Resumo da Idade Moderna: Conflitos entre elites e as diversas disputas por interesses


No processo de concentração de poderes nas mãos de alguns grupos sociais ou ainda de alguns indivíduos do período moderno, foi regra o surgimento de lutas, competição, às vezes, seguidas de consenso, de imposição de ideias, de demonstrações de oportunismo e clientelismo por parte das elites.

Desde o início do século XVI, as elites econômicas e políticas europeias se engalfinharam em contínuos confrontos pela exploração das riquezas e espaços de exploração capitalista. Somente diante das ameaças e de revoltas populares ou projetos antielitistas, que era considerado o inimigo número um a ser enfrentado, é que adiavam suas disputas internas e os confrontos.

Resumo da Idade Moderna

As disputas europeias pela colônia portuguesa na América

Desde o momento em que Pedro Álvares Cabral, o domínio que Portugal exercia sobre a colônia da América passou a ser ameaçada por outros países da Europa. Nem mesmo, em 1549, a instauração dos governos gerais e a implantação bem-sucedida do empreendimento açucareiro conseguiram afastar as incursões estrangeiras que, ao contrário, passaram a aumentar durante o século XVI e o século XVII. A União Ibérica representou o período em que Portugal e as suas colônias estiveram sob o domínio da Espanha, o que acabou atraindo os inimigos europeus dos castelhanos para o Brasil, já que eles estavam descontentes com a sua hegemonia, sobretudo holandeses e franceses.

No início do século XVI, os franceses, que estavam contrabandeando pau-brasil no litoral do Brasil, acabaram fundando no ano de 1555, uma colônia mal-sucedida no Rio de Janeiro, que ficou conhecida como França Antártica. Doze anos depois, eles acabaram expulsos por Mem de Sá, o governador geral, mas intensificaram sua presença no litoral brasileiro do Nordeste. Assim, de maneira frequente e constante, e contando com a ajuda de nativos, os franceses obrigaram as autoridades portuguesas a organizar diversas expedições militares para a sua expulsão.

Descontentes, os franceses ainda tentar organizar uma nova colônia no Maranhão, chamada de França Equinocial, fundando na região o forte de São Luís. Em 1710 e em 1711, também foram feitas novas tentativas. Todas elas, no Rio de Janeiro, acabaram fracassando, já que eles foram expulsos pelas expedições militares portuguesas. Resolveram então, orientar suas investidas no extremo norte do Brasil, passando a ocupar o território que atualmente conhecemos como Guiana Francesa.

O desenvolvimento comercial dos Países Baixos, que também incluíam o território da atual Bélgica e a adoção do protestantismo calvinista pela maior parte da população, impulsionando ainda mais suas atividades econômicas, foram fatores que levaram as elites mercantis flamengas a lutar pela autonomia política diante do domínio católico e espanhol. No ano de 1581, através da criação da República das Províncias Unidas foi criada, e teve sua sede instalada em Amsterdã.

Os Países Baixos, em decorrência da União Ibérica, acabaram por estender sua inimizade pelos espanhóis ao império Luso. Nesse mesmo contexto, ficou proibido que as colônias hispânicas realizassem comércio com os Países Baixos, fato imposto por Filipe II da Espanha, e que ainda incluía o embargo à participação flamenga no empreendimento açucareiro do Brasil, o que levou, no ano de 1602, que os holandeses fundassem a Companhia das Índias Orientais, que era destinada a manter suas relações tradicionais e comerciais com os domínios ibéricos. Essa atuação acabou incluindo a conquista de domínios espanhóis na Ásia e também na África, e saques na costa do Brasil, assumindo assim boa parte do tráfico de escravos africanos.

Essa situação de confronto com os Países Baixos só chegou ao fim no ano de 1648, quando a Espanha finalmente reconheceu a independência da nova república, o que acabou enfraquecendo o poderio espanhol. No entanto, essa situação foi agravada em 1588, no conflito com a Inglaterra, com a perda da Invencível Armada.

Os Países Baixos, acabaram obtendo uma trégua durante 12 anos, quando os espanhóis e os holandeses retomaram a ofensiva militar, e em 1621, fundando a Companhia das Índias Ocidentais, uma empresa que era destinada a garantir o controle sobre o comércio do açúcar brasileiro, bem como tentar se apossar dos domínios ibéricos na costa africana e americana.

No ano de 1625, os holandeses acabaram sendo expulsos, depois de uma tentativa de invasão a Salvador, que foi patrocinada por essa empresa. Dois anos depois, voltaram a atacar o estado da Bahia, saqueando um carregamento de fumo, de açúcar e alguns outros produtos. No ano de 1626, os holandeses conseguiram alguns recursos com o aprisionamento de um grande carregamento de prata nas proximidades de Cuba, o que acabou servindo para que em seguida, uma mais nova e mais poderosa incursão chegasse ao país. No ano de 1630, uma grande expedição invasora acabou sendo organizada, e atacou a principal área produtora de açúcar existente no Brasil colônia, ou seja, a região de Recife e de Olinda, local onde permaneceram por aproximadamente 25 anos.