Resumo da Nova Ordem Mundial: A internacionalização e financeirização da economia


Um dos pilares do processo de globalização é a internacionalização da economia. No entanto, essa internacionalização vem ocorrendo há muito tempo, desde os grandes descobrimentos do século XV. A novidade das últimas décadas não é um aumento do flux de mercadorias entre os países, como muita gente acredita. Na verdade, o crescimento desse fluxo foi o menos desde a década de 70 do que havia sido até então.

O que há de novo em termos de internacionalização da economia é o aumento do fluxo de capitais e não de mercadorias. Este aumento está ligado a um processo que denominamos de financeirização da economia. Isto é, as atividades financeiras vêm ganhando ais importância que as atividades de produção e de comercialização de produtos.

A internacionalização e financeirização da economia

Por outro lado, esse processo de financeirização tem como uma de suas causas o próprio aumento das relações econômicas internacionais, uma vez que este aumento trouxe consigo certas necessidades de regulamentação das atividades econômicas que privilegiaram o capital financeiro no contexto da economia mundial.

Com o tempo, acabou se tornando necessário, o estabelecimento de algumas regras econômicas comuns entre os participantes dessa economia. Uma dessas regras é o sistema internacional de pagamentos, que é a regulamentação dos valores das moedas nacionais e de sua equiparação. Sabemos que o dinheiro, para ter valor, tem que ter um lastro, ou seja, alguma riqueza que ele represente. Até o início do século XX, o lastro usado na maior parte dos países era o ouro. Cada moeda nacional tinha o seu valor expresso em ouro, na qual a conversão entre as moedas era realizada com base e, seu valor em relação ao ouro. Quando mais ouro um país possuísse, maior seria o valor de compra de sua moeda.

No final da Segunda Guerra Mundial, este sistema estava destruído, já que quase 80% das reservas de ouro do mundo estavam nos Estados Unidos, que tinham exportado intensamente durante o período de guerra. Para que continuasse havendo uma economia internacional, na qual um país pudesse exportar seus produtos a outro, foi realizada uma conferência, na qual se decidiu pela formação de um novo sistema internacional de pagamentos, ou seja, o padrão dólar-ouro.

A expansão de dólares pelo mundo financiou a conjunta expansão das multinacionais, que passaram a operar na maior parte dos países. Ampliaram-se os fluxos de empréstimos e de aplicações financeiras entre as empresas, os bancos e as bolsas de valores de todo o mundo. Multiplicaram-se assim, as possibilidades para os investidores ganharem dinheiro. Auxiliados por escritórios especializados em descobrir quais serão os melhores investimentos a cada momento, os controladores do dinheiro jogam suas reservas de um lado para o outro, comprando e vendendo ações de empresas, moedas ou títulos das dívidas dos Estados nacionais, conforme a alta ou a queda dos rendimentos que proporcionem. As operações dos investidores podem trazer graves consequências às economias de cada país, já que eles se guiam pela especulação financeira. Acontece que um pequeno grupo de grandes investidores internacionais começa a desconfiar que a economia de um país ou de uma empresa não vão muito bem, todos decidem vender as ações da empresa ou as moedas e os títulos das dívidas dos países. A venda em massa desses papeis acaba levando a sua desvalorização.

Outro elemento fundamental para a ampliação do papel das finanças na economia foi a ascensão de políticas neoliberais que controlam muito pouco a entrada e a saída de dinheiro do país. A crise do modelo keynesiano de controle da economia levou a uma grande desregulamentação, o que favoreceu o aumento dos fluxos de capital especulativo entre os países e no interior deles. Essa desregulamentação é mais um problema que a adoção do modelo neoliberal traz para a sociedade como um todo. Como a aplicação do dinheiro no mercado financeiro envolve um grande fator de especulação que se baseia na confiança que os investidores têm em cada empresa ou país, os governos têm de se desdobrar para agradar suas expectativas. Esse processo acaba favorecendo apenas os grandes investidores, que podem fazer com que economias de um país inteiro fiquem à mercê de suas necessidades de se obter rendimentos.

As transacionais

Desde a década de 60, a ação das multinacionais vem se transformando. Em primeiro lugar, a imensa maioria das grandes empresas atualmente faz parte de algum truste, ou seja, existe uma empresa principal, chamada de holding, que tem o controle acionário de uma série de empresas, como indústrias de diversos ramos, bancos, atividades comerciais e de serviços. O objetivo dessa organização é aumentar as possibilidades de rendimento das empresas por meio da diminuição dos riscos que se dá por três mecanismos principais, a saber: pela diversificação das atividades, pelo controle de várias etapas de produção e pelo controle de várias fatias do mercado.