Saneamento Básico e a Poluição Hídrica


Os rios são altamente capazes de depurar as águas, isso significa que eles podem transformar uma fonte poluída em um recurso hídrico puro. Esse processo se dá por meio da oxigenação que acontece em quedas d’água e com o fluxo de água mais limpa, que vem de afluentes e subafluentes. Contudo, ainda com tamanho potencial de depuração, as águas que ficam mais próximas à superfície sofrem bastante com inúmeros agentes poluidores. É importante destacar que a polução pode ser gerada nas indústrias e em várias outras atividades urbanas.

Saneamento Básico e a Poluição Hídrica

Já em suas nascentes, os rios são modificados por diferentes causas como para gerar energia e permitir navegação. Também há alterações estabelecidas pelos resíduos sólidos que contaminam a água bem como pelos sistemas de esgoto. Esses dois elementos contribuem para o que chamamos de poluição hídrica.

Desde a metade do século XX, o Brasil entrou em um período de industrialização tardia, o que levou ao crescimento das cidades. Em decorrência às possibilidades de emprego nas fábricas, muitos indivíduos deixaram as regiões rurais em direção aos novos centros urbanos. Observa-se ainda uma enorme potencialidade para a criação de planos hidrelétricos no país. Tal força está relacionada às características naturais como o clima úmido presente na maior parte do território e a abundância de rios perenes. O grande volume de água é ideal para atender a população, bem como para práticas agropecuários também.

No entanto, os administradores e demais responsáveis aparentemente não entendem que a água não é um recurso infinito mesmo que renovável. É verdade que o Brasil está em uma posição privilegiada pelos fatores naturais citados, mas o mau uso dessas fontes pode ter consequências graves. A formação de metrópoles e o tipo de utilização dos espaços urbanos trouxe a perspectiva de falta d’água, inclusive em zonas que não sofrem com déficit hídrico. Isto é, em regiões em que a evaporação é maior do que o volume de chuva. Sendo assim, é notável que as oscilações no clima provocadas por fenômenos sazonais como El Niño e La Niña não são os principais responsáveis pelo menor oferecimento de água potável. O grande problema está na defasagem entre o consumo dessa água e o poder de reabastecimento e depuração tanto dos rios quanto dos reservatórios.

  • A oxigenação é essencial para a depuração, processo que purifica a água;
  • A expansão das cidades, consequência da industrialização, aumentou a quantidade de lixo nos rios;
  • O Brasil é um país muito rico em fontes de água doce, porém sofre com a sujeira dos rios;
  • Com o grande consumo, a possibilidade de faltar água potável no país é real.

E a escassez de água faz parte de um cenário preocupante que engloba o saneamento básico na nação.

O problema do saneamento básico no Brasil

Saneamento básico é a terminologia empregada para descrever os serviços relacionados à coleta e tratamento dos esgotos. Ele inclui ainda o fornecimento de água potável o recolhimento do lixo e a limpeza dos espaços públicos. De acordo com um estudo conduzido pelo Ministério das Cidades em 2010, somente 46% dos cidadãos brasileiros dispunha de uma coleta de esgoto efetiva. E o mais grave: no Norte, onde se encontram a maior parcela da reserva nacional de água doce, o estudo mostra que só 6,2% das residências são atendidas pelas coletas de esgoto.

Tais dados representam as condições extremamente precárias de habitação de milhões de brasileiros. Com isso, as pessoas têm sua qualidade de vida comprometida, estando sujeitas o tempo todo a problemas de saúde pela água contaminada e pelo lixo. A mesma pesquisa demonstra que apenas 6 dos 100 maiores municípios do Brasil chegam a tratar mais de 80% do seu esgoto. São elas:

  • Curitiba-PR;
  • Jundiaí -SP;
  • Maringá-PR;
  • Niterói-RJ;
  • São José do Rio Preto-SP;
  • Sorocaba-SP.

Entenda a seguir os efeitos do baixo investimento em saneamento básico nos recursos hídricos do Brasil.

A relação ente o saneamento básico e a poluição hídrica

Hoje, a sociedade habituou-se a rios que lembram esgotos ao ar-livre, especialmente aqueles situados perto das grandes cidades. Todos os dias, as águas são poluídas por toneladas de resíduos com origens variadas. Em geral, a sujeira em questão não é natural, mas sim resultado do acúmulo de substâncias como fósforo e nitrogênio. Essas matérias orgânicas dão origem ao fenômeno de eutrofização, que não deixa a luz do sol passar. Por isso, os rios poluídos não oxigenam de forma adequada e se tornam impróprias para o consumo humano. O odor bastante forte das fontes contaminadas vem das toxinas liberadas por bactérias anaeróbias que agem na decomposição dos dejetos. Ou seja, pode-se afirmar que a falta de saneamento básico é o motivo mais significativo da poluição hídrica, afetando o abastecimento de água potável dos brasileiros.

  • Com a matéria orgânica jogada nos rios, o processo de depuração não acontece com tanta facilidade;
  • As bactérias que decompõem o lixo fazem com que a água tenha um cheiro forte e não possa ser bebida.