O Ciclo do Açúcar na Economia do Brasil Colônia


Enquanto o Brasil estava sob domínio dos portugueses, um dos traços mais marcantes da nossa economia era o fato de poder ser dividida em ciclos, nos quais cada época tinha um produto que mais se destacava e mais servia para a exploração dos colonizadores.

Ciclos da economia colonial brasileira

Nesse sentido, o ciclo do Pau-brasil foi o primeiro daquele período. Essa madeira foi o primeiro produto que os portugueses utilizaram para exportar para Veneza, Florença, Espanha e outros destinos. Tanto a madeira em si, quanto a tinta proveniente dela eram muito bem recebidas na Europa, e o ciclo durou de 1530 até, aproximadamente, 1555, quando o Pau-brasil começou a ficar escasso demais para ser o principal foco da economia.

ciclos da economia colonial brasileira

Depois do ciclo do Pau-brasil, veio o do açúcar (que você compreenderá melhor a seguir) e da mineração. Tivemos também os ciclos da pecuária e do café, que foram bem marcantes. Mas lembre-se de que um ciclo econômico não começa e nem acaba de uma hora para a outra. Tanto o início, quanto o fim dependem de vários fatores e da situação da economia naquele momento. E o “fim” normalmente significa, na verdade, uma redução drástica da produção e comércio daquele produto.

Ciclo do açúcar: economia

Agora que você já sabe basicamente como foi a economia do período colonial, saberá mais detalhes e entenderá melhor o funcionamento do ciclo do açúcar, que perdurou do século XVI até meados do século XVIII.

A produção de açúcar no Brasil começou na década de 1530, quando as primeiras expedições colonizadoras começaram a ser enviadas de Portugal. Martim Afonso de Souza, líder de uma dessas expedições, foi quem trouxe mudas de cana-de-açúcar em 1533, sendo o responsável pelo estabelecimento do primeiro engenho, na cidade de São Vicente, que corresponde ao litoral de São Paulo.

Embora o primeiro engenho tenha sido montado em São Paulo, o grande centro do ciclo do açúcar foi a região do nordeste, especialmente uma faixa litorânea que ia do Rio Grande do Norte até a Bahia. Os estados nos quais mais se produzia açúcar eram a própria Bahia e Pernambuco.

Esse fato fez com que o nordeste fosse o foco do Brasil, tudo que havia de mais importante estava lá, tanto do ponto de vista econômico, quanto social e político.

Mas não pense que o ciclo do açúcar começou sem ter nenhuma razão, vários fatores fizeram com que esse produto fosse o escolhido pela Coroa Portuguesa:

• O solo, chamado de massapê, era fértil e propício para o cultivo de cana-de-açúcar, o que ajudaria a aumentar e melhorar a qualidade da produtividade;

• Portugal já tinha experiência com esse produto. Para se ter uma ideia, no século XV, suas colônias já produziam açúcar o suficiente para suprir a demanda da Inglaterra, de algumas cidades italianas, da região dos Flandres e da própria metrópole;

• A Europa era um excelente mercado consumidor de açúcar. O produto estava começando a ser usado para adoçar os alimentos e era muito bem recebido;

• Esse cultivo trazia resultados rápidos, afinal, após plantar a cana-de açúcar, a partir do segundo ano já era possível começar a extração.

Os engenhos eram os locais onde o açúcar era produzido. No início, esse termo era usado para designar apenas as instalações e o maquinário, mais tarde, as grandes propriedades que fabricavam o produto começaram a ser chamadas de engenhos. Elas contavam com uma casa grande, onde viviam os patrões; uma capela; a senzala; casas de trabalhadores livres que porventura pudessem existir; canaviais e a fábrica de açúcar.

Só para se ter ideia, os maiores engenhos chegavam a ter milhares de habitantes! Essa foi uma das épocas em que a mão de obra escrava mais foi explorada. Os escravos chegavam da África nos grandes navios negreiros e eram comercializados como se fossem objetos. Viviam em condições sub-humanas de higiene e acomodação, e comiam apenas o mínimo necessário para que pudessem sobreviver e trabalhar.

O fim do ciclo do açúcar

A economia açucareira sustentou o Brasil (melhor dizendo, a Coroa Portuguesa) até o século XVIII. Mas antes disso, em meados do século XVII, já começou a entrar em decadência.

As invasões holandesas foram um dos principais motivos que colocaram fim no ciclo do açúcar. Quando a Holanda invadiu o Brasil (dominando a região com maior número de engenhos), Portugal estava sob domínio espanhol, que, por sua vez, tinha uma rixa com os holandeses.

Quando Portugal se livrou do domínio espanhol (1640) e, 14 anos mais tarde, conseguiu expulsar os holandeses, a produção de açúcar em outras colônias já tinha superado a brasileira, portanto, o Brasil não era mais o exportador mais importante desse produto.

Até houve uma tentativa de fortalecer novamente o ciclo do açúcar, mas acabou sendo inútil, não era mais algo lucrativo. É assim que esse ciclo acabou e deu lugar ao ciclo do ouro.