Resumo Sagarana


Sagarana é uma obra que foi publicada pela primeira vez no ano de 1946, ou seja, há quase 70 anos. O livro consiste em uma verdadeira obra-prima no que se refere à produção Roseana, ou melhor, do famoso autor Guimarães Rosa.

De uma forma geral, há quem diga que Sagarana é a obra que introduziu o autor na mágica e fantástica prosa literária a qual ele atingiu com o passar dos anos.

A renovação do regionalismo do Brasil certamente é o aspecto que mais chama a atenção em Sagarana, já que foi a partir de sua publicação que a linguagem regional de cada parte do nosso país ganhou um aproveitamento especial.

Sagarana

A representação da linguagem regional ganhou outro viés graças à Sagarana, que uniu o português com uma matriz mais europeia, o que, inclusive, é notado já no próprio hibridismo presente no título da obra. “Sagarana” propõe um radical germânico de origem (Saga) que tem como significado “canto heroico” e seu final, Rana, nada mais é do que “à maneira de” em nosso dialeto indígena.

Principais características do livro Sagarana

No total, o livro é composto por nove contos, ou melhor, nove diferentes histórias. Mas pelo número de páginas que ganha cada uma delas, além do desenrolar que ganham, muitos são os indivíduos que preferem chamar a sua obra de novelas.

Os críticos costumam avaliar a obra de Guimarães Rosa como uma verdadeira forma de acabar com alguns padrões da linguagem regionalizados. Isso é notável quando levamos em consideração o quão notável são os dialetos dos personagens das histórias contadas pelo autor, que ilustram como personagens principais habitantes que saíram do interior de Minas Gerais para o Brasil afora.

Além disso, vale destacar que a grandeza de uma produção como Sagarana não está apenas em sua forte ligação com o cenário que apresenta: cada uma delas em uma parte diferente do sertão mineiro. Por outro lado, a linguagem não pode ser considerada o único ‘carro chefe’ de uma obra de tanta importância literária nacional.

Certamente, um dos grandes atrativos de Sagarana é o fato de que Rosa traz para a literatura algo muito mais humanístico, uma vez que ele valoriza a riqueza de cada uma das experiências humanas, mesmo quando elas são vividas fora de seu território de origem – ou melhor, fora do interior de Minas Gerais.

Outro fator interessante é que Sagarana se tornou uma obra capaz de reestabelecer o hibridismo de culturas e a própria cultura regional dos habitantes de Minas Gerais, uma vez que entrou para a galeria dos mitos e também para a construção dos principais heróis deste sertão.

Dentro dessa região mineira, é notável que a paisagem faz parte do homem, assim como o contrário também ocorre. O sertão é seu caminho, mostra seus perigos e avisos para o homem. Além disso, é ainda o seu instrumento de trabalho e o que possibilita a sua ascensão – tanto no ramo profissional como também no caminho de Deus.

Quais são as nove histórias?

As nove histórias contadas por Guimarães Rosa em sua obra são:

1. O burrinho Pedrês;

2. A volta do marido Pródigo;

3. Sarapalha;

4. Duelo;

5. Minha gente;

6. São Marcos;

7. Corpo fechado;

8. Conversa de bois;

9. A hora e a vez de Augusto Matraga.

No livro, algumas delas são contadas com foco narrativo voltado para a primeira pessoa – como é o caso de Minha Gente e São Marcos. Mas a predominância no livro é das histórias contadas em narrativa na terceira pessoa, ou seja, com um narrador onisciente.

Nesse sentido, um fato curioso e interessante ao mesmo tempo em relação aos dois contos em primeira pessoa é que mesmo com esse foco narrativo, o narrador também participa da trama como um dos personagens da mesma.

Mais curiosidades sobre a obra Sagarana

Confira também algumas curiosidades sobre a obra Sagarana, de Guimarães Rosa:

• A obra ganhou tanta força na literatura nacional desde a sua primeira edição, publicada em 1.946, que nos últimos anos ela tem sido uma das obras cobradas nos principais vestibulares e concursos públicos do país – O principal motivo? Sua linguagem.

• E falando na linguagem, vale aqui destacar uma dica – especialmente para as clássicas perguntas das provas envolvendo essa obra – a linguagem clássica utilizada em Sagarana não pode ser enquadrada unicamente como regionalista. Na verdade, ela pode se enquadrar também dentro de um dialeto sertanejo, uma vez que seu livro é composto de uma mescla entre arcaísmos e célebres neologismos ao mesmo tempo.

• Grande parte das histórias contadas também tem um fim similar: grande parte do desenrolar dos fatos deve estar relacionada com uma moral ou um bom sentido.

• O tempo de Sagarana também é interessante: absolutamente todas as histórias passam-se no início do século XX, e como já dito antes, no sertão mineiro.