Grandes navegações


Introdução

Você certamente já deve ter visto aqui no “Resumo Escolar” diversos artigos a respeito das grandes navegações. Mas, por ser um assunto tão importante, não custa nada relembrá-lo, não é mesmo? Então, vamos lá.

Definidas como um importante fato histórico, as grandes navegações podem ser utilizadas a fim de explicar diversos fenômenos, entre os quais a própria história do Brasil, isso mesmo, você não leu errado.

Antecedentes europeus

No primeiro tópico de nosso artigo iremos abordar os antecedentes europeus, ou seja, o contexto econômico, histórico e social da Europa que antecedeu a esse importante acontecimento marítimo.

navegações

Dando início a essa discussão acompanhe a pergunta: Por que alguém se submeteria a entrar em uma embarcação e depois atravessar o mar cheio de perigos e fatos desconhecidos, a fim de encontrar temperos?

Parece meio doido, não é mesmo? Por isso, antes de entender as grandes navegações deve-se compreender os fenômenos que estavam acontecendo na Europa naquele período.

O primeiro, e um dos mais importantes fenômenos sobre o qual devemos voltar nosso olhar é o período de transição da época. Oscilava-se entre a Idade Média e a Idade Moderna, e, essa passagem vem carregada de transformações, por exemplo, nesse período vive-se a chamada “crise institucional da Igreja Católica”.

A crise sobre a qual nos referimos não está relacionada à religião, ou mesmo, a fé, mas sim a Igreja enquanto Instituição, que nesse momento passa a ser fortemente questionada. Aquilo que a população da época buscava – dúvidas e anseios – já não era mais respondido pela Igreja, as informações fornecidas já não eram suficientes. Sendo assim, novas buscas eram necessárias, e, dentro disso surgem as grandes navegações.

Historicamente esse período recebe a denominação de “ANTROPOCENTRISMO” (o homem como centro das explicações), uma nova forma de pensar que vem para substituir o “TEOCENTRISMO” (Deus é o centro de toda e qualquer explicação), raciocínio difundido durante a Idade Média. Mas atenção para um detalhe importante: toda essa transformação não significa que as pessoas deixaram de crer em Deus, ou mesmo, deixaram de ter fé.

Retomando o raciocínio anterior, certamente você poderá perceber que já que o homem passa a ser o centro de todas as explicações, é natural que ele queira sair em busca do desconhecido. Aqui respondemos a questão feita ainda no início do tópico.

Outros acontecimentos

Aliado a “crise institucional da Igreja Católica” cita-se mais um fenômeno conhecido como o “advento das relações capitalistas”. Mas vá com calma, o capitalismo ao qual nos referimos não é o mesmo que conhecemos hoje, àquela época esse sistema econômico era mais primitivo e simples e veio unicamente para fazer com que as “sobras” fossem revertidas em algum lucro. Denomina-se o sistema da época de “MERCANTILISMO”.

É importante ainda refletirmos sobre duas importantes informações que nos remetem a questão do tópico anterior: 1ª) uma coroa bem sucedida é aquela que acumula metais e pedras preciosas; 2ª) a balança comercial do Estado deve ser favorável, portanto, o que entra não pode ser menos do que o sai. Sendo assim o homem vai atravessar o mar em navios a fim de manter tal estabilidade econômica.

Espanha e Portugal: Pioneirismo e destaque

Dois dos primeiros países a iniciarem as grandes navegações foram Portugal e Espanha. Dentro desse contexto é possível observar algumas características comuns entre esses dois países. A primeira delas é uma “centralização política precoce”, ou seja, ambos foram os primeiros a formar Estados com monarcas centralizadores.

Então, você pode estar se questionando: o que isso tem haver com as grandes navegações? Bem, o Estado torna-se fonte essencial no financiamento para construção de embarcações e realização dessas viagens, sem ele, provavelmente, seria inviável tais acontecimentos.

Aliado a isso surge um grande interesse pela Índia, país com a maior variedade de especiarias, as quais não tinham o único fim de dar sabor aos alimentos, mas também, auxiliavam em sua conservação – lembre-se, estávamos no Século XVI, refrigeradores não existiam na época -. Em decorrência disso, as mercadorias indianas passam a ter um altíssimo valor comercial.

O terceiro, e mais importante, fato histórico desse período diz respeito à dominação dos italianos sobre o Mediterrâneo. Com esse empecilho territorial, portugueses e espanhóis se vêem obrigados a enfrentar mares desconhecidos para chegar até a Índia.

Importantes descobertas

Haja vista todos os acontecimentos descritos até aqui é importante ressaltar que as grandes navegações implicaram, principalmente, na descoberta de novas terras. Pode-se citar como exemplo a chegada de Cristovão Colombo as “Índias Ocidentais”, aliado a isso, o descobrimento das Antilhas no Panamá e, é claro, a confirmação de Américo Vespúcio de que Colombo teria descoberto um novo continente

Por fim, cabe citar a chegada de Pedro Alvarez Cabral ao litoral do que é hoje o Brasil no ano de 1500. E, é por esse, e outros tantos motivos que entender sobre o fenômeno das grandes navegações é tão importante, afinal, a partir dele conseguimos compreender diversas relações econômicas, sociais e territoriais que vigoram até hoje.