Caramuru: a Principal Obra de Frei Santa Rita Durão


A literatura brasileira é cheia de poetas, romancistas, modernistas, arcadistas e assim por diante. Sempre rica e bem estruturada, cada fase de nossa poesia tem um ou mais representantes e uma obra que é considerada como marco de determinado período. Um dos poetas que virou marco de sua época foi o Frei Santa Rita Durão. Nascido em Minas Gerais no ano de 1722, ele se tornou Teólogo ao viajar para Europa para estudar, mais especificamente na Universidade de Coimbra, em Portugal. Depois, o Frei passou um tempo viajando por países como Itália, França e Espanha, antes, porém, da viagem já havia se tornado Frei da Ordem Agostiniana, ou seja, de Santo Agostinho.

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A obra de Frei Santa Rita Durão ficou conhecida como indianismo e foi considerada por muitos estudiosos como uma verdadeira exaltação da natureza brasileira e sua cultura.

Na época em que viveu em Portugal, o Frei sofreu perseguições políticas durante o governo de Pombal e decidiu deixar as terras lusitanas em busca de um local seguro, para isso se tornou bibliotecário em Roma por mais de duas décadas e só voltou ao país lusitano quando Pombal saiu do cargo de Marquês e não tinha mais influências na coroa portuguesa.

Marquês de Pombal levou ao governo português o que muitos conheceram como despotismo esclarecido, e teve como principais funções aumentar a exploração das coloniais do país, já que Portugal sofria duramente com a dependência financeira da Inglaterra. Uma das medidas que tomou foi tirar os jesuítas da colônia, para, assim, acabar coma escravidão indígena e conseguir mais contingente para trabalhar a favor da coroa.

Frei Santa Rita Durão também fez campanha pela expulsão dos jesuítas, mas logo se arrependeu do que fizera e então passou a ser perseguido na coroa por seus pensamentos contrários.

Sobre Caramuru

A obra mais famosa de Santa Rita Durão data d ano de 1781 e se chama Caramuru, na verdade, esse é o nome dado ao português Diogo Álvares Correia e tem como principal cenário o descobrimento da Bahia. A obra começa ao contar a história do português Diogo Álvares, quando sua embarcação vinda da Europa naufraga e ele é o único sobrevivente que consegue chegar à costa, mais especificamente no local onde hoje fica o litoral baiano.

Com isso, Diogo Álvares encontra os índios Tupinambás e só ganha o respeito dos nativos após disparar com uma arma de fogo, como os índios não conheciam o armamento, tomam o português Diogo Álvares como uma entidade conhecida como Tupã e o fazem viver com eles com o nome de Caramuru.

Caramuru então passa a doutrinar os nativos brasileiros com a fé cristã e passa a ensinar bons modos aos índios. Isso acontece depois que Caramuru encontra uma gruta em forma de igreja e recebe isso como um sinal de doutrinação.

Paralelo a isso Santa Rita Durão também conta em seu livro que o português Diogo se apaixona por uma índia de nome Paraguaçu, no entanto, é importante destacar que, a índia pela qual o português se apaixona é uma índia branca.

Com o passar do tempo Caramuru passa a viver e catequizar os índios brasileiros até que outra embarcação naufraga e Caramuru salva sua tripulação. Os passageiros eram franceses e o português percebe que assim poderá voltar a sua terra natal depois que uma nau francesa chega para resgatar os seus nativos. Com isso Caramuru pega Paraguaçu e foge com ela para Portugal, sua partida, no entanto não é totalmente aceita, já que o português deixa para trás muitas índias que acabaram se apaixonando por ele durante seu tempo na tribo, sendo a mais conhecida delas Moema, uma selvagem que se atira ao mar e tenta alcançar a nau francesa para fugir com seu amado, mas que acaba morrendo antes de alcançar seu objetivo.

O português Diogo Álvares então chega ao seu país com a índia branca que acaba sendo batizada de Catarina, lá a coroa lusitana os festeja e os entrega as honras da realeza de Portugal.

Sobre a obra de Santa Rita Durão

A obra de Santa Rita Durão é o reflexo de um país catequizado e explorado pelos portugueses e sua obra ficou conhecida por mostrar ao mundo o bom selvagem, aqueles índios que não apresentavam resistência em ser doutrinados e aceitavam os costumes portugueses que lhe era imposto.

Caramuru foi escrita por Santa Rita Durão em versos camonianos, ou seja, no estilo de Camões, com 10 cantos, oitava rima camoniana, versos decassílabos, e fortes influências gregas. A obra ainda conta com a divisão epopeia com invocação, narração, epílogo, dedicatória e proposição.

O brasileiro Santa Rita Durão morreu em 1784 na cidade portuguesa de Lisboa. Além da obra Caramuru, de 1781, Santa Rita Durão já havia lançado Pro anmia studiorum instauratione oratio, em 1778, mas que não foi tão disseminada como Caramuru. Dizem, no entanto, que mesmo que sua obra tenha sido um tributo ao Brasil, sua recepção foi tão fria que Santa Rita Durão decidiu destruir o que restava de Caramuru.