Árcades Líricos no Brasil


Quando o Arcadismo se iniciou entre nós e se desenvolveu principalmente em Ouro Preto, que nesta época era capital do Brasil, o chamado Ciclo do Ouro naquela região já estava em franca descensão, embora o ápice de sua crise real tenha sido 1788, com a ameaça da Derrama que sequer se configurou como tal.

Tomás Antônio Gonzaga (1744 -1810)

Tomás Antônio Gonzaga nasceu no Porto, em Portugal, filho de pai brasileiro e mãe portuguesa; aos sete anos, no ano de 1751, veio para o Brasil em companhia do pai acabara de ser nomeado ouvidor-geral de Pernambuco, transferindo-se depois para a Bahia, onde este passa a exercer as funções de intendente-geral do ouro.

Arcades Líricos

Vinha órfão de mãe, Tomásia Clarque Gonzaga, que havia morrido ainda muito jovem. Ainda em Pernambuco, o Dr. João Bernardo Gonzaga, pai de Tomás, casou-se com uma jovem de nome Madalena, e o menino passou então a morar com um parente da mãe, o sargento José Clarque Lobo. Quando o pai se transferiu para a Bahia, Tomás já era adolescente e por isso o acompanhou. Passou a estudar como interno no Colégio de Jesuítas daquela cidade: teve com os padres aulas de Latim, Grego, Lógica, História, Cálculos e Dialética.

No ano de 1758, viu desmoronar o poderio jesuíta na educação através da perseguição promovida pelo marquês de Pombal; o colégio foi fechado e os rapazes que estavam a cargo dos padres terminaram o curso tomando aulas particulares durante todo o ano letivo de 1760.

Aos dezessete anos, 1761, Tomás Antônio viajou para Portugal em companhia de um escravo do mesmo nome e, no ano seguinte, mal completados dezoito anos, inscreveu-se em Coimbra para estudar Direito no curso de Humanidades. Queria ser advogado, como o pai, que nessa época, já era desembargador no Porto e exercia cargo de confiança no governo pombalino.

Em 1768, formou-se em Leis, defendeu em sua tese de graduação ‘O Tratado de direito natural’. Dedicou o mesmo ao Marquês de Pombal, amigo de seu pai e primeiro-ministro do governo de D. José I. Foi convidado certo tempo depois para lecionar em Coimbra, e esforçou-se cada vez mais e acabou conquistado a função de magistrado, ou seja, juiz.

Devido à sua brilhante capacidade intelectual por ser culto e possui brilhante inteligência, Gonzaga foi, finalmente nomeado como ouvidor geral, antigo magistrado durante a época do Brasil colonial, em Vila Rica. O cargo era uma deferência ao apoio que Tomás havia dado ao governo de D. Maria I, a rainha louca, depois da ‘Viradeira’, no ano de 1777.

Corria o ano de 1882. Como ouvidor-geral, encontrou em Vila Rica uma caótica situação: revoltas, impostos atrasados, corrupção. Rota do ouro e pedras preciosas, a cidade era a sede política e econômica da Província das Minas Gerais. Ali chegando, buscou por Alvarenga Peixoto, amigo que havia cursado em Portugal a academia com ele, parente meio afastado, agora exercendo as funções de capitão dos Dragões da Rainha. Alvarenga Peixoto tratou de apresenta-lo aos homens cultos da cidade, entre eles estava Cláudio Manuel da Costa, aos poderosos políticos.

Talentoso e inteligente, conquistou a simpatia das pessoas. Frequentava bailes, serões de casas de família, reuniões intelectuais. Frequentava especialmente a casa do Dr. Bernardo da Silva Ferrão, também advogado, e lá conheceu Maria Dorotéia Joaquina de Seixas, mais conhecida como Marília. Ele tinha quarenta e dois anos completos e ela era uma jovem de quinze para dezesseis anos. Apaixonaram-se. Iam casar, a despeito da família ter em conta a diferença de idade e de dinheiro entre ambos.

Gonzaga se indispôs com o governador da época, relatando a D. Maria I os desmandos daquela autoridade; tornaram-se inimigos. Luís da Cunha Meneses, sabendo das reuniões iluministas das quais Tomás participavam, levou em consideração que os iluministas brasileiros eram inconfidentes, e por isso, os delatou em longa carta a D. Maria. Foi substituído pelo Visconde de Barbacena, amigo pessoal de Gonzaga. O mesmo viria a prendê-lo, bem como aos demais conjurados, cumprindo determinações reais.

Acusado de traição contra a rainha, sob a modalidade de crime lesa-Pátria e lesa-Majestade, foi remetido à Ilha das Cobras e de lá, após sentença, desterrado para Moçambique, onde se casou com Juliana Mascarenhas, filho de um rico traficante de escravos. Jamais retornou ao Brasil, onde tinha firmado compromisso em cartório com Maria Dorotéia; e tal com o sogro, passou seus últimos anos traficando escravos, inclusive enviando-os ao Brasil. Morreu em 1810, com 66 anos de idade, deixando apenas uma filha como herdeira.

As vertentes poéticas de Gonzaga

A poesia de Tomás Antônio Gonzaga está dividida em três vertentes distintas: a lírica arcádica, a poesia satírica e a lírica pré-romântica.

Poesia lírica arcádica: tem tom idílico e o amor, apesar de todo o sofrimento que possa causar, é prazeroso e bom de ser desfrutado.

Poesia satírica: apresentam um lado crítico e satírico que corresponde a um documentário da época que foram escritas.

Poesia pré-romântica: antecipadora do Romantismo em seus temas de morte, perdas, afastamentos, tristeza e solidão.