar, índigo, café, especiarias, madeiras e baunilhas, com a força do trabalho de escravos africanos, até que foi abolida pela França após sua Revolução. A descoberta do outro tornou a disputa entre França e Holanda mais intensa, atraiu ainda mais pessoas de diversas partes do mundo e dizimou grande parte da população ameríndia.

A Guiana Francesa também foi uma colônia penal, para onde eram levados presos para trabalhos forçados. O complexo de presídios da Ilha do Diabo possuía um tratamento desigual e desumano, que serviu de inspiração para o livro e filme Papillon, de Henri Charrièrre.

A população hoje

Com uma mistura tão grande de culturas vindas de inúmeras civilizações em toda sua trajetória, a população da Guiana Francesa é de 80% mestiços de brancos com negros, negros com índios e índios com negros. Há também um grupo menor de índios, negros descendentes de escravos fugitivos, asiáticos da China, Laos e Índia, franceses, libaneses e brasileiros que chegaram ao local em busca do ouro.

Os dados mais recentes indicam uma população total de 289.206, sendo 144.775 de homens e 144.431 de mulheres, num equilíbrio entre gêneros em todas as etapas. A taxa de crescimento é pequena, porém estável, sendo praticamente a mesma desde 2008, mas a população vem crescendo a cada ano.

O crioulo é o dialeto mais comum da população, seguidos pelo carib, mas a língua oficial é a francesa. A maioria da população é católica, 85% das pessoas são alfabetizadas e curiosamente só 5% de todo o território da Guiana Francesa é ocupado, a maioria nas áreas litorâneas, e o espaço vazio principal é mata amazônica.

A Guiana possui baixo nível de vida, com graves problemas estruturais que fazem com que ocupe a 47ª posição dentre os países que estão abaixo da linha da pobreza. Uma porcentagem de 35% da sua população vive sob condições precárias de subsistência.

O termo “linha da pobreza” descreve grupos sociais em que o nível de renda anual está abaixo do mínimo necessário para custear seus recursos de sobrevivência. Não há um consenso sobre o melhor critério a ser adotado para sua definição, mas o mais aceito é o criado pelo Banco Mundial que estabelece um dólar por dia por pessoa.

Sua economia principal é a pesca, extração mineral de bauxita e ouro. Mesmo sendo considerada uma região pobre, atrai haitianos, surinameses e brasileiros pela possibilidade de receber em Euros e almejar enriquecer com a mineração. Já a gastronomia tem influências chinesa, crioula, africana e brasileira, é recheada de especiarias, principalmente com a pimenta, e é bastante cosmopolita.