Os mitos mais comuns sobre a idade média


O período mais obscuro da história também é o mais fantasioso e repleto de mitos, que perpetuam sua fama. Chamada de Idade das Trevas, a Idade Média povoa o imaginário popular como uma época de atrasos intelectuais, fanatismo religioso, desvalorização da arte e torturas.os-mitos-mais-comuns-sobre-a-idade-media

Mas essa conotação não é baseada na realidade dos fatos. Embora muitos dos pontos abordados sejam reais, a desvalorização do período foi credenciada aos intelectuais posteriores, vindos do Renascimento e do iluminismo, que se baseavam na cultura da Antiguidade. Além de focar somente a Europa e ignorar outros povos que viveram grandes momentos nesse período.

A evolução de outros povos da Idade Média

Pelos inúmeros mitos criados para ilustrar a Idade Média pouco se vê sobre suas invenções e avanços fundamentais para conquistas posteriores. O mais comum é supervalorizar suas superstições, como se elas tivessem deixado de existir após o período.

Muito dessa fama se dá por ela ter sido considerada uma época cristã para a Europa, superando qualquer outra religião da região. O avanço do cristianismo levou a população a crenças entre o bem e o mal, purismo e pecado, que geraram muitas ações consideradas cruéis e fanáticas como a própria inquisição.

Por estar entre a exuberância artística da Antiguidade e a plasticidade do Renascimento, a Idade Média e as raízes cristãs foram omitidas de todas as definições histórias sobre a construção europeia. Uma grande injustiça já que o cristianismo em si já é um dos maiores ingredientes civilizatórios por todos os locais onde esteve.

Como o ensino de História na sociedade ocidental é muito mais eurocêntrica, pouco se sabe dos avanços de outros povos na Idade Média. Os primeiros mil anos d.C. foram especialmente vindouros para os povos islâmicos, que viveram a chamada “idade de ouro islâmica” entre VIII e XIV. Após a época da existência de Maomé, no século VII, o que hoje é chamado de Oriente Médio era o maior império existente até aquele período.

O império islâmico priorizava o conhecimento, se transformando no centro cultural do mundo e amealhando intelectuais de todas as regiões. Nesse período da história, os islâmicos criaram e introduziram para o Ocidente os números indo-arábicos, maior sistema numérico do mundo, além de produzir inovações surpreendentes na área de medicina, navegação, agricultura, geografia, matemática e economia.

Os maiores mitos da Idade Média

Separamos alguns mitos atribuídos a Idade Média e que não são exatamente como foram propagados:

1- A higiene

É comum acreditar que na época medieval as pessoas não tomavam banho e muito menos se higienizavam. O mais impactante é que os banhos eram estimulados e acrescidos de terapias medicinais.

Tudo porque a água era vista como fonte de cura, onde o corpo limpo por ela se tornava mais puro e acessível aos seus benefícios. Havia banhos públicos tal como na Antiguidade, apesar dos valores cobrados serem altos.

A fama da falta de banhos aconteceu porque no século XIV a igreja católica condenou a prática de banhos frequentes, alegando o estimulo sexual pecaminoso.

2 – As torturas e penas de morte

Apesar da Inquisição ter surgido no século XII, em combate ao sextarismo religioso, a época onde ela foi mais violenta e conhecida foi no final da Idade Medieval e em praticamente toda a Idade Moderna. Ela surgiu para combater a Reforma Protestante e como apoio a Contrarreforma Católica, utilizando de prisões e Instrumentos de tortura para que réus confessassem ou “pagassem” pelos seus pecados.

Um período onde havia captura de bens, lavagem mental e um medo institucionalizado, as torturas nem chegaram a ser o ponto alto da Inquisição e sim as penas de morte praticamente sem julgamentos nas fogueiras ou por enforcamento, baseadas em suposições e fantasias.

Apesar de muitos instrumentos de tortura serem atribuídos a Idade Média, a maior parte deles foram criados após o período como o “Iron Maiden”, a “Pera da Angústia”, “A Cadeira Interrogatória” e o “Estripador de Mamas”.

3 – A repressão da mulher

Um dos maiores símbolos de repressão à mulher foram os cintos de castidade. Supostamente criados para que as esposas de soldados não os traíssem enquanto estivessem em batalhas, há também uma tese de que eles surgiram de pais que desejavam manter a pureza de suas filhas. Na verdade, historiadores afirmam que eles foram criados em meados do século XIX, muito depois da Idade Média.

Também não há registros na Idade Média, em que senhores feudais tinham o direito de dormir com uma noiva em sua lua de mel, tirando sua virgindade. É possível que essa prática tenha sido realizada por nobres mais sádicos, mas ela tem origem ainda na Roma da Antiguidade e se perpetuou entre outros povos fora do eixo europeu.
Na verdade, as mulheres medievais possuíam direitos legais, podiam gerenciar negócios, herdar, comprar e vender propriedades. Muitos desses direitos foram diminuindo na Idade Moderna. Na Idade Média a mulher tinha um papel muito importante na família, inclusive assumindo lideranças até mesmo nas suas finanças.

Os casamentos arranjados entre nobres e que visavam interesses políticos foram os motivadores dessa tirania masculina sobre as mulheres.

4 – A Terra achatada

Os estudos Greco-romanos da Antiguidade apontavam que a Terra era esférica e tal estudo se propagou na Idade Média por seus estudiosos. Baseados na cultura helenista, os intelectuais do período se distanciavam muito dos estereótipos criado por eles em filmes e livros.

Um dos fatos que ilustram esse mito foi quando Cristóvão Colombo foi criticado por sábios da Universidade de Salamanca, na Espanha. O mito é de que afirmaram ser impossível navegar até o Oriente, já que a Terra era plana, porém o projeto de Colombo foi considerado muito audacioso e com cálculos equivocados.