Civilização Bizantina


No século V, o Império Romano sofria diversas invasões bárbaras, que corroíam a estrutura política e social do Estado. Além disso, muitos grupos estavam disputando internamente pelo poder de Roma.

Civilização Bizantina

O período de decadência de Roma fez com que surgisse no Oriente, na antiga colônia grega de Bizâncio, o Império Bizantino, cuja capital era Constantinopla. Essa divisão do Império Romano tinha um comércio bastante desenvolvido devido a sua localização privilegiada. A capital ficava em um território que ligava caminhos para a Europa e a Ásia, entre o Mar Egeu e o Mar Negro, nas margens do estreito de Bósforo. Por oferecer muitos recursos, diversos povos se instalaram na região, possibilitando um crescimento rápido.

A prosperidade da civilização bizantina crescia rapidamente, ao mesmo tempo em que o Império Romano Ocidental sucumbia. Foi apenas no século XV que o Império Bizantino cedeu às pressões e caiu, quando turcos otomanos invadiram Constantinopla. Continue lendo para conhecer mais sobre a civilização bizantina.

Aspectos culturais

A cultura foi bastante rica durante todo o período de existência dos bizantinos. A arquitetura, a escultura e a pintura produziram grandes obras. Além disso, um alfabeto foi desenvolvido, chamado cirílico. O nome se deve a um dos seus criadores, o monge Cirilo, que juntamente com o companheiro Metódio desenvolveram a escrita.

A Arte Bizantina foi influenciada por grandes povos, como os gregos, romanos antigos e civilizações da Ásia Menor. Até hoje podemos ver um exemplo da grandeza das obras nas famosas decorações de igrejas. Os arquitetos utilizaram a herança romana para criar um estilo único. Os planos, as dimensões e outros elementos que constituem as basílicas romanas marcaram a tradição bizantina, como é possível ver na famosa Igreja de Santa Sofia.

A pintura era essencialmente decorativa, e representava santos, anjos e figuras importantes da civilização bizantina. O tom das imagens era marcado pelas poses estáticas e expressões de benevolência e misticismo. A mesma linha decorativa seguia a escultura, que era feita com marfim, vidro e ouro. Os escultores também eram especialistas em baixo-relevo em edifícios.

A força artística era tão forte que Constantinopla tornou-se um celeiro cultural, com muitos artistas vindos em busca de inspiração. A cultura helenística desempenhou um papel importante na forma como os bizantinos viam o desenvolvimento das obras. O grego era até considerado um segundo idioma.

A literatura também foi rica, com muitas obras de qualidade em prosa e verso. O cuidado com os livros era extremo, tanto no conteúdo como na forma. Os artistas se preocupavam em desenhar iluminuras e fontes de alto valor estético.

A sociedade bizantina possuía uma estrutura rígida, com o imperador e sua família como soberanos. Abaixo, vinham seus assessores e a nobreza. Em seguida o alto clero e, depois, a elite, que era formada por fazendeiros ricos, donos de oficinas artesanais e comerciantes. Abaixo dessa estrutura piramidal estavam as camadas média e baixa, compostas por trabalhadores das oficinas artesanais, agricultores, camponeses e escravos.

O auge da civilização bizantina foi durante o reinado de Justiniano, que transformou o Império Bizantino em um dos estados mais poderosos do Mediterrâneo no Período Medieval. No seu reinado surgiu o Corpus Juris Civilis, uma formalização do Direito, criado por uma comissão de juristas nomeada por Justiniano. Ele preocupou-se em decodificar o Direito Romano, elaborando uma nova forma de instituição jurídica sem as contradições e omissões dos antepassados. A obra da comissão de Justiniano era dividida em quatro partes: Digesto, Institutas, Novelas e Pandeclas. Esse corpo jurídico foi tão importante que sobreviveu ao tempo, e foi a base para a criação de quase todas as legislações modernas.

Política e economia

A forma de governo da civilização bizantina era teocrática e absoluta, num bloco político-eclesiástico. O imperador era o soberano que governava junto com uma estrutura burocrática, que era responsável por fiscalizar as áreas importantes do país.

O imperador detinha o poder temporal e espiritual, de maneira que era chefe não só do Estado como da também Igreja Cristã. O nome dado a isso é cesaropapismo. Foi por causa do acúmulo de poder que houve o Cisma do Oriente, em 1054, um episódio importante na história dos países cristãos. O Papa, que devia ser o chefe supremo do catolicismo, entrou em conflito com o imperador bizantino. Este, ao negar a submissão a Roma, declarou a sua igreja como independente, dando origem ao cristianismo ortodoxo.

O crescimento do Império Bizantino se deu principalmente pelo comércio. Devido a localização, as atividades comerciais trouxeram rapidamente a urbanização. Entre os principais produtos vendidos estavam os perfumes finos, peças de vidro, porcelana e tecidos de seda. Como eram produtos vindos da Ásia, as pessoas ricas da Europa os compravam pagando muito dinheiro.

O governo inspecionava as atividades econômicas controlando a qualidade e a quantidade da produção das corporações de ofício. O Estado também tinha negócios nas áreas de metalurgia, tecelagem, armamento e pesca. A agricultura também era uma grande fonte de renda, por causa dos grandes latifúndios. Mas as atividades agrícolas não rendiam o suficiente, e, como 90% da população bizantina viviam no campo, havia muita escassez e crises de abastecimento no Império.